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Crítica: Selvagens

SAVAGES POSTER2Selvagens (Savages, EUA, 2012) é o típico filme de diretor com muita ideia na cabeça e no qual a história, ainda que razoável, ganha peso por conta de uma boa condução. Veja bem, na mão de um diretor mais clássico, não muito adepto a invencionices visuais, a exemplo de Clint Eastwood, a história dos amigos que criam um tipo de maconha mais potente e prosperam seria um drama criminal meio sem sal. Oliver Stone, porém, entope seu filme de informações e você sempre tem algo a mais para os olhos além da trama.

A manipulação da imagem tem, como de costume na filmografia do cineasta, espaço cativo, com utilização de meios variados de filmagem e fotografia, que em hipótese alguma se resumem à cor forte de Laguna Beach. Já na abertura você percebe isso, com o vídeo amador mesclado às cenas com quadro bem largo para mostrar o mar que banha a costa cheia de casas de gente rica. Isso emoldurado por um intimista sépia passando para a palheta rica em tons quentes das praias. Ponto para o diretor de fotografia Daniel Mindel, que se adapta bem às características de Stone.

Mais pontos por conta da equipe de direção de arte sob a batuta do cineasta. Lisa Vasconcellos inclui uma cópia do quadro A Morte de Ophelia no cativeiro da personagem O. – adivinhe o nome dela -, como o roteiro pede, e é generoso numa mesa de jantar romântica meio improvisada dentro desse mesmo cativeiro e ainda sim uma belezura de ser filmado (com ironia) – vide o arranjo. E o que dizer dos óbvios, mais ainda sim bacanas tons de azul em meio à roupa e botas escuras do traficante El Azul? Só dá pra dizer parabéns ao departamento de figurinos de Cindy Evans.

O mesmo pode ser dito ao elenco quase homogênio na qualidade de atuação. Nem rostos bonitinhos que poderiam trazer desconfiança como os protagonistas Taylor Kitsch e Aaron Johnson decepcionam. Ainda que os destaques sejam mesmo os antagonistas Salma Hayek, loucamente má, e Benicio Del Toro, cativantemente perverso e canastra. E olha que John Travolta tem uma cena fantástica no terceiro terço do longa, no qual é confrontado por Del Toro e vai da mais pura cara de desespero para um diálogo que demonstra alívio de ter escapado da morte ao mesmo tempo em que mente descaradamente para seu algoz.

Pena que as invencionices e detalhes visuais perdem espaço ao final, quando o roteiro tenta tirar água de pedra e não se decide entre o drama e a ironia e quer se tornar Desejo e Reparação, desperdiçando alguns preciosos minutos de quem o acompanhava e ainda diminui o placar de todo o longa. Se a ideia era fazer de Selvagens um filme tão cool quanto os carrões e músicas estilosas desfilados durante a projeção, o certo seria deixar a pretensão no campo visual, pois a história dava o espaço necessário para o espetáculo sem tentar reinventar a roda.

Nota: 7,5

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