Go ahead, punk. Make my day.

Resumo Final de 2012

the-breakfast-club-1985-hughesClube dos Cinco (The Breakfast Club, 1985). De John Hughes

Agrupar cinco estudantes de grupos variados em um sábado tedioso de castigo e dali tirar histórias humanas e não apenas as costumeiras besteiras adolescentes é o grande trunfo dessa comédia divertida e ao mesmo tempo emocionante de um dos diretores que melhor conseguiu tocar a juventude e dela extrair material de qualidade para o Cinema, John Hughes. Não à toa esse é o ápice da carreira do cineasta, ao lado de Curtindo a Vida Adoidado. Ele usa aqueles velhos estereótipos colegiais para iniciar sua história: um jovem deliquente, um nerd, um esportista, uma popular e uma freak. Mas todos têm algo além da aparência e até a forma como chegam à escola, seja andando só ou na companhia dos pais, fala muitos sobre os dramas que cada um enfrenta. Não existe nada de muito profundo, mas muito do que atormenta aqueles jovens esteve em cada um de nós naquela idade. A cobrança familiar, a falta de comunicação com essa mesma família ou inaptidão para ser aceito em um grupo, do qual, em tese, deveria fazer parte. O roteiro bem dosado faz graça da situação, cria pequenos conflitos e vai intercalando humor e drama para criar um filme completo sobre jovens. Talvez os dois momentos que definem a trama sejam a reunião entre os jovens sentados ao chão e a dança que se segue, ao som de “We Are Not Alone”, de Karla DeVito. Fora, claro, o discurso final de Brian (Anthony Michael Hall), que termina na mão erguida de John (Judd Nelson), emoldurada pela sempre excelente “Don’t You (Forget About Me)”, do Simple Minds. Nota: 9

warrior-posterGuerreiro* (Warrior, 2011). De Gavin O’Connor

O mais incrível não é você curtir um filme com uma história tão batida como a de lutadores que superam suas dificuldades, mas você chegar ao final de um longa-metragem sobre MMA e chorar feito criança. Sim, meus amigos, eu chorei. Mas me explico. A trama gira em torno de uma família de lutadores esfacelada pelo álcool. De um lado está o caladão Tommy, vivido por Tom Hardy. Do outro está o professor de física carismático Brendan, na pele de Joel Edgerton. Entre eles está Paddy (Nick Nolte), um alcoólatra em tratamento, que é pai de ambos e que causou a divisão da família por conta de seu vício. A tentativa de aproximação de Tommy para ser treinado pelo pai e ir a um torneio e o vislumbre da antiga família por pare do patriarca, que procura o outro filho, Brendan, vão catalisar a história. O ápice é o tal torneio que, obviamente, vai ter os irmãos disputando em lados contrários. Enquanto o primeiro terço do filme se encarrega de estabelecer os personagens, no segundo ato, vemos seus dramas e o terceiro terço vai colidi-los, literalmente. A partir daí, o inteligente roteiro de também diretor Gavin O’Connor, junto a Anthony Tambakis e Cliff Dorfman, explora ao máximo a dificuldade do professor que resolveu lutar de novo, criando um tipo de clímax antecipado logo em seu primeiro embate. A torcida será genuína, ajudada pela nossa natural tendência de torcer pelos mais fracos. Enquanto isso, as lutas rápidas e arredias de Tommy  são ajudadas  pelos relances de humanidade daquele homem de coração partido – assista e descubra as motivações dele. Para potencializar o chororô, Nick Nolte como o pai dos brucutus implora pelo amor perdido de ambos em cenas de cortar o coração, tamanha a humilhação pela qual se submete. Talvez o açúcar seja diluído pela testosterona da pancadaria que é jogada aqui e ali na trama até o torneio principal. O que posso dizer é que os minutos finais de Guerreiro reservam uma das cenas mais bonitas que um filme de macho (com coração) pode conceber. E olha que as lutas, muitas vezes, têm algo de telecatch em suas quedas, e o roteiro apela descaradamente para a criação de um inimigo para cada um dos protagonistas à lá Apollo Creed e Ivan Drago. Mas não tem jeito, depois de cuidar tanto do drama dos dois, é impossível ser indiferente ao futuro deles. Ajuda muito a fotografia granulada, com efeito dramático  e as atuações do trio principal. Nolte ganhou uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. E eu chorei. Nota 8,5

*Filme assistido pela primeira vez

4 responses

  1. Gilberto

    Warrior é um ótimo filme! Trata sobre MMA com um roteiro emocionante. Mas passou desapercebido por aqui. Foi a primeira crítica que li dele. Mandou bem, Vinícius!

    30 de Dezembro de 2012 às 6:58 PM

    • Comprei esse filme no escuro. A motivações foram a indicação ao Oscar para Nolte e a presença de Tom Hardy. Não me arrependi, pelo contrário, fui surpreendido com a qualidade do filme.

      30 de Dezembro de 2012 às 8:29 PM

  2. Acabei de assistir o “Clube dos cinco” e senti uma pegada de drama com leve humor (se é que podemos chamar assim), mas acredito que o filme consegue transmitir bem o papel de fazer com que o telespectador jovem pare e pense sobre o que está fazendo de sua vida. Achei bem profundo…

    15 de Fevereiro de 2014 às 3:59 AM

    • É um filme calculadamente tocante.

      15 de Fevereiro de 2014 às 10:42 AM

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