Go ahead, punk. Make my day.

Resumo de Janeiro

Resumo dos filmes vistos nesse início de ano

devils_advocateAdvogado do Diabo (The Devil’s Advocate, 1997). De Taylor Hackford

Falar desse, para mim, é um prazer e uma forma de dar bala aos detratores, pois aqui está o filme da minha vida. Sendo assim, qualquer opinião pode ser tratada como “pessoal demais”. É aqui que entendo o louvor incondicional das crepusculetes. Brincadeira. De qualquer forma, a meu favor tenho uma atuação monstruosa (em vários sentidos) de Al Pacino, a qual me pergunto o motivo de não ter ganhado qualquer prêmio de expressividade. Tenho também um roteiro inteligente que não tenta esconder muita coisa, mas que ainda reserva uma surpresinha e tira da manga monólogos fenomenais reservados para Pacino. Algo que a montagem, em paralelo, dá vida sem ser  redundante – vide Eddie Barzoon. Isso e ainda diálogos espertos fascinantes pela inteligência e dinâmica entre os atores na sequência final no apartamento de Milton. Quer mais? A trilha sonora de James Newton Howard foi tão inspirada em poucas ocasiões, assim como a direção de arte e a fotografia aqui são extremamente sofisticadas, amplificando as mudanças pelas quais o casal vivido por Keanu Reeves e Charlize Theron passam, saindo da cidade do interior para a babilônica Nova York. Repare como a arquitetura e a decoração dos ambientes são requintadas e a fotografia meio fria, em tons azulados e acinzentados, criam clima. E é ótimo ver momentos em que o vermelho que acompanha John Milton contrasta com tudo isso. O longa é uma adaptação do livro de Andrew Neiderman, cujo desfecho é irônico o suficiente para deixar uma música boa por si só, como “Paint It Black”, dos Rolling Stones, ainda melhor. Como não poderia deixar de ser: Nota 10.

HodejegerneHeadhunters*  (Hodejegerne, 2011). De Morten Tyldum

Thriller na melhor acepção da palavra, Headhunters começa com um tom piadista, que pende para a ironia, mas que vai mudar completamente no decorrer de seus 100 minutos. Em alguns momentos me lembrou muito O Fugitivo em sua ebulição de acontecimentos e no crescendo das tragédias na vida do protagonista, Roger Brown. Ótimo personagem, ele ganha a vida na base do roubo de obras de arte para manter seu padrão de vida, só que algo vai sair de seu controle e ele dependerá apenas de sua inteligência para sair vivo de uma perseguição inesperada. A produção norueguesa tem bons atores e boa direção, mas está no roteiro seu maior trunfo. Não tire os olhos da tela, todos os detalhes contam. Lars Gudmestad e Ulf Ryberg adaptam o livrode Jo Nesbø e vão até os últimos minutos usando cada elemento destacado com planos-detalhe ou diálogos que parecem perdidos nas cenas para revelar uma chave para um desfecho quase apoteótico. E quando (nós) críticos chatos falam que um filme de ação necessita de humanização dos personagens, Headhunters mostra como a relação entre Brown e sua esposa é importante desde o início do longa, seja para justificar parte do complexo de inferioridade do homem, seja para o manter vivo quando da caçada. Como já me disse um amigo, um filme seguro, que sabe até onde vão suas pretensões – e ele alcança a todas elas. Nota: 8

law_abiding_citizen_posterCódigo de Conduta* (Law Abiding Citizen, 2009). De F. Gary Gray

Começar bem não é difícil… Quer dizer, é sim, mas ainda mais complicado é dar um desfecho adequado ao seu ponto de partida. Código de Conduta começa com uma família sendo dilacerada por uma dupla de invasores que tortura um homem (Gerard Butler) mata sua filha e sua mulher. A Justiça, então, figurada na pela de Jamie Foxx faz um acordo para que o principal suspeito delate seu comparsa e tenha a prisão relaxada. A vingança de Butler será maligna, só que intrincada demais para ser arquitetada pelo mesmo homem que se revela um super agente, o qual dispõe de tecnologia demais e conhecimento técnico variado para ter tomado uma surra na abertura do filme. Fora que, com o passar da trama, a vingança inicial não se revela com um propósito claro e os recursos dos quais a suposta vítima do Sistema lança mão chegam a cair no absurdo (Pulso Eletromagnético? Sério?). Fora que lá pela metade do filme, parece que o personagem perdeu de vez a razão e se esqueceu de seu objetivo, mas o roteiro se empolga demais, querendo ser um filme de ação e esquecendo do aspecto dramático e a discussão que poderia render. Quer um filme com ponto de partida parecido e realmente bom? Procure por Seven Days. Nota: 5,5

blair_witch_projectA Bruxa de Blair (The Blair Witch Project, 1999). De Daniel Myrick e Eduardo Sánchez

Daquelas coisas que acontecem a cada 100 anos, A Bruxa de Blair aproveitou a popularização da internet no fim do século passado para criar a mitologia da tal feiticeira por meio de um site e vender seus acontecimentos como reais. Conseguiu um resultado ainda melhor que a maior referência nos falsos documentários de terror, Holocausto Canibal (1980).  Blair não é nada gráfico e faz sua mente trabalhar a mil por hora com sons e objetos deixados aqui e ali. O medo vem da sua cabeça e das interpretações do trio de protagonistas, que foram assutados pra valer por Myrick e Sánchez. Eles simulavam todas as situações e as brigas dos “atores” passam uma verdade que nenhuma atuação conseguiria imprimir. Você vai ficando desgastado até a incrível e abrupta cena final, que é cadenciada pelos gritos de Heather Donahue e pela montagem. Preste atenção no efeito desnorteante que é apresentar a imagem de uma câmera 16 mm com filme P&B com o som sendo captado por uma VHS usada para making of, estando ambas em andares diferentes no ambiente estranhíssimo onde o desfecho se passa. Aliás, ajuda muito a aumentar a tensão depois de passarmos o filme numa floresta que parece interminável, mostrada de maneira crua, sem firulas. Deu certo não só artisticamente. Orçado em US$ 60 mil, faturou quase US$ 250 milhões pelo mundo. Nota: 9

X-Men - Primeira ClasseX-Men – Primeira Classe (X-Men – First Class, 2011). De Matthew Vaughn

O melhor aqui é termos um aprofundamento em personagens tão bons como Professor Xavier e Magneto. Com a nova história, é óbvio que a trama envolvendo a crise dos mísseis em Cuba, no auge da Guerra Fria, é apenas desculpa para mais uma aventura do grupo (na verdade, a primeira delas), e ainda melhor: conhecemos de onde vem a amizade entre aqueles dois homens, que futuramente se tonarão antagonistas. E vamos além: Magneto vive o ímpeto de vingança como estamos acostumados, só que com um charme poucas vezes visto. Culpa do ótimo Michael Fassbender. Eu disse charme? Que tal, então, perceber como Xavier era galanteador no idos da década de 60? Pena que o mesmo roteiro que cria uma sequência fantástica de invasão à recém-criada escola para adolescentes mutantes –  iniciada com barulhos abafados de corpos caindo do céu –, não chega a pôr em cena novos bons mutantes. Afinal, ver um rapaz que voa pela vocalização ou uma jovem que simplesmente tem asas de libélula não é nada empolgante. O tom dramático do final, porém, eleva a produção a outro patamar com mais uma explicação do passado de Xavier. A única coisa que continua a mesma é o péssimo humor de Wolverine. Sim, ele está lá. Nota: 8,5

*Filme assistido pela primeira vez

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