Go ahead, punk. Make my day.

Archive for Fevereiro, 2013

Resumo (18 a 24 fev)

FrankenweenieFrankenweenie* (Idem, 2012). De Tim Burton

Existem filmes que não têm grandes pretensões, mas vão longe em suas sua miras baixas, porém certeiras. Quem já viu Menina de Ouro, por exemplo, sabe do que falo. Ainda que o roteiro da produção tenha uma virada assustadora no último terço, o andamento calmo e sem grandes arroubos garantem uma história que, como já disse, voa baixo, mas atinge alvos distantes e garantem um ótimo filme. Emocionante e humano. Mas também existem filmes como Frankenweenie, animação de Tim Burton que busca homenagear produções sobre monstros tipo B e que não passa desse tributo. O filme é baseado em um curta-metragem do cineasta e conta história do cãozinho Sparky que morre e é ressuscitado pelo dono, o recluso Victor, o qual tinha na figura do animal seu único amigo. O problema aqui é que nada é original, da forma como o cão volta à vida à forma como ele morre, passando pelos monstros que vão surgir em determinada altura. Ainda que a animação seja num belo e corajoso preto e branco, Burton mostra certo cansaço criativo, inclusive no visual de Victor Frankenstein, que, mesmo tendo sobrenome diferente do Victor (Van Dort) de A Noiva Cadáver, parece mesmo uma versão jovem do protagonista do filme de 2005 – só faltou a voz de Johnny Depp. Mas a simpatia da história não pode ser negada. Os personagens têm carisma e mesmo não sendo originais, a amarração das inúmeras referências – de Frankenstein a Godzilla – é bem feita. Repare como existe um personagem oriental que está meio deslocado, mas que vai fazer total sentido no final. Incomoda ainda o clímax no moinho de vento, que remete à Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, mas o final é do tipo bonitinho e não faz mal a ninguém. Assim como Frankenweenie é um filme que não se mostra com grandes pretensões – quer apenas ser uma homenagem simpática. Nota: 7

*Filme assistido pela primeira vez

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Oscar 2013 – Os Vencedores

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Ok, ok, Argo realmente não era o meu preferido entre os indicados a Melhor Filme no Oscar 2013, mas vibrei com a vitória do filme de Ben Affleck. O motivo é simples: a Academia adorou o mediano As Aventuras de Pi, o qual se tornou o campeão em número de Orcars na noite desse domingo – levou quatro. E quase o longa de Ang Lee levou o prêmio principal, o que seria tão forçado quanto Crash – No Limite ter batido O Segredo de Brokeback Mountain.

Ok, ele não ganhou, mas Lee bateu Spielberg, que era o mais cotado ao prêmio depois do esquecimento de Affleck na categoria Melhor Diretor. Foi estanho (e não merecido), mas não foi surpresa. O placar, então ficou 4 para Pi e 3 para Argo e Os Miseráveis. Argo levou os prêmios mais importantes (filme, montagem e roteiro adaptado). Enquanto Pi ficou com os mais técnicos (fotografia, efeitos visuais, trilha sonora e diretor). Miseráveis também teve maioria técnica (maquiagem, efeitos sonoros e atriz coadjuvante).

Legal mesmo foi ver a primeira música de James Bond ganhar um Oscar (“Skyfall”, de Adele) e Daniel Day-Lewis ser o primeiro cara a receber três estatuetas de ator principal. Mais legal ainda foi ver Seth MacFarlane falar um monte de incorreções políticas – a melhor foi cantar sobre os peitos de um monte de atrizes, principalmente os de Kate Winslet.

Pela primeira vez na minha vida, vi um empate no Academy Awards, com A Hora Mais Escura e 007 – Operação Skyfall dividindo a estatueta de Melhor Edição de Som. E como eu já imaginava, Valente (Pixar), ainda que não tenha recebido as mesmas boas críticas de Detona Ralph (Disney), ficou com o prêmio de Melhor Filme de Animação. Questão de lobby, como eu já disse.

Além disso, foi uma cerimônia razoável pelo ritmo mais rápido – discurso de vencedores cortados pelo tema de Tubarão causou parte disso. Entretanto, contudo, todavia se Adele, Hugh Jackman e Norah Jones puderam, por qual razão Scarlett Johansson e Bombay Jayashri não foram ao palco cantar os temas de Chasing Ice e Pi?

Ah! E teve o tombo de Jennifer Lawrence, que riu, pegou o Oscar e continuou linda.

Ah! [2] E teve Quentin Tarantino como vencedor de Melhor Roteiro Original, por Django Livre, que ainda rendeu o segundo Oscar de ator coadjuvante a Christoph Waltz. Na minha opinião, uma atuação muito boa, mas que repete o Hans Landa de Bastardos Inglórios, só que bonzinho.

Ah! [3] O que Michelle Obama foi fazer lá, hein?

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Eis todos os vencedores:

Melhor Filme – Argo

Melhor Diretor – Ang Lee, por As Aventuras de Pi

Melhor Roteiro Original – Quentin Tarantino, por Django Livre

Melhor Roteiro Adaptado – Chris Terrio, por Argo

Melhor Ator – Daniel Day-Lewis, por Lincoln

Melhor Atriz – Jennifer Lawrence, por O Lado Bom da Vida

Melhor Ator Coadjuvante – Christoph Waltz, por Django Livre

Melhor Atriz Coadjuvante – Anne Hathaway, por Os Miseráveis

Melhor Montagem – William Goldenberg, por Argo

Melhor Fotografia – Claudio Miranda, por As Aventuras de Pi

Melhor Filme Estrangeiro – Amor (Áustria)

Melhor Animação – Valente

Melhor Trilha Sonora – Mychael Danna, por As Aventuras de Pi

Melhor Canção Original – Skyfall, por Adele – de 007 – Operação Skyfall

Melhor Documentário – Searching For Sugar Man

Melhor Direção de Arte – Lincoln

Melhor Figurino – Anna Karenina

Melhor Efeitos Visuais – As Aventuras de Pi

Melhor Efeitos Sonoros – Os Miseráveis

Melhor Edição de Som – 007 – Operação Skyfall e A Hora Mais Escura

Melhor Maquiagem – Os Miseráveis

Melhor Curta-Metragem – Curfew

Melhor Curta-Metragem (Animação) – Paperman

Melhor Curta-Metragem (Documentário) – Inocente


Framboesa de Ouro 2013

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Hoje à noite tem Oscar, mas já tem gente premiada nos Estados Unidos. Muito bom, mas ao contrário, pois os vencedores dos quais falo são aqueles que levaram para casa o Framboesa de Ouro. O prêmio que dá honras aos piores do ano passado, em 2013, glorificou o final da Saga CrepúsculoAmanhecer – Parte 2 ficou com sete das dez Framboesas distribuídas, inclusive Pior Filme e Elenco.

Parabéns, já que eles conseguiram bater coisas como Battleship – A Batalha dos Mares e Piranha 3-DD (?). Veja a lista:

Piores

Filme: A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2
Diretor: Bill Condon, A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2
Atriz: Kristen Stewart, A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2
Ator: Adam Sandler, Este é o Meu Garoto
Atriz Coadjuvante: Rihanna, Battleship – Batalha dos Mares
Ator Coadjuvante: Taylor Lautner, A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2
Elenco: A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2
Remake, Sequência, Prequel ou Plágio: A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2
Roteiro: Este é o meu Garoto
Dupla em Cena: Mackenzie Foy e Taylor Lautner, A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2


Fui chamado e palpitei no Oscar

Nunca fui bom de apostas e não consegui ganhar muitas delas. Entretanto, quando meu colega de trabalho Pablo Pacheco pediu que eu desse meus pitacos sobre quem poderia levar os prêmios da Academia nessa noite de domingo, lá fui eu tentar a sorte.

A reportagem saiu nesse domingo, então, clique na imagem abaixo e veja a reportagem do Correio de Uberlândia sobre o Oscar 2013.

Oscar-Correio


Crítica: Indomável Sonhadora

beasts-of-the-southern-wild-posterExiste uma palavra simples para definir Indomável Sonhadora (Beasts of the Southern Wild, EUA, 2012): cativante. Você já viu filmes parecidos, como A Princesinha ou mesmo Onde Vivem os Monstros. Referências próximas dessa produção que concorre ao Oscar. Eles têm uma história tristemente realista quase em oposição a algo mágico que permeia toda a produção. Aqui, a diferença é que quando a magia encontra a realidade, você não tem um momento de alegria, mas sai da história depois de presenciar o crescimento de uma personagem.

A trama gira em torno de Hushpuppy (a encantadora Quvenzhané Wallis), uma menina que mora em uma região alagada de um ponto qualquer do sul dos Estados Unidos. E não é gratuitamente que o título original do longa-metragem seja “animais do sul selvagem”. A protagonista tem uma intensa ligação com a natureza e com animais, dos quais tenta entender o que as batidas do coração dizem. Da mesma maneira que esses animais podem ser interpretados como os próprios moradores da chamada Banheira, o que inclui Hush, o pai dela, Wink (Dwight Henry), e seus vizinhos. Animais não no sentido negativo, mas do estreitamento com o ambiente onde vivem.

Só que o mesmo lugar onde as raízes dessas pessoas as prendem, oferece grandes dificuldades. Mas é muito interessante que uma intensa tempestade traga a maior provação aos moradores do lugar e mesmo assim exista espaço para uma noite de bebidas e um motivo para unir a comunidade. É em meio a esses problemas que surge a mítica dos bisões, quadrúpedes que simbolizam a força e a coragem que deve emergir daquela criança, que passa por muita coisa, inclusive por um pai relapso e uma mãe desconhecida. Quer saber mais? Mesmo com todos os defeitos, é ainda mais humano que Wink seja capaz de momentos ternos como uma pequena disputa de braço com a filha para animá-la.

Ajuda muito a direção de Benh Zeitlin saber se dividir entre a filmagem com a câmera no ombro para mostrar a Banheira, enquanto nos momentos nos quais os bisões surgem, use o tom de fábula. O cineasta ainda é feliz como poucos, primeiro na escolha de sua protagonista, Quvenzhané, e, depois, por conseguir tirar dela autenticidade na atuação, com um trabalho altamente natural. Bom, e a garota, que tinha seis anos quando interpretou a “sonhadora” do título, impressiona em momentos de raiva e emoção.

Nem aquele tipo de clichê de filmes como esse – nos quais sempre têm alguém tossindo e isso quer dizer algo -, estraga a história. Singela, mas com algo a dizer, a trama traga o espectador, em andamento cadenciado e com trilha sonora tão bela quanto a jornada interior da personagem principal – a música é de Dan Romer e de Zeitlin. Quem se deixar levar (e isso não é difícil), pode até não ter um filme original, mas certamente terá emoções genuinas.

Nota: 8

Indomável Sonhadora - a garota e o bisão


Resumo (11 a 17 fev)

tropic_thunderTrovão Tropical (Tropic Thunder, 2008). De Ben Stiller

Talvez um dos filmes mais ousados de 2008, ainda que à primeira vista não passe de uma comédia que atira para todos os lados. Trovão Tropical, porém, é politicamente incorreto e tira um grande sarro do mundo hollywoodiano. Seus personagens são caricatos, ignorantes e, melhor ainda, quando são postos no meio da selva para rodarem um “filme realidade” e não se tornam pessoas melhores – o que evita o clichê da redenção. O ator/diretor Ben Stiller não tem papas na língua e ainda tem tempo de rir de si mesmo. Ainda impressiona a atuação absolutamente bizarra de Tom Cruise como o crápula produtor Les Grossman, cuja careca e barriga fazem o astro se libertar daquele ranço de galã. Vamos além: Robert Downey Jr. como um australiano que interpreta um negro norte-americano é daqueles tipos de abuso e caricatura que não se cansa de rir. E olha que há um nergo de verdade ao lado dele para apontar o ridículo de tudo aquilo. E um roteiro que batiza esse personagem de Alpa Chino merece nosso respeito. É para rir da cara alheia e ainda sair com uma lição para vencer o Oscar: nunca interprete uma retardado completo. Verdade ou não, Downey Jr. foi indicado ao prêmio da Academia de Melhor Ator Coadjuvante sem precisar ser um “retardado”.  Nota: 8,5


Crítica: Os Miseráveis

Les MiserablesSe Os Miseráveis (Les Misérables, 2012, Reino Unido) teve sucesso em sua concepção, não foi por conta dos cenários bem feitos nem as canções bem ensaiadas, mas sim a escalação de Hugh Jackman para o papel principal e por ter uma Anne Hathaway tão inspirada. Enquanto os dois estão na frente da câmera o longa parece se iluminar. Da mesma forma que nos momentos em que a trama os deixa de lado para seguir adiante, as coisas quase caem no ostracismo.

Desde o primeiro minuto, quando um navio imponente surge na tela sendo arrastado por Jackman, na pele de Jean Valjean, a expressão dura do ator deixa claro o quão amargurado ele se tornou em quase 20 anos de prisão pelo roubo de um pão. Sua libertação e o sofrimento que se segue são mostrados com montagem rápida (outro trunfo do filme) e pelo menos mais dois momentos fora de série para o protagonista. O primeiro acontece logo após sua saída da prisão, quando canta de maneira melancólica no alto de um morro sob o luar durante o início da noite. Um ambiente natural que dificilmente vai se repetir durante a narrativa. A outra passagem é aquela que define Jean, quando ele ganha seu maior número solo, cantando dentro de uma igreja de forma intensa, terminando nos limites de um precipício ao rasgar sua condicional.

Da mesma forma que Anne atrai a atenção desde o primeiro momento. A tristeza da história de Fantine poderia facilmente se esvair em tanta miséria, mas a interpretação da atriz tem força e beleza. Não é à toa que o momento em que canta “I Dreamed A Dream” seja, sem dúvida, a coisa mais bela que os quase 160 minutos de Os Miseráveis têm a oferecer. A cena emocionante é toda filmada em close e vale cada minuto com Anne variando sua performance do choro às notas mais altas.

Pena que o diretor Tom Hooper (de O Discurso do Rei) dê a mesma chance para atores sem o mesmo vigor de atuação e voz. Assim, a câmera fechada nos rostos de Russell Crowe, Amanda Seyfried e Eddie Redmayne são um desperdício de tempo. Cada um deles tem um momento só seu em cena, os quais não vão a lugar algum além da sonolência. Da mesma forma que Samantha Barks, na pele de Éponine, tem aqui um belo veículo para sua entrada no Cinema, num papel de destaque. Só que ela é obrigada a mostrar a voz (e a beleza) num enorme clichê, ao cantar “On My Own” sob chuva forte, lamentando um amor impossível.

Hugh-Miserables

Os problemas na direção também passam pelos incompreensíveis enquadramentos que jogam os atores para o canto da tela e não dizem a que veio. Seus ângulos oblíquos por vezes também não levam a nada e até minam a força de algumas cenas. Esse tipo de enquadramento é usado para ressaltar que algo não está certo e um bom exemplo de como ele é mal usado por Hooper é um reencontro num convento entre importantes personagens que deveria ser terno, mas estranhamente ganha um enquadramento tortuoso – e te arranca da cena.

E se montagem ágil de Os Miseráveis pode surpreender aqueles que imaginam que aqui há um musical pedante, é complicado para Chris Dickens e Melanie Oliver manterem o ritmo e ainda encadear a passagem de uma canção para outra quando roteiro opta por suprimir quase completamente os diálogos e o diretor não tem muita criatividade nas transições. Assim, cenas importantes parecem se amontoar, como quando há uma morte em um hospital e, em seguida, Jackman e Crowe passam a duelar, sem dar a devida importância ao momento anterior.

Perdendo força entre o segundo e terceiros atos, quando Jackman sai de cena (por alguns instantes) para que a história sobre a revolução siga seus rumos, os roteiristas William Nicholson, Alain Boublil, Claude-Michel Schönberg e Herbert Kretzmer também não conseguem estabelecer bases para que se acredite no amor entre os personagens de Amanda e  Redmayne. Muito menos compreensível ainda é o destino dado a Crowe, sem qualquer emoção que o justifique.

Ainda sim, as cenas que fecham Os Miseráveis se fazem belas (de novo) por conta de Jackman e Anne. Eles conseguem extrair de um momento nada original, uma despedida delicada e ao mesmo tempo grandiosa.

Nota: 7,5

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