Go ahead, punk. Make my day.

Crítica: Indomável Sonhadora

beasts-of-the-southern-wild-posterExiste uma palavra simples para definir Indomável Sonhadora (Beasts of the Southern Wild, EUA, 2012): cativante. Você já viu filmes parecidos, como A Princesinha ou mesmo Onde Vivem os Monstros. Referências próximas dessa produção que concorre ao Oscar. Eles têm uma história tristemente realista quase em oposição a algo mágico que permeia toda a produção. Aqui, a diferença é que quando a magia encontra a realidade, você não tem um momento de alegria, mas sai da história depois de presenciar o crescimento de uma personagem.

A trama gira em torno de Hushpuppy (a encantadora Quvenzhané Wallis), uma menina que mora em uma região alagada de um ponto qualquer do sul dos Estados Unidos. E não é gratuitamente que o título original do longa-metragem seja “animais do sul selvagem”. A protagonista tem uma intensa ligação com a natureza e com animais, dos quais tenta entender o que as batidas do coração dizem. Da mesma maneira que esses animais podem ser interpretados como os próprios moradores da chamada Banheira, o que inclui Hush, o pai dela, Wink (Dwight Henry), e seus vizinhos. Animais não no sentido negativo, mas do estreitamento com o ambiente onde vivem.

Só que o mesmo lugar onde as raízes dessas pessoas as prendem, oferece grandes dificuldades. Mas é muito interessante que uma intensa tempestade traga a maior provação aos moradores do lugar e mesmo assim exista espaço para uma noite de bebidas e um motivo para unir a comunidade. É em meio a esses problemas que surge a mítica dos bisões, quadrúpedes que simbolizam a força e a coragem que deve emergir daquela criança, que passa por muita coisa, inclusive por um pai relapso e uma mãe desconhecida. Quer saber mais? Mesmo com todos os defeitos, é ainda mais humano que Wink seja capaz de momentos ternos como uma pequena disputa de braço com a filha para animá-la.

Ajuda muito a direção de Benh Zeitlin saber se dividir entre a filmagem com a câmera no ombro para mostrar a Banheira, enquanto nos momentos nos quais os bisões surgem, use o tom de fábula. O cineasta ainda é feliz como poucos, primeiro na escolha de sua protagonista, Quvenzhané, e, depois, por conseguir tirar dela autenticidade na atuação, com um trabalho altamente natural. Bom, e a garota, que tinha seis anos quando interpretou a “sonhadora” do título, impressiona em momentos de raiva e emoção.

Nem aquele tipo de clichê de filmes como esse – nos quais sempre têm alguém tossindo e isso quer dizer algo -, estraga a história. Singela, mas com algo a dizer, a trama traga o espectador, em andamento cadenciado e com trilha sonora tão bela quanto a jornada interior da personagem principal – a música é de Dan Romer e de Zeitlin. Quem se deixar levar (e isso não é difícil), pode até não ter um filme original, mas certamente terá emoções genuinas.

Nota: 8

Indomável Sonhadora - a garota e o bisão

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s