Go ahead, punk. Make my day.

Archive for Março, 2013

Crítica: A Hora Mais Escura

A Hora Mais Escura posterA Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty, EUA, 2012) não é um filme de guerra como se pode imaginar, com ação e correria. É exatamente o oposto: uma produção longa, lenta e dramática. Por um lado consegue aflorar na plateia as dificuldades encontradas pelos seus personagens, mas por outro se transforma numa narrativa pedante e que não suporta o próprio peso em muitos momentos.

A trama acompanha uma nova agente da CIA, Jessica Chastain, na busca feita por Osama Bin Laden, após o ataque ao WTC em 2001. Logo na cena inicial é possível perceber as duas principais características do longa de Kathryn Bigelow por meio da tortura de americanos a um prisioneiro. A cena não poupa maldade e dura muitos minutos. Jessica acompanha a ação mascarada e um tanto horrorizada. Vestida de terno e usando sapatos inadequados para deserto onde estão, logo o longa trata de mostrá-la perdida nos pensamentos em um escritório no meio do nada – o que não a impede de ajeitar alguns objetos em cima da mesa.

Não há aqui o sangue falso que faz “alegria” das cenas gráficas que Mel Gibson, por exemplo, adora. A violência é mais psicológica. Contudo, o tempo dispensado para a tortura mina a plateia. É óbvio que o processo aqui serve para endurecer a protagonista e mostrar que aquilo é apenas um passo de uma busca que vai durar uma década inteira e é preciso mostrar a exaustão disso também para quem vê o filme. OK, mas chega um momento em que tudo se torna incômodo em excesso. Um bom exemplo disso é, já no terço final, a cansativa preparação para uma ação de busca a Bin Laden. Depois de mais de 2 horas de pistas verdadeiras e falsas, uma pequena elipse nesse ponto não faria mal, mas o roteiro de Mark Boal insiste em ser mais detalhista.

Por falar nisso, o roteiro cria um esquema muito simples para o andamento da trama. Com exceção de um ou dois momentos, Boal estabelece que a captura não é importante, mas a informação que o inimigo deve passar, sim. Dessa forma, quando as investigações chegam a um alvo, o filme mostra apenas a extração do que a CIA precisa, mas não como eles chegaram até aquela pessoa. Talvez suprimindo um ou outro alvo (ou aglutinado-os em uma elipse, de novo), A Hora Mais Escura ganhasse ritmo ao mostrar a ação de captura. Além disso, Boal sente que as idas e vindas das buscas a Bin Laden podem estar intricadas demais e inclui um momento em que Chastain se senta na frente de um computador para escrever algo. Dali sai um apanhado do que já aconteceu até o fim do segundo terço de filme – com narração em off, inclusive. Situa, mas prova que o roteiro não se sente 100% seguro.

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Da mesma forma, que o arco pelo qual a protagonista passa, ainda que funcione, não é original nem sutil. Aquela agente que estava incomodada com a tortura inicial, logo vai utilizar dos mesmos métodos. Sua expressão de adolescente assustada logo dará lugar a uma mulher de coturno e fala mais segura. A atuação de Jessica Chastain, porém, é apenas OK e chega a ser um pouco constrangedora nos minutos iniciais, quando ela presencia a violência pela primeira vez. O que se contrapõe bastante com a cena final, minimalista e interessante com o rosto atriz ocupando o quadro.

Pior ainda é perceber que no clímax da perseguição a Bin Laden, a fotografia do filme, de responsabilidade de Greig Fraser, seja tão escura*, quase sabotando o trabalho. Intricada, tensa e bem dirigida, a invasão é o grande momento pelo qual se espera, entretanto exige paciência e atenção extra para se entender o que se passa, pois a visão é limitada – como o próprio filme.

Nota: 7,5

*Cheguei a imaginar que o problema era a projeção da sala onde estava, mas ficou claro que o problema era o filme nos momentos em que uma pequena luz se acendia ou uma iluminação mínima surgia na sequência final. Nesses pequenos momentos, tudo parecia normal, diferentemente da escuridão que domina trecho da produção.

A Hora Mais Escura

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Matrix fácil de entender

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Vem aí Antes da Meia-Noite

Before Midnight

Para quem, na adolescência descobriu o romance Antes do Amanhecer por acaso, numa sessão da madrugada na TV aberta que acabou com meu sono e me manteve acordado até após as 3h, imaginar que, quase 20 anos depois do primeiro, poderei curtir mais um passo do casal Jesse e Celine, chega a ser emocionante.

Esse será o terceiro filme do casal, que teve no ótimo Antes do Pôr-do-Sol a evolução quase perfeita da relação, quando ninguém imaginava qual seria destino do jovem americano e da jovem francesa, após o encontro intenso deles no primeiro longa.

Não foi à toa que, mesmo com alguns receios, me arrepiei ao assistir ao primeiro trailer de Antes da Meia-Noite, novo capítulo de uma das mais belas histórias do Cinema recente. A coisa é tão interessante que não fica apenas na trama da agora trilogia, pois, desde o segundo longa, o diretor Richard Linklater divide os créditos do roteiro com os atores Ethan Hawke e Julie Delpy. Isso mostra o quanto o trio se envolveu com Jesse e Celine – os quais também têm uma participação na animação Waking Life de Linklater – e os desenvolveram de tal forma que é quase impossível dissociá-los dos personagens. Um outro caso de amor.

Antes da Meia-Noite vai seguir os passos do casal depois de (aparentemente) estarem casados, o que deve incluir problemas conjugais e uma crise. Seria definitiva? Tenho meus medos de que surja uma história boba e estrague a magia da relação. Mas sejamos positivos e partilhemos o trailer.

Que venha!


Resumo (18 a 24 mar)

Three-Kings-PosterTrês Reis (Three Kings, 1999). De David O. Russel

Rei (com trocadilho) do sarcasmo em seus minutos iniciais, o longa que deu notoriedade ao hoje indicado ao Oscar David O. Russel bate forte na ação americana na Guerra do Golfo, na qual soldados foram levados para o deserto para assistirem a um combate de bombardeios – quando Mark Wahlberg mata alguém, logo nos primeiros minutos, chegam a tirar foto do momento que parece único no conflito. Mas se esse parece um posicionamento desumano, acabar descobrindo aos poucos as verdadeiras razões da guerra, que para muitos não aconteceu, também não é nada agradável para aqueles jovens tirados de sua casa – de novo Wahlberg toma conhecimento ao ser obrigado a beber parte do petróleo, o grande motivador de tudo. Quer dizer, se uma guerra é o contrário do humanismo, fazer milhares de combatentes estarem ali por razões escusas é ainda pior. Entretanto, o diretor e roteirista O. Russel tira um sarro de tudo aquilo e, literalmente, extrai dos anais (sem trocadilho) das linhas de combate de Saddam Hussein um mapa que vai levar ao ouro pilhado pelo ex-ditador. Nesse momento, a fotografia estilizada e a montagem estilosa dão um toque de absurdo à situação, enquanto quatro soldados americanos põem em ação seu plano de enriquecer com o fim das ações do Golfo Pérsico. Mas chega um momento em que a ambição deixa os corações daqueles homens e vem a boa ação do dia – ainda que meio forçada pelas circunstâncias -, e eles passam a colaborar com os presos da ditadura iraquiana. A virada na motivação dos protagonistas também marca uma mudança visual do longa, que se torna mais sério com a fotografia mais realista (sem perder o estilo), e no tom mais emocional da condução. Mesmo assim, Três Reis continua com boa trama misturando estranheza (homens mascarados surgem no deserto em meio a um ataque), com sacadas nada sutis (mas divertidas), como as imagens de dentro do corpo de Wahlberg. Obviamente que, com menos sarcasmo, a produção se ocupa a desenvolver a história e se sai bem, mesmo criando aquele velho arco de redenção dos personagens. Mas até ali eles já têm nossa simpatia e o filme pode até emocionar, vejam só. Nota: 8,5


Posteridade – World War Z

Um cartaz com mortos-vivos se empilhando em meio à destruição até chegar a um helicóptero? Pôster do ano!

World War Z aprendeu as lições dos antecessores e promete.

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Você já viu 127 horas? E o vídeo original?

Pois aqui está parte do vídeo que Aron Ralston Lee fez como registro do momento desesperador pelo qual passava: um de seus braços estava preso por uma grande pedra depois de uma queda. James Franco o interpretou no filme, 127 Horas, de 2010.


4ª parede no chão

Daqueles compilações que adoramos, o autor Leigh Singer manda muito bem na montagem de várias cenas em que os personagens quebram a chamada 4ª parede. Isso quer dizer que eles, em algum momento, deixam o mundo no qual o filme se passa e se dirigem à plateia com um sorriso, uma fala ou mesmo um tiro, como no caso de O Grande Roubo ao Trem, de 1903, e que é homenageado por Martin Scorsese, em Os Bons Companheiros, de 1990. No fim do vídeo, Singer relembra o fato.

São 54 filmes encadeados em ótimas cenas. Poderia dizer que a melhor é a de Al Pacino, no final de Advogado do Diabo, quando se transfigura e diz que vaidade é o pecado favorito dele, mas em meio a um monte de excelentes escolhas (Clube da LutaThe Rocky Horror Picture Show ou o inevitável Curtindo a Vida Adoidado), ri muito quando Eddie Murphy abre um sorriso gigante depois de olhar bundas alheias em O Professor Aloprado, de 1996.

Escolham a de vocês.