Go ahead, punk. Make my day.

Extermínio, pai dos zumbis modernos

Artigo escrito no fim de 2012 para publicação de Uberlândia (mas a publicação não vingou, fazer o quê?)

28-days-later

Um homem acorda num hospital sem saber o que está acontecendo, pois o local que deveria estar cheio de pessoas está abandonado. Em poucos minutos, ele vai entender melhor a situação quando encontra uma pilha de corpos e é atacado por um morto-vivo. Essa cena pôde ser vista recentemente na série The Walking Dead, em sua primeira temporada, de 2010. Mas oito anos antes, ao som da banda de post-rock Godspeed You! Black Emperor, o apocalipse zumbi foi descoberto da mesma forma pelo ator Cillian Murphy, protagonista do ótimo Extermínio (28 Days Later, no original).

Em 2012, o filme do cineasta Danny Boyle completou 10 anos e como um das séries de maior sucesso do momento mostrou, seu legado foi muito maior do que os baratos US$ 8 milhões investidos na produção poderiam indicar inicialmente.

Extermínio não só foi um sucesso de bilheteria, faturando algo próximo de US$ 83 milhões pelo mundo, foi também o impulso para uma onda de filmes de zumbis em todo o mundo. Para se ter uma ideia, até o mestre criador do subgênero do terror, George Romero, voltou a filmar uma história de mortos-vivos com Terra dos Mortos, de 2005, exatamente 20 anos depois de O Dia dos Mortos.

Mas o longa-metragem de Boyle foi mais longe e criou tendência: os antigos zumbis lentos e decrépitos vistos pela primeira vez em A Noite dos Mortos Vivos, de 1968, se transformaram em verdadeiros atletas velocistas. Nessa mesma linha, seguiram a refilmagem do clássico Madrugada dos Mortos, de 2004, e o ótimo espanhol [REC], de 2007. E Brad Pitt os espera nos próximos como Guerra Mundial Z. Saindo do gênero, ainda temos os seres meio zumbis, meio vampiros de Eu Sou a Lenda, – e você pode até não concordar com o tipo de monstro nesse filme, mas não da influência. Repare ainda que em todas essas produções as atrações principais são seres que parecem ser guiados mais por um tipo de raiva do que apenas pelo instinto primário da fome.

A coisa fez tanto sucesso que, claro, a sátira do estilo não demorou a chegar. Ela veio em grande estilo na comédia Todo Mundo Quase Morto (também muito conhecida pelo título original, Shaun of the Dead). O longa retoma as origens vagarosas “zumbíticas” e faz graça com isso, ao mostrar seus personagens se aproveitando da “burrice” dos mortos-vivos e simplesmente se misturam entre eles andando de forma trôpega. Em 2009, Zumbilândia fez coro satírico, ainda que colocando os zumbis para correr. O que não impediu o protagonista de ter uma solução: é só manter o fôlego em dia e correr ao redor de um carro quando um pequeno grupo o persegue – assista e entenda.

Nada mal para uma produção que começou tímida, nas mãos de um cineasta que não havia feito um terror na vida e caprichou na inovação: Danny Boyle reciclou clichês como os ataques noturnos sob a chuva e criou um desfecho catártico para sua obra. Além de transformar Extermínio em um artigo cultuado, aplicando suas técnicas mais moderninhas, como buscar junto com seu montador cortes cheios de estilo e aplicar uma trilha sonora que dilui sombras em batidas pop.

Ganhou uma continuação cinco anos depois de lançamento – e vem ganhando fãs há uma década.

2 responses

  1. Eduardo Almeida

    Show!!!
    Parabéns pelo texto!!

    2 de Março de 2013 às 12:56 AM

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