Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (4 a 10 mar)

The-Perks-of-Being-a-Wallflower-posterAs Vantagens de Ser Invisível* (The Perks of Being a Wallflower, 2012). De Stephen Chbosky

Daqueles filmes cheios de personagens inusitados, mas com uma tristeza que cedo ou tarde vai aflorar em cada um deles – e exatamente por isso são tão amáveis -, As Vantagens de Ser Invisível é um drama dos mais cativantes e que mesmo falhando aqui e ali consegue chegar ao final de sua jornada com aquele tipo de cena arrebatadora e de encher o coração de esperança. Com jeitão independente – cheios de diálogos sobre músicas pop e tom cadenciado – seguimos a história de Charlie (Logan Lerman), um adolescente que acabou de ingressar no Ensino Médio com expectativas e medos daquele novo universo, mas que guarda sérios problemas do passado. Eles serão revelados aos poucos e isso é um belo truque diretor/roteirista Stephen Chbosky, o qual realmente tem algo a dizer sobre aquele garoto retraído. Tudo se explica e a mudança de tom no final do longa, quando o maior segredo é desvendado, ajuda a aprofundar a história. Visualmente esses problemas do garoto surgem por meio de flashbacks ou apagões que acontecem vez ou outra enquanto a boa montagem usa bem as inúmeras músicas de identificação rápida citadas pelos personagens. A escolha delas e o uso sistêmico de fitas cassete são as principais pistas de que a trama se passa em algum ponto do fim da década de 80 e início da década de 90. Essa dificuldade de definir um tempo pode incomodar em determinados momentos, mas é só prestar atenção na direção de arte que logo você percebe o uso das máquinas de escrever e a falta de computadores e consegue entender melhor aquele ambiente. Aliás, o uso desses elementos (música, máquina de escrever e cassetes) demonstram bem o tom cult que o filme busca alcançar por meio da moda vintage atual – uma busca até meio exagerada. Mas divago. Aliás, não divago, pois ainda que canções do Smiths, do Sonic Youth, do L7 e até do Air Supply desfilem pelo longa, é difícil acreditar que pessoas que amam “música boa” (como dizem) simplesmente desconheçam “Heroes”, de David Bowie, quando tocada no rádio do carro. Isso te tira da imersão no enredo e o problema só é corrigido por conta de duas excelentes cenas ao som desta. Assim, chegamos à encantadora Sam, que protagoniza uma dessas cenas. Linda, problemática e um doce, Emma Watson dá vida à moça e justifica o amor de Charlie por ela quase sem fazer força. E é bom salientar a boa atuação de Lerman depois de besteiras como Os Três Mosqueteiros e Percy Jackson e o Ladrão de Raios. A dupla que tem como escudeiro o, de novo, muito bom Ezra Miller, que vive Patrick – interessante vê-lo num papel bem mais arejado que o psicótico Kevin. Ainda que force a barra para ter clima de drama cult, As Vantagens de Ser Invisível tem mesmo bons personagens e sabe utilizá-los sem fazer alarde mesmo com passados pesados a serem descortinados em meio à trama sobre ser adolescente e tentar ser feliz. Nota: 8

*Filme assistido pela primeira vez

2 responses

  1. Ótima crítica! Concordei com a nota e com o dito, entre outros, da trilha sonora. Filmaço

    14 de Março de 2013 às 1:57 AM

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s