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Crítica: A Hora Mais Escura

A Hora Mais Escura posterA Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty, EUA, 2012) não é um filme de guerra como se pode imaginar, com ação e correria. É exatamente o oposto: uma produção longa, lenta e dramática. Por um lado consegue aflorar na plateia as dificuldades encontradas pelos seus personagens, mas por outro se transforma numa narrativa pedante e que não suporta o próprio peso em muitos momentos.

A trama acompanha uma nova agente da CIA, Jessica Chastain, na busca feita por Osama Bin Laden, após o ataque ao WTC em 2001. Logo na cena inicial é possível perceber as duas principais características do longa de Kathryn Bigelow por meio da tortura de americanos a um prisioneiro. A cena não poupa maldade e dura muitos minutos. Jessica acompanha a ação mascarada e um tanto horrorizada. Vestida de terno e usando sapatos inadequados para deserto onde estão, logo o longa trata de mostrá-la perdida nos pensamentos em um escritório no meio do nada – o que não a impede de ajeitar alguns objetos em cima da mesa.

Não há aqui o sangue falso que faz “alegria” das cenas gráficas que Mel Gibson, por exemplo, adora. A violência é mais psicológica. Contudo, o tempo dispensado para a tortura mina a plateia. É óbvio que o processo aqui serve para endurecer a protagonista e mostrar que aquilo é apenas um passo de uma busca que vai durar uma década inteira e é preciso mostrar a exaustão disso também para quem vê o filme. OK, mas chega um momento em que tudo se torna incômodo em excesso. Um bom exemplo disso é, já no terço final, a cansativa preparação para uma ação de busca a Bin Laden. Depois de mais de 2 horas de pistas verdadeiras e falsas, uma pequena elipse nesse ponto não faria mal, mas o roteiro de Mark Boal insiste em ser mais detalhista.

Por falar nisso, o roteiro cria um esquema muito simples para o andamento da trama. Com exceção de um ou dois momentos, Boal estabelece que a captura não é importante, mas a informação que o inimigo deve passar, sim. Dessa forma, quando as investigações chegam a um alvo, o filme mostra apenas a extração do que a CIA precisa, mas não como eles chegaram até aquela pessoa. Talvez suprimindo um ou outro alvo (ou aglutinado-os em uma elipse, de novo), A Hora Mais Escura ganhasse ritmo ao mostrar a ação de captura. Além disso, Boal sente que as idas e vindas das buscas a Bin Laden podem estar intricadas demais e inclui um momento em que Chastain se senta na frente de um computador para escrever algo. Dali sai um apanhado do que já aconteceu até o fim do segundo terço de filme – com narração em off, inclusive. Situa, mas prova que o roteiro não se sente 100% seguro.

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Da mesma forma, que o arco pelo qual a protagonista passa, ainda que funcione, não é original nem sutil. Aquela agente que estava incomodada com a tortura inicial, logo vai utilizar dos mesmos métodos. Sua expressão de adolescente assustada logo dará lugar a uma mulher de coturno e fala mais segura. A atuação de Jessica Chastain, porém, é apenas OK e chega a ser um pouco constrangedora nos minutos iniciais, quando ela presencia a violência pela primeira vez. O que se contrapõe bastante com a cena final, minimalista e interessante com o rosto atriz ocupando o quadro.

Pior ainda é perceber que no clímax da perseguição a Bin Laden, a fotografia do filme, de responsabilidade de Greig Fraser, seja tão escura*, quase sabotando o trabalho. Intricada, tensa e bem dirigida, a invasão é o grande momento pelo qual se espera, entretanto exige paciência e atenção extra para se entender o que se passa, pois a visão é limitada – como o próprio filme.

Nota: 7,5

*Cheguei a imaginar que o problema era a projeção da sala onde estava, mas ficou claro que o problema era o filme nos momentos em que uma pequena luz se acendia ou uma iluminação mínima surgia na sequência final. Nesses pequenos momentos, tudo parecia normal, diferentemente da escuridão que domina trecho da produção.

A Hora Mais Escura

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