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Crítica: Oz – Mágico e Poderoso

ozgreatandpowerful-posterAté pouco tempo atrás, fazer uma refilmagem do clássico O Mágico de Oz era uma possibilidade real – algo, claro, que não tinha muita motivação (além da grana). Mas, felizmente, a ideia não passou de uma errr…. ideia. O que chegou aos cinemas foi  o prequel Oz – Mágico e Poderoso (Oz –  the Great and Powerful, EUA, 2013), produção que diverte o suficiente para ter relação com um dos maiores longas de todos os tempos, mas, como era de se esperar, boa parte da magia que o clássico ganhou durante todos esses anos acaba se perdendo.

Apenas para lembrar, 74 anos separam os dois filmes e os efeitos especiais deixam isso evidente, quando se está diante da nova obra. O diretor Sam Raimi tem uma espécie de “Alice-no-País-das-Maravilhas-TimBurtoniana”, com CGI abundante e uma trama alternativa para uma história conhecida – entretanto, dessa vez o resultado é bom. Tecnicamente, Oz é lindo, com paisagens de sonho e brincadeiras interessantes com o 3D, principalmente na primeira parte, ainda no sépia tirado do original da década de 1930. Enquanto o personagem-título vivido por James Franco está em Kansas, repare, a proporção da tela é 4:3, ou seja, quadrada, como eram filmados todos os longas no início do século passado. Com isso, Raimi aproveita para lançar elementos em cena para além dos limites da tela, como se estivessem se projetando rumo à plateia. Um tipo de truque que As Aventuras de Pi já tinha feito, mas que aqui tem a vantagem de ser mais orgânico pela utilização da aspecto quadrado da imagem naquele momento. Assim, quando Oz, enfim, deixa sua terra e vai parar no mundo mágico, é lindo ver a proporção da tela se expandir para o “costumeiro widescreen” enquanto as cores se revelam.

No entanto é aí que algumas coisas parecem não se encaixar muito bem no roteiro de Mitchell Kapner e David Lindsay-Abaire. Primeiro que a tal terra já tem o nome do protagonista e qual a razão disso? Seriam, talvez, os roteiristas usando a personalidade inflada dele para nomear um lugar onde estivesse em sonho. Se sim, o resto do filme contradiz a teoria ao deixar claro que os personagens vivem, de verdade, tudo o que se passa na narrativa. E esse é o grande problema de Mágico e Poderoso. Se há sete décadas atrás, quando Dorothy volta para Kansas, a dúvida sobre a aventura dela ter sido um grande delírio permanece, aqui não há nada que diga que aquilo que Oz passa não seja real – o que atrapalha até na relação entre Dorothy e a Bruxa Má do Oeste no original.

Kapner e Lindsay-Abaire contrabalanceiam, então, com boas sacadas em relação às histórias das bruxas que circundam Oz, que são as origens de todo o mal que foi visto no clássico de Victor Fleming. E é uma pena que Michelle Williams tenha uma atuação carregada demais na candura, beirando o meloso com seu trejeitos recatados. Ainda sim, é ótimo ter Rachel Weisz e Mila Kunis esbanjando maldade. O que é bom para quebrar o egocentrismo de Oz, sempre com a hilária cara de canastra de Franco, mas que vez ou outra se excede. Ainda que essa característica seja uma aposta do filme para um momento crucial na batalha final. Tudo bem que não vai enganar ninguém, só que naquele ponto você já foi absorvido pela história e se divertiu um bocado.

Nota: 7,5

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