Go ahead, punk. Make my day.

Archive for Maio, 2013

Machete Mata! – E apresentando Carlos Estevez

Você conhece Carlos Estevez? Pois Machete e Robert Rodriguez reapresentam esse velho conhecido da galera no trailer oficial liberado hoje de Machete Mata, continuação  do longa de 2010, que deu ao ótimo Danny Trejo um franquia surrealmente divertida.

A sequência tem ainda Lady Gaga (sim, ela), Michelle Rodriguez, Sofia Vergara, Antonio Banderas e Mel Gibson (sem, ele).


Resumo (20 a 26 mai)

2 Coelhos2 Coelhos* (Idem, 2012). De Afonso Poyart

À primeira vista, o que salta aos olhos do espectador de 2 Coelhos é a caprichada pós-produção, seja nos efeitos visuais, na montagem ou nos retoques da fotografia. Tudo muito estilizado, moderno e ágil. O filme tem aquela pegada publicitária que fez a fama (e as críticas) de Cidade de Deus, mas elevada à décima potência. Não há, porém, a profundidade da crítica social nem o panorama do crescimento do tráfico no Rio de Janeiro que o longa de Fernando Meirelles levantou. Aqui, o diretor e roteirista Afonso Poyart, tem um alvo mais baixo. Ele cria o protagonista, Edgar, com um plano e segue a execução do projeto. É quase ao acaso que esse plano resvala na corrupção e esta se torna um tipo de alvo – se não fosse por um pequeno discurso de determinado personagem sobre o tema e uma fala de Edgar a respeito da fé em punição é provável que a temática passasse batida à maioria. O fato é que o final apoteótico e emocionante (parece inacreditável, mas acredite), mostra que a real vontade da produção é criar um arco esperto, inteligente e humano para um anti-herói. Para isso há um roteiro intrincado, que merece uma segunda passada de olho e a referência direta aos longas de Guy Ritchie – seja nas histórias sobre roubos e outros crimes de rua, seja na velocidade e dinâmica com que a trama se desenvolve, além da fauna de personagens inusitados encontrados na produção. Para fechar as qualidades de 2 Coelhos, há o elenco uniformemente bom, com destaque para protagonista (Fernando Alves Pinto), antagonista (Marat Descartes) e mocinha (Alessandra Negrini). Nota: 8,5

lo-imposible-the-impossibleO Impossível* (Lo imposible, 2012). De Juan Antonio Bayona

Choroso, mas ao mesmo tempo gráfico, esse drama espanhol (que resolveu se fazer com atores britânicos e falado em inglês), conta a história de uma família (Naomi Watts, Ewan McGregor e seus três filhos) que esta na Tailândia durante o desastre causado por uma tsunami em 2004. A trama fala de como a onda gigante separa a família, fere seus entes e se será possível o reencontro. As cenas iniciais de apresentação da família são relativamente bem comuns, falando de medos de voo e mudanças na empresa onde o patriarca trabalha, as quais podem afetar o futuro deles. A identificação é rápida, mas bem rasteira. O que muda quando a tsunami atinge o resort no qual estão. As cenas da inundação são muito bem dirigidas, seguindo o caminho de mãe (Namoi) e o filho mais velho (Tom Holland). Planos abertos e fechados são bem intercalados pela montagem de Elena Ruíz e Bernat Vilaplana, enquanto o cineasta J.A. Bayona (de O Orfanato) coloca sua câmera voando ou ao lado dos personagens, o que destaca o sofrimento particular daquelas pessoas e dá à plateia a dimensão do problema. Gosto ainda da cena em que as palmeiras são arrancadas com o avanço do mar e explode violentamente na invasão do hotel. É ali que você consegue se colocar no lugar daquelas pessoas e perceber que não há pra onde ir. Eles, então, se desencontram e tentam sobreviver. Enquanto isso, há um boa dose de horror com imagens de feridas, hospitais cheios e gente à míngua. Entretanto, não há coisa mais chata e forçada que um reencontro arquitetado com aquelas cenas em que uma pessoa não vê aquela que procura mesmo estando ao lado dela. É o que se passa aqui a certa altura e culmina no momento mais piegas da trama. Chororô recompensado por boas atuações (Naomi e, principalmente, Holland) e outros genuinamente bonitos, como a ajuda do adolescente a encontrar familiares alheios ou o lindo trecho em câmera lenta de Naomi saindo da água, após o pesadelo que passa embaixo d’água. Nota: 7,5

*Filme assistido pela primeira vez


Crítica: A Morte do Demônio

evil-dead-remake-movie-poster-2013A grande sacada do produtor Sam Raimi e do diretor Fede Alvarez, que também escreveu, ao lado de Rodo Syagues, o novo A Morte do Demônio (Evil Dead, EUA, 2013), foi manter a cria original quase intacta, evitando uma refilmagem literal (com já havia adiantado aqui). Mas se há o pró, há o contra, que aqui é não conseguir fugir de alguns clichês – e, claro, ficar sob a sombra do clássico trash de três décadas atrás.

Assumir a “reimaginação” de um clássico exige muito peito ou muita cara de pau. Dessa vez, a primeira opção parece ser a mais certa, uma vez que o quarto longa com a marca Evil Dead, pelo menos, evita o repeteco de sua história na maior parte do tempo – repare no uso do Cadillac que um dia foi de Ash e que aqui parece estar abandonado há anos, o que mostra a passagem do tempo e indica uma continuação e não um remake. A trama deixa de lado o fim de semana de farra de casais e se concentra no processo de desintoxicação de uma jovem viciada em drogas como ponto de partida da história. Para isso, ela e amigos vão para a já famosa cabana no meio de uma floresta, a qual guarda o Livro dos Mortos. Óbvio que ele será achado e a entidade do mal que vive entre as florestas será acordada – e o terror começa.

A Morte do Demônio esquece o lado trash de seus antecessores e abusa da beleza da fotografia, que deixa o ambiente frio o suficiente para criar clima. Ao fazer as coisas mais sérias, o longa surpreende com cenas realmente angustiantes e violentas, a exemplo do pesado do momento do banheiro, que flerta com o chamado torture porn e não faz concessão comercial. O que também se reflete em cenas mais climáticas, como aquela em que, já possuída, Mia (Jane Levy) diz sentir a presença do mal no quarto onde está. Nessa hora o diretor mantém a câmera fechada nos rostos da atriz e de seu interlocutor (Shiloh Fernandez) e quando a montagem corta para um enquadramento mais aberto você tem certeza de que algo vai surgir na tela.

Não que o filme não reserve aquela dose de sangue exagerada característica da franquia. O terceiro ato vai se encarregar de fazer muito bem isso. É pena que a tentativa do roteiro de inverter seu protagonista (no melhor estilo Psicose) faz com que o final se torne um tanto comercial, ao abrir caminho para mais continuações e emular um happy end – além de perder a chance de se fazer desesperançado. Fora que muitas vezes Fede Alvarez não consegue fugir dos velhos clichês de sombras cruzando a tela e sustos fáceis.

No saldo final, é um terror que diverte e tem personalidade, mas que também tem seus defeitos – e desperdício de potencial.

Nota: 7,5

A Morte do Demônio 2013


Curta: Eyrie

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Vencedor do prêmio para estudantes da Academia em 2012, na categoria animação, Eyrie é, ao mesmo tempo, edificante e emocionante.  Fala de um jovem pastor pouco interessado pela responsabilidade – como tantos outros adolescentes -, que aprende uma lição importante.

Até lá, o curta-metragem de David Wolter ganha o espectador por ser singelo e ter uma reviravolta interessante. Além de tudo, tem traços muito bonitos.


Resumo (6 a 19 mai)

intouchables_ver2Intocáveis* (Intouchables, 2011). De Olivier Nakache e Eric Toledano

Essa bacana dramédia francesa vence pelo carisma do roteiro e pela dinâmica dos personagens, principalmente entre os protagonistas, François Cluzet e Omar Sy. Mas tem um único defeito: falta conflito para a trama, o que traz alguns problemas. Há, por exemplo, a falta de ponto de desfecho da história de amizade entre o homem rico e tetraplégico (Cluzet) e seu cuidador (Sy). Isso leva a uma forçada de barra monumental dos diretores/roteiristas Olivier Nakache e Eric Toledano, que lá pelos minutos finais criam um tipo de separação parecida com aquelas vistas incansavelmente em comédia românticas americanas – as quais só indicam que a reconciliação vem aí. No entanto, eles evitam a levada episódica que poderia acontecer no caminho de conhecimento mútuo entre os personagens principais. O que espera a plateia é uma produção de tom leve, que poderia ter pegado mais pesado se quisesse – o que aumentaria a carga dramática e poderia fazer bem ao filme -, mesmo que aqui ou ali inclua uma irresponsabilidade de Sy ou uma falta de jeito para cuidar do patrão quase imóvel, o que gera bons momentos cômicos. Ainda sim, é interessante que a trama não chegue a extremos para arrancar lágrimas da plateia, o efeito esperado pelos autores parece mesmo é a risada ou um fim de sessão com a alma mais arejada. Intocáveis vale a pena e virou queridinho pelo mundo todo. Ninguém entendeu o esquecimento no Oscar. Eu achei interessante, visto que, mesmo muito bom, não se trata de uma obra-prima. Nota: 8

House-at-the-end-of-the-street-posterA Última Casa da Rua* (House at the End of the Street, 2012). De Mark Tonderai

Da mesma linhagem de besteiras como Medo (1996) e Paixão Sem Limites (1993), esse longa é mais um daqueles suspenses que serviria de veículo para um(as) estrel(a) jovem(ns) do Cinema americano. No caso, Jennifer Lawrence faz o papel que nos exemplos citados foram de Reese Witherspoon e Alicia Silverstone respectivamente, na década de 90. E como não era pra ser diferente, se manteve no nível de mediocridade daquelas fitas. A história fala de uma jovem que se mete com o tipo de pessoa errada, enquanto o roteiro tenta esconder a verdadeira intenção de determinado personagem. E tome clichê atrás de clichê – uma mãe preocupada, uma filha desobediente, um personagem secundário que servirá para saciar a sede de maldade do espectador e um susto a mais quando você acha que está tudo resolvido. A trama elaborada por Jonathan Mostow e roteirizada por David Loucka até tenta ser relevante, incluindo mistérios e reviravoltas sobre a morte de um casal na tal casa do título, no entanto não convence que estamos diante de mais do mesmo. Pena que  Jennifer, talvez no ímpeto de não perder o ritmo de filmagens dos projetos oferecidos a ela, tenha se enganado com esse veículo que não a leva muito longe. Ainda mais depois de se destacar em filmes como Inverno da Alma, Um Novo Despertar e X-Men – Primeira Classe. Detalhe: ela venceu ao Oscar de Melhor Atriz por outra produção de 2012, O Lado Bom da Vida. Sabiamente a Academia ignorou o tropeço de Lawrence. Nota: 4

Evil-Dead-1The Evil Dead – A Morte do Demônio (The Evil Dead, 1981). De Sam Raimi

Sam Raimi mostrou serviço em seu terror trash mais famoso. Um fiapo de roteiro, algo ainda menor de grana para fazer o filme, mas uma criatividade ímpar para criar um clássico absoluto. Direção, fotografia e direção de arte são os grandes responsáveis pelo sucesso do filme. Raimi põe sua câmera em movimento pela floresta para representar os tais espíritos do mal, ao invés de criar um tipo de criatura – virou um clássico, com árvores derrubadas e um som estranho acompanhando o deslocamento. Depois, os planos-detalhe do cineasta, cortados com precisão, se tornaram uma marca registrada vista até mesmo nos blockbusters dirigidos por Raimi, como em Homem-Aranha 2 – lembra da cena do despertar de Dr. Octopus?. Fora que nada dá mais clima de terror que a cena de abertura, na qual o velho Cadillac com os jovens se aproxima da cabana onde o terror se esconde e a câmera o acompanha do alto. Quer dizer, nada além da fotografia tosqueira que o orçamento baixo proporciona ao longa. A iluminação baixa cria clima e junto com o ambiente velho e mal acabado da cabana são os toques finais para que a fita seja claustrofóbica enquanto tenta assustar (e consegue) em meio a risos. Nota: 9

evil-dead-2Uma Noite Alucinante (The Evil Dead II, 1987). De Sam Raimi

Com mais grana e mais respeito, Sam Raimi repagina o Evil Dead original e cria uma continuação meio que alternativa aos acontecimentos vistos anteriormente. Com grana sobrando, ele deixa a loucura correr solta e transforma o clássica trash em um terrir fenomenal – e outra vez criativo. A rapidez com que os primeiros minutos conduzem o personagem Ash ao inferno novamente é vertiginosa, mas faz um bom resumo para quem tem contato com a história pela primeira vez – já que, para muitos, A Morte do Demônio era um tanto obscuro, mesmo na época. O que vem a seguir são mais zumbis, uma mão que ataca o próprio dono, sangue falso (e até colorido) e Bruce Campbell canastra, mas a mil por hora como nunca mais esteve na vida. O tom de comédia mais acentuado não tira algumas boas doses de terror como a namorada risonha dos infernos de Ash ou a agonizante perseguição do personagem pela câmera subjetiva que representa a entidade que assombra a cabana. A situação do protagonista toma tal dimensão, que é surpreendente o fato do longa não se perder em seu crescimento e nível de liberdade criativa em relação ao original. Raimi acerta novamente. Nota: 9

*Filme assistido pela primeira vez


Zombies n’ Guns – Curta de terror em GIF

zombies


Há alguns anos… – Os Sutherland

Família

Donald Kiefer SutherlandDonald e Kiefer Sutherland, pai e filho, em algum momento entre o fim da década de 60 e o início da década de 70