Go ahead, punk. Make my day.

Crítica: Mama

MamaAté chegar a Hollywood, o argentino Andrés Muschietti tinha no “currículo oficial” apenas dois curtas. O segundo deles, o arrepiante Mamá, de 2008, traçou um novo rumo para o cineasta. A convite de Guillermo Del Toro, adaptou o conto de terror para longa-metragem e estreou recentemente nos cinemas mundiais com Mama (Idem, Espanha/Canadá, 2013). Não é possível dizer que foi a melhor das estreias, assim como não é possível dizer que se trata de um filme ruim.

Muschietti  é criativo e sabe usar o ambiente a favor de seu filme e junto do seu diretor de fotografia Antonio Riestra abre a produção com imagem azulada e em clima gélido para criar uma ambientação opressora. A história começa com um pai surtado que acaba de matar sócios e esposa e foge com as duas filhas por uma estrada coberta de neve até sofrer um acidente próximo de uma cabana. Lá, novamente, Muschietti e  Riestra dão outra amostra de seus talentos ao usar a escuridão e o desfoque da imagem organicamente ligadas à trama. A partir dali seguimos a história das crianças, que serão criadas por uma entidade, a Mama do título, e achadas pelos tios, 5 anos após o acidente.

Mas desde aquele início há alguns detalhes que incomodam. A começar pelo uso exagerado de efeitos visuais, por exemplo, na concepção do veículo que se acidenta. E continua nos inúmeros clichês e sustos fáceis que o diretor arma durante o filme – seja uma sombra que corta a tela ou uma aparição sinistra acompanhada com acordes altíssimos da trilha sonora que não acrescentam nada ao filme. Além do mais, convenhamos, ver uma cena em que um ambiente é iluminado por luzes intermitentes – aqui há flashes de uma câmera fotográfica – já perdeu o impacto. O que contrasta muito com outros momentos inspirados, a exemplo daquele em que uma câmera fixa capta a movimentação num corredor da casa e no quarto das crianças. De um lado está a brincadeira descontraída de uma das meninas e do outro a tia delas, vivida por Jessica Chastain, anda pelo corredor até que se descobre a companhia da criança no quarto. Típica cena na qual o sorriso acontece um tanto nervoso.

Por falar em Jessica Chastain, os contrastes do roteiro também são grandes, principalmente na construção dos personagens. Se de um lado existe o cuidado de criar personalidades complexas para as crianças, a plateia terá dificuldade de identificação com a importante peça no filme que é Jessica. As meninas ganham um ar animalesco com o passar dos anos longe da civilização, o que ajuda até mesmo na criação de cenas medonhas, como quando são encontradas na floresta e no andar da mais jovem pela casa. Entretanto, a tia delas inicia o longa como um entediado ser humano cheio de gracinhas e que agradece por não estar grávida. Era para ela ter um grande arco maternal, mas que, no fim das contas, se torna apenas uma convenção do roteiro. Exceto por uma solitária cena boa entre Chastain e as meninas, a afeição que começa existir ali não tem justificativa plausível. Muschietti até tenta cria-la em closes na atriz, mas é difícil achar verdade naquilo. Ficam escancarados os propósitos da contratação de Jessica, que deveria se conectar rapidamente (e mercadologicamente) com a plateia por meio de sua fama recente, só que esqueceram de fazer um personagem do qual o pessoal da poltrona pudesse gostar e não achar um porre. A pergunta que fica é: por qual motivo as meninas deveriam estar com ela e não com a Mama, com a qual se dão bem?

O desfecho de Mama, então, fica encarregado de salvar a produção. Emotivo e com certa dose de beleza, peca por se estender um pouco além da conta e por, de novo, usar em demasia efeitos visuais (qual o problema em usar maquiagem?). Entretanto, maldade e lirismo se contrabalanceiam e  chegam a emular um tipo de final feliz – que aqui não cai tão mal.

Nota: 7

Mama Jessica Chastain

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