Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (15 abr a 6 mai)

take shelterO Abrigo* (Take Shelter, 2011). De Jeff Nichols

Irmão paranoico de obras como O Suspeito da Rua Arlington e Possuídos (o qual também tem no elenco Michael Shannon), aqui há um filme quase contemplativo sobre a descida de um homem a um tipo de inferno mental o qual não consegue combater ou compartilhar. Desde a primeira cena há algo de errado com Curtis (Shannon), quando o flagramos fitando uma tempestade oleosa que o encharca. Logo ele terá mais sonhos estranhos e aterrorizantes, que o minam e o fazem se isolar. Primeiro vêm cercas para seu cachorro, depois “abismos” para pessoas muito próximas. Enquanto isso, uma força obsessiva o faz ampliar (a qualquer custo) seu abrigo contra desastres naturais. Obviamente a paranoia do protagonista ganha corpo, mas o que chama a atenção é que o diretor e roteirista Jeff Nichols não está disposto a extrapolar os limites da realidade e da loucura, deixando bem claro quando seu personagem passa por uma alucinação e quando vive um momento de sanidade. O que não afasta a constante sensação de estranheza que permeia a trama. Muito disso vem do sofrimento de Curtis, que em determinado momento sonha com a esposa (Jessica Chastain) e pede para que ela não o ataque, pois de alguma forma, ela representa seu último refúgio – ainda que não consiga se abrir nem com a esposa. Como nos melhores filmes sobre loucura, a dúvida sempre paira a história e o drama que surge dali faz de O Abrigo um filme sem grandes arroubos, o que gera, na única cena mais intensa, sentimento genuíno e palpável, quando a família se fecha no tal abrigo. E não é bom falar muito que é para não estragar o que o roteiro simples e eficiente desse longa. Nota: 8,5

basketball diariesDiário de um Adolescente (The Basketball Diaries, 1995). De Scott Kalvert

Leonardo DiCaprio, Mark Wahlberg, um tema polêmico, a biografia de um artista cult (Jim Carroll) e uma direção antenada com aquilo que a MTV trazia de melhor em sua manipulação de imagem e criação de estilo. Seria difícil Diário de um Adolescente não dar certo. Pois todos os elementos se fundiram muito bem, principalmente na não suavização da história, que inclui drogas, prostituição e toda uma geração que vai direto ao fundo do abismo pela delinquência e (incrível!) inocência. DiCaprio e  Wahlberg, com sua juventude hollywoodiana, (bonita e alva) são símbolos perfeitos de uma mentalidade que acha estar acima de qualquer problema ou que simplesmente não está a fim de amadurecer – ou mais: não tem consciência da necessidade se tornar um adulto. A adolescência, no entanto, é perdida para as drogas. Uns se salvam. Outros se perdem. Enquanto isso, Scott Kalvert filma tudo em tom de clipe e deixa a montagem, elegante e cheia de fades de Dana Congdon, guiar seu filme, que se tornou um tipo de símbolo para quem passava pela puberdade na mesma época. Fato explicado pela grande estilização e pela forma ousada com a qual o filme é conduzido – cenas de felação, uso de drogas e tiros de escopeta em sala de aula. Distante alguns anos das primeiras vezes que vi o longa (e da adolescência), digo que o documento que Diário de um Adolescente deveria ser, não tem a mesma força, ainda que o tenha assistido, dessa vez, como uma produção um tanto mais triste e de esperança relativa, afinal, nem todos se salvam e os que sobram nem sempre reservam um esforço para trazer alguém de volta à tona. Nota: 8

*Filme assistido pela primeira vez

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