Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (6 a 19 mai)

intouchables_ver2Intocáveis* (Intouchables, 2011). De Olivier Nakache e Eric Toledano

Essa bacana dramédia francesa vence pelo carisma do roteiro e pela dinâmica dos personagens, principalmente entre os protagonistas, François Cluzet e Omar Sy. Mas tem um único defeito: falta conflito para a trama, o que traz alguns problemas. Há, por exemplo, a falta de ponto de desfecho da história de amizade entre o homem rico e tetraplégico (Cluzet) e seu cuidador (Sy). Isso leva a uma forçada de barra monumental dos diretores/roteiristas Olivier Nakache e Eric Toledano, que lá pelos minutos finais criam um tipo de separação parecida com aquelas vistas incansavelmente em comédia românticas americanas – as quais só indicam que a reconciliação vem aí. No entanto, eles evitam a levada episódica que poderia acontecer no caminho de conhecimento mútuo entre os personagens principais. O que espera a plateia é uma produção de tom leve, que poderia ter pegado mais pesado se quisesse – o que aumentaria a carga dramática e poderia fazer bem ao filme -, mesmo que aqui ou ali inclua uma irresponsabilidade de Sy ou uma falta de jeito para cuidar do patrão quase imóvel, o que gera bons momentos cômicos. Ainda sim, é interessante que a trama não chegue a extremos para arrancar lágrimas da plateia, o efeito esperado pelos autores parece mesmo é a risada ou um fim de sessão com a alma mais arejada. Intocáveis vale a pena e virou queridinho pelo mundo todo. Ninguém entendeu o esquecimento no Oscar. Eu achei interessante, visto que, mesmo muito bom, não se trata de uma obra-prima. Nota: 8

House-at-the-end-of-the-street-posterA Última Casa da Rua* (House at the End of the Street, 2012). De Mark Tonderai

Da mesma linhagem de besteiras como Medo (1996) e Paixão Sem Limites (1993), esse longa é mais um daqueles suspenses que serviria de veículo para um(as) estrel(a) jovem(ns) do Cinema americano. No caso, Jennifer Lawrence faz o papel que nos exemplos citados foram de Reese Witherspoon e Alicia Silverstone respectivamente, na década de 90. E como não era pra ser diferente, se manteve no nível de mediocridade daquelas fitas. A história fala de uma jovem que se mete com o tipo de pessoa errada, enquanto o roteiro tenta esconder a verdadeira intenção de determinado personagem. E tome clichê atrás de clichê – uma mãe preocupada, uma filha desobediente, um personagem secundário que servirá para saciar a sede de maldade do espectador e um susto a mais quando você acha que está tudo resolvido. A trama elaborada por Jonathan Mostow e roteirizada por David Loucka até tenta ser relevante, incluindo mistérios e reviravoltas sobre a morte de um casal na tal casa do título, no entanto não convence que estamos diante de mais do mesmo. Pena que  Jennifer, talvez no ímpeto de não perder o ritmo de filmagens dos projetos oferecidos a ela, tenha se enganado com esse veículo que não a leva muito longe. Ainda mais depois de se destacar em filmes como Inverno da Alma, Um Novo Despertar e X-Men – Primeira Classe. Detalhe: ela venceu ao Oscar de Melhor Atriz por outra produção de 2012, O Lado Bom da Vida. Sabiamente a Academia ignorou o tropeço de Lawrence. Nota: 4

Evil-Dead-1The Evil Dead – A Morte do Demônio (The Evil Dead, 1981). De Sam Raimi

Sam Raimi mostrou serviço em seu terror trash mais famoso. Um fiapo de roteiro, algo ainda menor de grana para fazer o filme, mas uma criatividade ímpar para criar um clássico absoluto. Direção, fotografia e direção de arte são os grandes responsáveis pelo sucesso do filme. Raimi põe sua câmera em movimento pela floresta para representar os tais espíritos do mal, ao invés de criar um tipo de criatura – virou um clássico, com árvores derrubadas e um som estranho acompanhando o deslocamento. Depois, os planos-detalhe do cineasta, cortados com precisão, se tornaram uma marca registrada vista até mesmo nos blockbusters dirigidos por Raimi, como em Homem-Aranha 2 – lembra da cena do despertar de Dr. Octopus?. Fora que nada dá mais clima de terror que a cena de abertura, na qual o velho Cadillac com os jovens se aproxima da cabana onde o terror se esconde e a câmera o acompanha do alto. Quer dizer, nada além da fotografia tosqueira que o orçamento baixo proporciona ao longa. A iluminação baixa cria clima e junto com o ambiente velho e mal acabado da cabana são os toques finais para que a fita seja claustrofóbica enquanto tenta assustar (e consegue) em meio a risos. Nota: 9

evil-dead-2Uma Noite Alucinante (The Evil Dead II, 1987). De Sam Raimi

Com mais grana e mais respeito, Sam Raimi repagina o Evil Dead original e cria uma continuação meio que alternativa aos acontecimentos vistos anteriormente. Com grana sobrando, ele deixa a loucura correr solta e transforma o clássica trash em um terrir fenomenal – e outra vez criativo. A rapidez com que os primeiros minutos conduzem o personagem Ash ao inferno novamente é vertiginosa, mas faz um bom resumo para quem tem contato com a história pela primeira vez – já que, para muitos, A Morte do Demônio era um tanto obscuro, mesmo na época. O que vem a seguir são mais zumbis, uma mão que ataca o próprio dono, sangue falso (e até colorido) e Bruce Campbell canastra, mas a mil por hora como nunca mais esteve na vida. O tom de comédia mais acentuado não tira algumas boas doses de terror como a namorada risonha dos infernos de Ash ou a agonizante perseguição do personagem pela câmera subjetiva que representa a entidade que assombra a cabana. A situação do protagonista toma tal dimensão, que é surpreendente o fato do longa não se perder em seu crescimento e nível de liberdade criativa em relação ao original. Raimi acerta novamente. Nota: 9

*Filme assistido pela primeira vez

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