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Crítica: A Morte do Demônio

evil-dead-remake-movie-poster-2013A grande sacada do produtor Sam Raimi e do diretor Fede Alvarez, que também escreveu, ao lado de Rodo Syagues, o novo A Morte do Demônio (Evil Dead, EUA, 2013), foi manter a cria original quase intacta, evitando uma refilmagem literal (com já havia adiantado aqui). Mas se há o pró, há o contra, que aqui é não conseguir fugir de alguns clichês – e, claro, ficar sob a sombra do clássico trash de três décadas atrás.

Assumir a “reimaginação” de um clássico exige muito peito ou muita cara de pau. Dessa vez, a primeira opção parece ser a mais certa, uma vez que o quarto longa com a marca Evil Dead, pelo menos, evita o repeteco de sua história na maior parte do tempo – repare no uso do Cadillac que um dia foi de Ash e que aqui parece estar abandonado há anos, o que mostra a passagem do tempo e indica uma continuação e não um remake. A trama deixa de lado o fim de semana de farra de casais e se concentra no processo de desintoxicação de uma jovem viciada em drogas como ponto de partida da história. Para isso, ela e amigos vão para a já famosa cabana no meio de uma floresta, a qual guarda o Livro dos Mortos. Óbvio que ele será achado e a entidade do mal que vive entre as florestas será acordada – e o terror começa.

A Morte do Demônio esquece o lado trash de seus antecessores e abusa da beleza da fotografia, que deixa o ambiente frio o suficiente para criar clima. Ao fazer as coisas mais sérias, o longa surpreende com cenas realmente angustiantes e violentas, a exemplo do pesado do momento do banheiro, que flerta com o chamado torture porn e não faz concessão comercial. O que também se reflete em cenas mais climáticas, como aquela em que, já possuída, Mia (Jane Levy) diz sentir a presença do mal no quarto onde está. Nessa hora o diretor mantém a câmera fechada nos rostos da atriz e de seu interlocutor (Shiloh Fernandez) e quando a montagem corta para um enquadramento mais aberto você tem certeza de que algo vai surgir na tela.

Não que o filme não reserve aquela dose de sangue exagerada característica da franquia. O terceiro ato vai se encarregar de fazer muito bem isso. É pena que a tentativa do roteiro de inverter seu protagonista (no melhor estilo Psicose) faz com que o final se torne um tanto comercial, ao abrir caminho para mais continuações e emular um happy end – além de perder a chance de se fazer desesperançado. Fora que muitas vezes Fede Alvarez não consegue fugir dos velhos clichês de sombras cruzando a tela e sustos fáceis.

No saldo final, é um terror que diverte e tem personalidade, mas que também tem seus defeitos – e desperdício de potencial.

Nota: 7,5

A Morte do Demônio 2013

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