Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (20 a 26 mai)

2 Coelhos2 Coelhos* (Idem, 2012). De Afonso Poyart

À primeira vista, o que salta aos olhos do espectador de 2 Coelhos é a caprichada pós-produção, seja nos efeitos visuais, na montagem ou nos retoques da fotografia. Tudo muito estilizado, moderno e ágil. O filme tem aquela pegada publicitária que fez a fama (e as críticas) de Cidade de Deus, mas elevada à décima potência. Não há, porém, a profundidade da crítica social nem o panorama do crescimento do tráfico no Rio de Janeiro que o longa de Fernando Meirelles levantou. Aqui, o diretor e roteirista Afonso Poyart, tem um alvo mais baixo. Ele cria o protagonista, Edgar, com um plano e segue a execução do projeto. É quase ao acaso que esse plano resvala na corrupção e esta se torna um tipo de alvo – se não fosse por um pequeno discurso de determinado personagem sobre o tema e uma fala de Edgar a respeito da fé em punição é provável que a temática passasse batida à maioria. O fato é que o final apoteótico e emocionante (parece inacreditável, mas acredite), mostra que a real vontade da produção é criar um arco esperto, inteligente e humano para um anti-herói. Para isso há um roteiro intrincado, que merece uma segunda passada de olho e a referência direta aos longas de Guy Ritchie – seja nas histórias sobre roubos e outros crimes de rua, seja na velocidade e dinâmica com que a trama se desenvolve, além da fauna de personagens inusitados encontrados na produção. Para fechar as qualidades de 2 Coelhos, há o elenco uniformemente bom, com destaque para protagonista (Fernando Alves Pinto), antagonista (Marat Descartes) e mocinha (Alessandra Negrini). Nota: 8,5

lo-imposible-the-impossibleO Impossível* (Lo imposible, 2012). De Juan Antonio Bayona

Choroso, mas ao mesmo tempo gráfico, esse drama espanhol (que resolveu se fazer com atores britânicos e falado em inglês), conta a história de uma família (Naomi Watts, Ewan McGregor e seus três filhos) que esta na Tailândia durante o desastre causado por uma tsunami em 2004. A trama fala de como a onda gigante separa a família, fere seus entes e se será possível o reencontro. As cenas iniciais de apresentação da família são relativamente bem comuns, falando de medos de voo e mudanças na empresa onde o patriarca trabalha, as quais podem afetar o futuro deles. A identificação é rápida, mas bem rasteira. O que muda quando a tsunami atinge o resort no qual estão. As cenas da inundação são muito bem dirigidas, seguindo o caminho de mãe (Namoi) e o filho mais velho (Tom Holland). Planos abertos e fechados são bem intercalados pela montagem de Elena Ruíz e Bernat Vilaplana, enquanto o cineasta J.A. Bayona (de O Orfanato) coloca sua câmera voando ou ao lado dos personagens, o que destaca o sofrimento particular daquelas pessoas e dá à plateia a dimensão do problema. Gosto ainda da cena em que as palmeiras são arrancadas com o avanço do mar e explode violentamente na invasão do hotel. É ali que você consegue se colocar no lugar daquelas pessoas e perceber que não há pra onde ir. Eles, então, se desencontram e tentam sobreviver. Enquanto isso, há um boa dose de horror com imagens de feridas, hospitais cheios e gente à míngua. Entretanto, não há coisa mais chata e forçada que um reencontro arquitetado com aquelas cenas em que uma pessoa não vê aquela que procura mesmo estando ao lado dela. É o que se passa aqui a certa altura e culmina no momento mais piegas da trama. Chororô recompensado por boas atuações (Naomi e, principalmente, Holland) e outros genuinamente bonitos, como a ajuda do adolescente a encontrar familiares alheios ou o lindo trecho em câmera lenta de Naomi saindo da água, após o pesadelo que passa embaixo d’água. Nota: 7,5

*Filme assistido pela primeira vez

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