Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (27 mai a 2 jun)

Hotaru_Haka1Túmulo dos Vaga-Lumes (Hotaru No Haka/Grave of the Fireflies, 1988). De Isao Takahata

O desafio ao assistir a esse drama é segurar as lágrimas, tamanha a proximidade que o diretor consegue criar entre seus personagens e a plateia. E ele pega pesado. A trama sobre um casal de irmãos – Seita adolescente e Setsuko com idade entre 3 e 5 anos – que enfrenta a destruição do Japão durante a 2ª Guera Mundial não poupa sofrimento. Primeiro eles perdem a mãe, depois sofrem com a rebeldia jovem contra a racionalidade severa da tia e, por fim, vão parar em um abrigo improvisado ao lado de um lago. Poderia ter sido um drama daqueles forçados para arrancar o choro do espectador, mas ele se constrói com momentos genuinamente felizes, ainda que não dê muitos motivos para seus protagonistas. Mas é difícil resistir à alegria ingênua de ambos ao nadarem no mar e surgir um siri ou quando o irmão dá uma bala de fruta à pequena ou à cantoria ao voltarem para a casa da tia com seus utensílios novos (incluindo um guarda-chuva furado) em meio à tempestade. Nada que chegue aos pés, porém, do lirismo da cena em que, já no abrigo, Seita e Setsuko passam a caçar vaga-lumes e iluminam seu dormitório. É dali que sai a frase que define a melancolia da guerra frente às vidas ceifadas por ela: “por que os vaga-lumes morem tão cedo?”. O brilho da produção, no entanto, está em saber buscar o que de mais humano há naquela relação em que a responsabilidade bate forçadamente à porta de dois jovens que não têm muito rumo e lhes falta maturidade para lidar com um conflito armado. Depois de quase 90 minutos, já destruída de paixão pelos personagens, a plateia chega ao desfecho para que lhes seja arrancada aquele amor da maneira mais dolorida. O que contrasta com a linda e reminiscente sequência ao som “Home Sweet Home”, de Amelita Galli-Curci, cheia de imagens que servem para emocionar de vez e sublinhar o que de mais importante uma guerra pode nos tomar. Lindo em sua mensagem e humanidade e forte em suas imagens de destruição, Túmulo dos Vaga-Lumes é o tipo de filme que deveria ser exibido obrigatoriamente em qualquer lugar do mundo como libelo pacifista e como Cinema com C maiúsculo. Nota: 10

v-for-vendetta-poster2V de Vingança (V for Vendetta, 2005). De James McTeigue

Eis um filme que serve muitíssimo bem ao momento pelo qual passa o Brasil, com seus líderes conservadores ganhando mais e mais espaço por meio de um discurso que não tem diferença alguma daqueles feitos pelo pegajoso e narcisista Prothero. Um personagem interpretado por Roger Allam com o vigor e o ódio necessários para se igualar às suas versões reais dentro de nossos plenários e templos. Pois aqui a Inglaterra vive sob um regime totalitário e uma de suas crias vai desafiar “o sistema”. Trata-se de V, um personagem de passado obscuro que se junta à confusa, mas incomodada Evey para cumprir a tal missão. Vez ou outra Hollywood tem coragem de dar vida a obras com mensagens críticas (ainda que fature bem com isso), que, no caso de V de Vingança é suficientemente polêmica de lançar mão de um protagonista terrorista apenas 4 anos após o 11 de Setembro. Pode parecer desrespeito, mas a crítica que hoje nos serve era muito apropriada à devassa estadunidense da época. Um país acuado pelo inimigo, mas que avançava sobre a liberdade da população. Uma das melhores adaptações de histórias em quadrinhos para o Cinema, V de Vingança, injustamente foi negado pelo próprio criador, Alan Moore, que odeia qualquer transposição de suas obras para a tela grande, independentemente de sua qualidade. Essa poderia ser a exceção depois de ver trabalhos seus como A Liga de Cavalheiros Extraordinários serem afundados em um filme de ação besta. Nota: 9

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