Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (3 a 9 jun)

american_beautyBeleza Americana (American Beauty, 1999). De Sam Mendes

Não é fácil ver um filme funcionar tão bem quanto esse drama permeado de comédia e maldade. Crítico, ácido, existencialista, plasticamente lindo, cinematograficamente poderoso. Parece exagero atribuir tantos adjetivos à estreia de Sam Mendes no Cinema, mas é só assistir à metamorfose do personagem Lester Burnham (Kevin Spacey) para entender que Beleza Americana não poderia colocar um pé sequer fora do caminho que percorreu. O filme começa com a triste constatação que a vida de aparências de uma família média americana se transformou numa comédia melancólica e embaraçosa, na qual o único grande momento da vida do protagonista é a masturbação no chuveiro pela manhã. Quando a amiga da filha aparece em sua vida, porém, as coisas mudam, a esposa dele passa a ser apenas mais uma escolha errada em sua existência, o trabalho se transforma em fonte de chantagem e os discos do Bob Dylan da adolescência saem da prateleira para embalar o baseado durante a musculação. Cortesia do vizinho esquisitão que namora a filha de Lester e tem um pai militar autoritário e violento. Enfim, um fauna inacreditável de personagens que rodeiam aquele homem, cuja única derrota em todo esse trajeto de mudança é o distanciamento da filha, retratado de maneira tocante por Mendes e pelo roteirista Alan Ball, que constantemente dão pequenas amostras da vontade dele em se aproximar de Jane (Thora Birch). Mas não há nada de normal ou comum na produção, nem a beleza descomunal de cenas como aquela em que Lester vê a ninfeta de seus sonhos no teto coberta de rosas ou a exótica dança do sacola plástica que hipnotiza e guarda um dos belos monólogos do longa – “Há tanta beleza no mundo…”. E depois de levar a plateia em uma montanha russa de ironia e depressão, Beleza Americana te deixa com o bizarro final feliz de libertação e nostalgia que pode, inclusive, te emocionar. Não vá se esquecer de ficar de olho na atuação de ombros arqueados e olhar cansado de Spacey, que logo se torna um cara livre de um tipo de peso e que tem quase total controle sobre sua vida. Nota: 10

fridaFrida (Idem, 2002). De Julie Taymor

A beleza estética desse filme se confunde com a forma respeitosa com a qual ele trata a história de Frida Kahlo, uma das mais importantes artistas do México de todos os tempos. Não, o filme não se torna reverente, mas consegue mostrar a trajetória da pintora com todas as dificuldades e ainda encaixar fusões de telas de Frida com cenários reais e os atores em cena. Só vendo para entender como a diretora Julie Taymor foi feliz nessas criações – com elas cria um dos desfechos mais lindos que já vi no Cinema, ao som da bela canção-tema “Burn It Blue”, interpretada por Caetano Veloso e Lila Downs. OK, o longa dá uma suavizada na protagonista, com sua nada atraente monocelha e o buço por fazer, além de evitar, em muitos momentos, o problema na perna que a fazia mancar. Tudo bem, se a estilização às vezes vai além do que devia, o sentimento de proximidade conseguido pela produção à protagonista é genuíno, sempre mostrando a força e as provações da vida que fizeram temas para suas telas “surrealistas” – sim, aspas, afinal, de contas grande parte daquilo que vemos pintado parece mesmo algo expressionista, tamanho o sentido desesperador passado pelas obras. A interpretação viva Salma Hayek na pele da artista também colabora muito para a vitória do projeto, que ainda tem um Alfred Molina em estado de graça na pele de Diego Rivera. Diria se tratar de uma cinebiografia “estilizadamente” real. Nota: 8

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