Go ahead, punk. Make my day.

Archive for Julho, 2013

Resumo (22 a 28 jul)

COBRA POSTERCobra (Idem, 1986). De George P. Cosmatos

Típico filme de nicho, Cobra não foi feito para qualquer um, ainda que não seja profundo. Ele é quase um tipo de avô de longas como Mandando Bala e Adrenalina, mas sem a comicidade. Sabe aquele tio-avô sério que muitas famílias têm? Antes de Jason Statham sair correndo para evitar que seu coração pare, o policial durão vivido por Sylvester Stallone era estilo + ação em uma equação que ainda inclui aquele tipo de romance brega e pegajoso, mas que no final temos um fita muito bem resolvida no que quer oferecer à plateia. Cobrando, claro, que ela esqueça as noções de realidade do lado de fora da sala de cinema ou de sua casa. A cena de abertura do filme é uma obra-prima oitentista que tem uma das maiores concentrações de frases de efeito por minuto de filme da história do Cinema – “Você é a doença. Eu sou a cura” é só a mais famosa. Nela fica bem estabelecido tudo o que vai acontecer dali para frente: desde o sarcasmo do protagonista à vilania bizarra que ele enfrentará, passando pelos métodos violentos (mas bem intencionados) de Cobra. Dali para frente serão estabelecidas as bases da trama e as investigações começam a rolar. Não adianta nem questionar a confusão temporal que o roteiro do próprio Stallone arranja entre a mocinha do filme passar pelos vilões e ser atacada depois de um ensaio fotográfico – alguém me explica quantas horas dura aquela noite? -. O filme vai além disso, aliás, nem se importa com isso, visto que o objetivo aqui é desenvolver o personagem-título por meio de seus feitos com uma arma, branca ou de fogo. Quando foi lançado, Cobra foi acusado de abusar da violência e incitar a chamada “justiça com as próprias mãos”, só que em tempos de Capitão Nascimento, Marion Cobretti (o verdadeiro nome) parece até um senhor de família com seus óculos espelhados e o palito de fósforos da boca. Como eu disse, estilo + ação = relaxa. Belas cenas noturnas urbanas, cortesia da fotografia de Ric Waite. Nota: 8


Clipando – Drew Barrymore

Drew-Barrymore

A ligação de Drew Barrymore com a música sempre foi forte (chegou a namorar o vocalista do Black Crowes) e repare como ela é sempre a mais rocker em As Panteras. Mas Drew foi além e pôs a mão na massa para o grupo indie Best Coast, há dois anos.

O clipe dirigido por ela tem aquele tom estiloso que faz parte do estilo, dos figurinos à ambientação underground de passarela. E mais: tem a belinha Chloe Moretz como protagonista e a participação de Miranda Cosgrove.

A historinha do filme envolve um Romeu & Julieta entre duas gangues que se separam pelo dia e pela noite. O final inesperado e dramático fecha bem o vídeo sem o tom açucarado que o permeia.

Então, o Clipando da vez traz “Our Deal” pelo olhar de Barrymore.

 


Há alguns anos… – David Lynch

Os Lynch: pai e filha (antes de encaixotar Helena)

David-Lynch-with-Jennifer-EraserheadDavid e Jennifer Lynch em momento família nos intervalos das filmagens de Eraserhead (1977)


Resumo (15 a 21 jul)

looperLooper – Assassinos do Futuro* (Looper, 2012). De Rian Johnson

É bom sermos surpreendidos por um filme como eu fui por Looper. Conhecia muitos aspectos da ficção-científica de Rian Johnson, que até aqui escreveu e dirigiu seus três longas-metragens. Esse me parece ser o mais ambicioso, que pretende (e consegue) misturar (bem) gêneros: além do sci-fi, ação e aquela pitada de drama que dá um toque especial para a trama. Um cruzamento de parte da história de Exterminador do Futuro com Akira, a produção trata de assassinos que são pagos para matarem pessoas mandadas do futuro, cujas vítimas são escolhidas pela máfia que contrata os assassinos. Claro que haverá problemas quando se descobre que esses mesmos algozes terão que se matar, também mandados do futuro, após alguns 30 anos de serviço. Um dessas pessoas é Joe, interpretado por Joseph Gordon-Levitt (jovem) e Bruce Willis (velho). O importante a dizer aqui, sem estragar as boas surpresas que me foram apresentadas, é que o filme é extremamente bem dirigido e tem um roteiro corajoso – ainda que deixe exposta algumas costuras dos gêneros. O grande problema é a sensação de que o “elemento Akira” de Looper seja inserido em uma história que parece ter sido criada anteriormente. Mas é só uma sensação, pois, ao final, o que se tem é a tentativa de guardar esse aspecto para a hora certa. Consegue com certos tropeços, mas consegue. O drama entra como um tipo de sacrifício de Willis por seu futuro e a relação entre Emily Blunt, Levitt e o pequeno e talentoso Pierce Gagnon. A boa direção de Johnson chama a atenção por movimentos de câmeras estilosos, como na queda de Levitt em determinado momento, ou a mise-en-scène das duas vezes em que o jovem Joe precisa atirar no velho Joe – especialmente na segunda, sem cortes e vista de longe. Repare ainda na ótima maquiagem feita em Joseph Gordon para que ele fique muito (mas muito) parecido com Bruce Willis. Nota: 8,5

*Filme assistido pela primeira vez


Morre Ionei Silva, dublador do Mestre dos Magos

Ionei Silva

*por Adreana Oliveira

para Jornal Correio de Uberlândia

Ionei Silva

Morreu na madrugada desta segunda-feira (22), em Uberlândia, o dublador Ionei Silva. Ele tinha 71 anos. Segundo a viúva do dublador, Selda Galvão Silva, ele teve um problema na visícula, fez uma cirurgia há aproximadamente três semanas mas não se recuperou bem. “Havia uma semana que ele estava no hospital e surgiram algumas infecções. Ele teve inclusive pneumonia”, afirmou a viúva, que esteve ao lado dele o tempo todo. Apesar de ter uma família grande em Uberlândia, o casal não teve filhos. O corpo de Ionei Silva é velado ontem na funerária Ângelo Cunha e sepultado às 14h no cemitério São Pedro.

Natural de Uberlândia, Ionei Silva foi o primeiro diretor de dublagem com carteira assinada do Brasil. Aos 10 anos de idade ele venceu um concurso para apresentar um programa infantil na rádio Difusora, em Uberlândia. O programa durou dois anos e, desde então, ele sabia que trabalharia com a voz: queria ser ator ou cantor.

Antes de conseguir se estabelecer como dublador em São Paulo trabalhou como tintureiro, feirante e vendedor de enciclopédias.

Porém, a perseverança rendeu frutos. Ionei Silva foi contratado pela Herbert Richers, o então principal estúdio de dublagem do Brasil, e por lá dublou os grandes personagens da carreira entre 1974 e 1996.

“Vivi tudo o que quis, trabalhei muito com amor, mas já foi. Não me arrependo de nada, mas não vivo de saudosismo”, disse Ionei Silva em entrevista ao CORREIO de Uberlândia, publicada em novembro de 2009. Ele voltou a viver na cidade em 2005, residia no bairro Fundinho.

Além do Mestre dos Magos, Ionei Silva deu voz a inúmeros personagens. “Foram tantos nem tenho ideia da quantidade. Cumpria jornada de segunda a sexta-feira, o dia todo. É impossível saber quantos trabalhos eu fiz”, afirmou ele, na entrevista de 2009.

PRINCIPAIS PERSONAGENS DUBLADOS POR IONEI SILVA

– Mestre dos Magos, da “Caverna do Dragão”

– Tutubarão

– Diversos Smurfs

– Yabba-Doo, irmão do Scooby-Doo

– Sapulha em “Ursinhos Gummi”

– Ultraman, no seriado japonês “O Regresso de Ultraman”

– Duarte, o mordomo do desenho “Riquinho”

– Dr. Sam do desenho “Patrulha Estelar”

– Hiena Risonho do desenho “Trapaleão”

– Climpjumper, do desenho “Transformers”

– Reggie Hammond (Eddie Murphy) em “48 Horas”

– Clarence Boddicker, em “Robocop”

– Feiticeiro Merlin, em “Excalibur”

– Subotai (Gerry Lopez) no filme “Conan, o Bárbaro”

– Imperador Palpatine, Darth Sidious, em “Star Wars”

– Otis, assistente do Lex Luthor nos filmes Superman I e II

– Beto em “Vila Sésamo” (versão original)

– O policial Tony Baretta, da série “Baretta”


Crítica: O Homem de Aço

man-of-steel- new flying posterEle se transformou na primeira adaptação moderna, estilo blockbuster, dos quadrinhos para o Cinema, lá no idos da década de 70. Foi um grande sucesso – e um delicioso filme. De lá para cá derrapou durante anos até que prometeu voltar à boa forma em 2006, com Superman – O Retorno. O resultado, porém, ficou longe do esperado, ainda que fosse uma produção razoável. Já nessa época, personagens “concorrentes” da Marvel, como Homem de Ferro e a galera de X-Men se tornavam mais populares e adultos. O que fazer, então? A pergunta foi respondida com a junção do repaginador de Batman, outro que andou capenga, Christopher Nolan, e do apuro visual de Zack Snyder. E a resposta foi positiva para O Homem de Aço (Man of Steel, EUA/Canada/Reino Unido, 2013).

É bem verdade que o longa não se transformou em uma obra referência adulta quanto a trilogia do Cavaleiro das Trevas de Nolan, entretanto o filme é sóbrio o bastante para não ser confundido com algo puramente escapista e juvenil. Trata-se de um filme de origens, então, há muito que se contar. A decisão do roteirista David S. Goyer de narrar essa história de maneira fragmentada em seu segundo ato é digno de nota. É nessa hora que a fotografia iluminada de Amir Mokri e os bons momentos criados por Goyer se destacam. Afinal, o tom episódico para a criação do mito é evitado e os momentos ganham ternura com a filmagem extremamente bonita, que chegam mesmo a lembrar A Árvore da Vida. A exemplo de imagens por entre lençóis secando ao vento ou um pai dando lições a respeito da responsabilidade que ele carrega. Aliás, nesse momento, há uma frase tristemente bonita e forte para um adolescente.  Clark Kent, ainda jovem, salva seus colegas de um acidente no ônibus escolar – o que revela parte de seus poderes à turma. Pressionado pela situação, pergunta ao pai sobre o que deve fazer: “Deixar que todos morram?”. A resposta é contundente: “Talvez”, diz Jonathan Kent, em uma bela e minimalista atuação de Kevin Costner.

Enquanto isso no presente, Lois Lane (Amy Adams) tenta descobrir quem é a tal figura que aparece em vários locais salvando vidas, mas Clark (Henry Cavill) tenta se manter na escuridão – até que definitivamente se reencontre com seu passado e assuma sua compromisso com a Terra. Antes disso há uma boa introdução sobre o que aconteceu com Krypton – que, inclusive, tem seu território explorado pelos minutos iniciais de Homem de Aço -, o sacrifício dos pais biológicos de Kal-El/Kent e a motivação do General Zod (Michael Shannon) em sua busca pelo Super-Homem. Por falar nisso, é ótimo como a alcunha de “Superman” é criada no filme naturalmente. Mas melhor ainda foi a escolha de Shannon como antagonista, um ator sempre muito complexo ainda que tenda ao overacting – aqui ele berra muito bem “Eu vou encontrá-lo”. Mas não há como negar que até no exagero ele consegue ser brilhante.

Man-of-Steel-Michael-Shannon

Assim que as bases são estabelecidas, Snyder assume as rédeas por completo do longa e começa seu filme de ação propriamente dito. Obviamente as lutas e os efeitos visuais a partir desse momento serão as maiores atrações. O embate envolvendo o herói e dois inimigos, em Kansas, consegue alcançar a escala da força que o personagem tem, mas que nunca havia sido levada para as telas da maneira como se imaginava. O que não deixa de ser um problema também, afinal, o quebra-quebra que ele e os dois vilões aprontam faz pensar: Superman quer realmente salvar o mundo ou vai destruir os inimigos a qualquer custo?

A grande quantidade de ação, porém, não evita que a melhor cena do longa esteja inserida nesse meio: aquela em que o herói bate um papo com Lois numa sala de interrogatório e ele revela que é realmente um ser honrado, sem parecer certinho demais, além de ter um belo corte da montagem em que Superman olha para um espelho e em seguida é inserido, de frente para Lois novamente, mas em um deserto.

Nesses minutos mais movimentados também é possível reparar mais claramente alguns furos no roteiro – Lois vai à nave de Zod para quê? Por ser conveniente, apenas – e o quanto o filme se torna inchado a certa altura. Uns 30 minutos a menos fariam o ritmo forte ser mais agradável. É o que se pode chamar de efeito Michael Bay: na enésima grande cena de ação, a inércia tomou conta e de tanto ver o mundo na base da correria, a platéia fica imune a qualquer reação que deveria aflorar. Fora que esse é um dos filmes mais barulhentos dos últimos anos – perde apenas para Transformers.

De qualquer forma, é uma obra que trouxe resultados muito mais significativos que seus antecessores, desde 1978. Tem um ator que dá conta do recado (Cavill) e termina de forma deliciosamente aberta, com a origem de um mito e o caminho pronto para trilhar nova vida no Cinema.

Nota: 8

O Homem de Aço - o tal


A Ressaca dos Heróis

Herois

E se os super-heróis norte-americanos mais populares resolvessem fazer uma festa ao estilo de Se Beber, Não Case! e acordassem com a mesma ressaca de Stu e companhia? O resultado você vê logo no início do curta de humor The Superheroes Hangover – com Batman usando um vestidinho e Superman e Homem-Aranha acabados. O que levou àquilo é o que saberemos quando Professor Xavier (sim, ele) aparecer.

Produzido pelo canal Golden Mustache, do YouTube, a paródia tem a mesma pegada do filme de Todd Phillips e dá outros ares a personagens como Hera Venenosa, Sr. Fantástico e Viúva Negra.

O único que continua o mesmo é Hulk.

*Mude as legendas para a tradução em português