Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (24 a 30 jun)

HungerHunger* (Idem, 2008). De Steve McQueen

Esse é um filme que esbanja estilo, ainda que a câmera elegante do diretor Steve McQueen (de Shame) não deixe que isso seja transmitido logo de cara. Mas repare bem como os enquadramentos são simétricos e a movimentação da câmera é constante, ainda que calma. Depois temos um roteiro que muda ao menos três vezes seu foco narrativo, começando com um agente penitenciário, passando por uma dupla de presos e chegando a seu protagonista: Bobby Sands. Cada um tem sua parcela de contribuição ao longa, que, em resumo, mostra que ninguém sai incólume de um conflito como o que envolve católicos e protestantes na Irlanda do Norte. O longa mostra um momento em que integrantes do Exército Republicano Irlandês (IRA) participam das chamadas Guerras Sujas com suas celas de paredes sujas por fezes e cabelos e barbas sem qualquer corte. Tudo em busca do status de presos políticos – o que inclui o repúdio às roupas de presidiários comuns. A mudança de foco narrativo, que mostra um país cuja instituições que agridem são as mesmas que temem bombas embaixo de seus carros e tremem as mãos, converge para a greve de fome de Sands, que expõe de vez a violência buscada de várias formas pelo longa – seja na mais pura pancadaria, na opressão de seus ambientes ou no temor que permeia ambos os lados conflitantes. Na atuação comprometida de Michael Fassbender, que perdeu muito peso para fazer a sequência final de Hunger, o protagonista ganha personalidade em meio a um filme que de tão estilizado nem parece o relato de um momento histórico. É interessante perceber que McQueen foge completamente da estrutura e cacoetes de filmes políticos, que costumam ser acelerados, tensos e com câmeras “documentais” cheias de balanços. Além disso é de se destacar o ritmo lento da montagem de Joe Walker, que em momento algum é sonolento ou chato, pois busca cortes muito específicos da história, os quais se somam com a força das imagens de  McQueen. Um filme triste, real e com estilo de sobra para cinéfilo nenhum colocar defeito. Ah, eu disse que Hunger tem uma cena de 17 minutos sem cortes que mostra um diálogo extremamente natural entre Fassbender e Liam Cunningham? Então.  Nota: 8,5

*Filme assistido pela primeira vez

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