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Crítica: O Homem de Aço

man-of-steel- new flying posterEle se transformou na primeira adaptação moderna, estilo blockbuster, dos quadrinhos para o Cinema, lá no idos da década de 70. Foi um grande sucesso – e um delicioso filme. De lá para cá derrapou durante anos até que prometeu voltar à boa forma em 2006, com Superman – O Retorno. O resultado, porém, ficou longe do esperado, ainda que fosse uma produção razoável. Já nessa época, personagens “concorrentes” da Marvel, como Homem de Ferro e a galera de X-Men se tornavam mais populares e adultos. O que fazer, então? A pergunta foi respondida com a junção do repaginador de Batman, outro que andou capenga, Christopher Nolan, e do apuro visual de Zack Snyder. E a resposta foi positiva para O Homem de Aço (Man of Steel, EUA/Canada/Reino Unido, 2013).

É bem verdade que o longa não se transformou em uma obra referência adulta quanto a trilogia do Cavaleiro das Trevas de Nolan, entretanto o filme é sóbrio o bastante para não ser confundido com algo puramente escapista e juvenil. Trata-se de um filme de origens, então, há muito que se contar. A decisão do roteirista David S. Goyer de narrar essa história de maneira fragmentada em seu segundo ato é digno de nota. É nessa hora que a fotografia iluminada de Amir Mokri e os bons momentos criados por Goyer se destacam. Afinal, o tom episódico para a criação do mito é evitado e os momentos ganham ternura com a filmagem extremamente bonita, que chegam mesmo a lembrar A Árvore da Vida. A exemplo de imagens por entre lençóis secando ao vento ou um pai dando lições a respeito da responsabilidade que ele carrega. Aliás, nesse momento, há uma frase tristemente bonita e forte para um adolescente.  Clark Kent, ainda jovem, salva seus colegas de um acidente no ônibus escolar – o que revela parte de seus poderes à turma. Pressionado pela situação, pergunta ao pai sobre o que deve fazer: “Deixar que todos morram?”. A resposta é contundente: “Talvez”, diz Jonathan Kent, em uma bela e minimalista atuação de Kevin Costner.

Enquanto isso no presente, Lois Lane (Amy Adams) tenta descobrir quem é a tal figura que aparece em vários locais salvando vidas, mas Clark (Henry Cavill) tenta se manter na escuridão – até que definitivamente se reencontre com seu passado e assuma sua compromisso com a Terra. Antes disso há uma boa introdução sobre o que aconteceu com Krypton – que, inclusive, tem seu território explorado pelos minutos iniciais de Homem de Aço -, o sacrifício dos pais biológicos de Kal-El/Kent e a motivação do General Zod (Michael Shannon) em sua busca pelo Super-Homem. Por falar nisso, é ótimo como a alcunha de “Superman” é criada no filme naturalmente. Mas melhor ainda foi a escolha de Shannon como antagonista, um ator sempre muito complexo ainda que tenda ao overacting – aqui ele berra muito bem “Eu vou encontrá-lo”. Mas não há como negar que até no exagero ele consegue ser brilhante.

Man-of-Steel-Michael-Shannon

Assim que as bases são estabelecidas, Snyder assume as rédeas por completo do longa e começa seu filme de ação propriamente dito. Obviamente as lutas e os efeitos visuais a partir desse momento serão as maiores atrações. O embate envolvendo o herói e dois inimigos, em Kansas, consegue alcançar a escala da força que o personagem tem, mas que nunca havia sido levada para as telas da maneira como se imaginava. O que não deixa de ser um problema também, afinal, o quebra-quebra que ele e os dois vilões aprontam faz pensar: Superman quer realmente salvar o mundo ou vai destruir os inimigos a qualquer custo?

A grande quantidade de ação, porém, não evita que a melhor cena do longa esteja inserida nesse meio: aquela em que o herói bate um papo com Lois numa sala de interrogatório e ele revela que é realmente um ser honrado, sem parecer certinho demais, além de ter um belo corte da montagem em que Superman olha para um espelho e em seguida é inserido, de frente para Lois novamente, mas em um deserto.

Nesses minutos mais movimentados também é possível reparar mais claramente alguns furos no roteiro – Lois vai à nave de Zod para quê? Por ser conveniente, apenas – e o quanto o filme se torna inchado a certa altura. Uns 30 minutos a menos fariam o ritmo forte ser mais agradável. É o que se pode chamar de efeito Michael Bay: na enésima grande cena de ação, a inércia tomou conta e de tanto ver o mundo na base da correria, a platéia fica imune a qualquer reação que deveria aflorar. Fora que esse é um dos filmes mais barulhentos dos últimos anos – perde apenas para Transformers.

De qualquer forma, é uma obra que trouxe resultados muito mais significativos que seus antecessores, desde 1978. Tem um ator que dá conta do recado (Cavill) e termina de forma deliciosamente aberta, com a origem de um mito e o caminho pronto para trilhar nova vida no Cinema.

Nota: 8

O Homem de Aço - o tal

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