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Crítica: O Grande Gatsby

great_gatsbyJá é mais do que sabido que Baz Luhrmann gosta de histórias dramáticas (ou dramalhões), mas ele também é fascinado por glamour e seus dois melhores filmes até aqui demonstraram isso: são uma grande festa que cercam problemas humanos sentimentais (amor, ódio, ciúme). A opção do cineasta por recontar a história criada por F. Scott Fitzgerald, um dos romances mais celebrados da História, era algo que sempre pareceu natural. Não que O Grande Gatsby (The Great Gatsby, EUA/Austrália, 2013) não seja um bom longa, mas está claro que o novo trabalho de Luhrmann não consegue se desconectar de seus longas anteriores para contar a jornada de um jovem homem que vai conhecer o topo da cadeia alimentar social e seu vazio, por meio de um ricaço (Gatsby) que tenta ser diferente de seus “iguais”.

Para começar, mais uma vez, em um filme de época, existe a escolha de uma trilha anacrônica, que aqui inclui Jay-Z, Jack White, Lana Del Rey e Alicia Keys. Mas diferentemente de Moulin Rouge, não há um encaixe perfeito e as boas músicas poderão te tirar do clima do início do século passado e te jogar para um tipo de rave estranha na qual todos se vestem com smokings e tomam champagne. Da mesma maneira que é latente a repetição das festas vistas em Romeu + Julieta. Até a mesmo a estrutura da abertura do filme, de ritmo acelerado e com montagem de muitos, muitos cortes, lembra os dois filmes aqui citados. E que tal a Nova York saudosista mostrada numa tomada de grande amplitude que serviu para o mesmo fim em relação à Paris do musical de Baz?

E não é possível dizer que a escolha pela narração em off seja uma forma de ajudar a situar ou deglutir as coisas para a platéia. No fim das contas, ela se torna invasiva  e chega a estragar alguns momentos, como num crucial momento em que os principais personagens  se reúnem em um apartamento para acertar as contas e a narração quase estraga o fim da cena. E olha que se trata de um momento tenso e de bons diálogos na maior parte do tempo.

Só que o espetáculo montando nessa versão de Gatsby tem a mesma ambição que a adaptação de 1974, com Mia Farrow e Robert Redford, e se sai relativamente bem ao tentar levar o estilo de vida festeiro daquela época de uma forma mais palatável para nossos tempos – e aqui você pode escolher se gostou da idéia ou não – com muita loucura e sem se esquecer do elemento humano.

É aí que entram as atuações absolutamente carismáticas de Leonardo DiCaprio e Tobey Maguire, amigos na vida real que aqui mostram uma bela química. São os dois, basicamente, que fazem O Grande Gatsby vencer. Fora que a belezinha chamada Carey Mulligan nunca foi filmada com tanta beleza – e se transforma naquilo que o personagem é: uma linda delicada menina sem individualidade.

Mas é sempre bom ver um diretor que tem uma visão e que ela seja usada em favor da história que ele conta, mesmo que não seja uma obra pessoal. Mas é por isso que um filme baseado em um livro ou outro material se chama adaptação – e essa termina de maneira particularmente operística e bonita, ainda que dramática, como o Luhrmann aprecia.

Nota: 7,5

Gatsby

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