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Crítica: Wolverine – Imortal

Wolverine Imortal posterDizer que o novo longa de Logan é melhor que sua primeira incursão solo nos cinemas não é vantagem alguma, tamanho o equívoco de X-Men Origens: Wolverine, que errava da história ao elenco e no básico dos efeitos visuais. Mas é preciso dizer que essa volta do personagem a um trabalho fora da equipe mutante realmente está acima do filme anterior, só que nada aqui é perfeito.

Wolverine – Imortal (The Wolverine, Austrália/EUA, 2013) tem boa direção, volta com Hugh Jackman um pouco mais sério que no trabalho anterior com o personagem, mas seu roteiro é um tanto problemático. Nas mãos de Mark Bomback (Duro de Matar 4.0) e Scott Frank (Minority Report) a história até tenta disfarçar nos dois primeiros terços, sendo altamente misteriosa. O problema é quando as revelações começam, os diálogos expositivos se atropelam. Pior: a exigência de um mutante como antagonista do herói se torna tão dispensável, que a história só ganharia em termos de ritmo e objetividade se não tivesse que usar a tal Víbora (Svetlana Khodchenkova).

O filme começa muito bem, com o salvamento de um soldado japonês em Nagasaki, onde Logan faz um sacrifício em nome do inimigo durante o lançamento da bomba atômica. Ótima utilização do fator de cura do personagem, ao mesmo tempo bizarra e de alcance do grau da boa ação de Wolverine. Em duas palavras: tocha humana. É por causa desse ato que o herói será retirado de seu exílio nas montanhas nos dias atuais. O japonês salvo se tornou um grande empresário em seu país e, antes da morte, quer se despedir de seu salvador.

Já em terras nipônicas o roteiro tenta ser profundo, com uma divagação sobre a existência de Wolverine e sua quase imortalidade. Nesse momento o velho que quer se despedir oferece a mortalidade ao protagonista para que ele não tenha que viver com o peso das mortes de quem ele ama e não têm a mesma longevidade. Mera menção. Esse debate não passa disso e mais as aparições de Jean Grey (Framke Janssen) nos sonhos de Logan. Ela é um tipo de culpa que ele carrega desde que foi obrigado a matá-la durante os eventos de X-Men 3 – A Batalha Final.

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Dali para frente ele entra em uma trama política que ainda envolve a neta do empresário, Mariko (Tao Okamoto), e o destino dele próprio, que passa a ser ameaçado pelo enfraquecimento de seu poder de regeneração. Esse detalhe, inclusive, é outro ponto desperdiçado pelo filme. Além de não ser convincente a explicação de como o fator de cura é quase eliminado, em momento algum você se preocupa com Wolverine e sua possível morte a partir dali. Ainda que esteja fraco, é difícil estar convencido de que ele poderá perder uma luta realmente.

Mas, hey! Este é um filme de ação e seu grande objetivo funciona muito bem. As cenas mais movimentadas são inspiradas e até ajudam na própria redenção do diretor James Mangold. Depois da besteira que foi o exagerado Encontro Explosivo, o cineasta volta à boa forma e consegue criar sequências como a perseguição e pancaria no trem-bala. Calcada na inteligência e na velocidade e comedida na trilha sonora, é, talvez, a única passagem na qual o 3D convertido da produção parece funcionar com o objetivo de imersão. Nem o grande confronto com o Samurai de Prata consegue vencer a sequência.

Contando com um tipo de surpresa nos minutos finais que não engana ninguém, Wolverine – Imortal empolga enquanto produção de grande porte, mas fica devendo enquanto drama, ainda que tenha a caracterização insuperável de Jackman na pele e garras do personagem. Aqui ele chega a ensaiar uma maldade ainda explorada longe do potencial oferecido pelo herói raivoso, vide o lançamento de um vilão da janela de um apartamento – ele não sabia da piscina. De qualquer forma fico imaginando qual seria o caminho tomado pelo longa caso o extraordinário Darren Aronofsky não tivesse desistido de dirigi-lo.

Nota: 7,5

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