Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (12 a 18 ago)

scorpio rising posterScorpio Rising* (Idem, 1964). De Kenneth Anger

Experimental é a palavra que mais acompanha esse curta-metragem de Kenneth Anger, mas é sempre bom lembrar que o filme trabalha paralelos e imagens aparentemente desconexas para criar unidade e uma mensagem sobre subversão e messianismo. Ainda que não pareça, Anger segue a velha cartilha de três atos, com um início que apresenta seus personagens, um desenvolvimento que mostra o que a “trama” tem a dizer, e um desfecho para aquelas pessoas. Estamos falando de motoqueiros nazista aparentemente gays, que adoram suas motos e um Führer, causam certa destruição e são movidos por ideais e pela trilha sonora da produção, cheia de hits de Elvis Presley, The Crystals e até Ray Charles. A subversão aqui vem de várias formas, como nas imagens paralelas de uma aparente Jesus conduzindo seus discípulos assim como os motoqueiros se dirigem para o local de discurso de mentor. Até mesmo a proposta de nazis homossexuais é polêmica por si só. Da mesma forma que os diálogos são excluídos e as músicas falam no lugar dos atores, a exemplo de quando “Torture”, de Kris Jensen, toca com uma cena de abuso (sexual?) é mostrada. Underground característico de seu criador, mas que é uma grande aula de como o Cinema é imagem e o que a soma delas pode falar. Nota: 8,5

black_dynamite_ver3Black Dynamite* (Idem, 2009). De Scott Sanders

Entrando na mesma onda que Quentin Tarantino e Robert Rodriguez de filmes tipo Z criados para serem assim, se aproveitando da estética blaxploitation para fazer rir, Black Dynamite tem um personagem-título fodão que junta dúzias de frases de efeito com cenas de ação absurdas para agradar o público ávido por tosquidão milimetricamente pensada. A trama aqui, obeviamente, não faz o mínimo sentido e sai do assassinato do irmão do protagonista e vai parar no mais alto escalão da política americana setentista, com uma pequena passagem por terras orientais. Melhor nem perguntar como isso acontece. Basta rir e se deixar levar pela proposta do longa, que diverte bastante, ainda que te deixe escapaa a atenção em alguns momentos devido à grande zona que é seu roteiro. Chama atenção por alguns bons diálogos – “Shhh, mama, você vai acordar as outras vadias” -, mas não mantém pudores de filmes como Machete (irmão temático) e a nudez é guardada para poucos momentos se pensarmos no quanto Black Dynamite é citado como garanhão. Nota: 7,5

shopgirl posterGarota da Vitrine (Shopgirl, 2005). De Anand Tucker

Um filme que surpreende por ser delicado, romântico e pé no chão. Além do mais, tem direção inspirada e um cenário que interage muito bem com seus personagens. Veja as cenas em que o céu se transforma em ruas, postes e uma claraboia. Uma linda cena repetida ao longo da produção, que mostra a preocupação do cineasta Anand Tucker em não ser apenas um romancezinho. Afinal, ele tem à mão um belo texto de Steve Martin que fala sobre como uma pessoa pode se ligar a outra e de que forma uma menina do interior vai para a cidade grande entender o tipo de isolamento que se pode experimentar em meio a milhões de outras pessoas. A garota do título é Claire Danes em uma atuação minimalista, depressiva e em busca de alguém para preencher seu coração. Ela tem duas opções: um moleque besta, mas sincero, ou um homem que quer encontrar alguém, mas que exige certo distanciamento. Todos vão aprender a amar, mas cada um a seu preço. O filme é daqueles  que evita a qualquer custo o excesso de doçura e ainda assim é cativante. Uma emoção genuína, que ganha ainda mais tons nas cores verdes e azuis que acompanham a protagonista, meio que em tom de solidão e esperança. O símbolo vai e volta no apartamento da moça, em suas roupas e na iluminação dos ambientes. Outro trabalho bem feito pela equipe do longa, que ainda termina com um diálogo extremamente emocionante. Nota 8,5

therock posterA Rocha (The Rock, 1996). De Michael Bay

Pois é, essa é daquelas aventuras que não iriam muito longe se não houvesse um elenco para ajudar nas cenas de ação. Todo mundo sabe que Bay baseia seus longas apenas na plástica e nas cenas de correria, entretanto, dessa vez, foi muito feliz na escalação de medalhões como Ed Harris e Sean Connery junto a um ainda contido Nicolas Cage. O drama do primeiro, com o charme do segundo, aliado à boa cara de bobão inteligente do último dão uma liga diferente à produção. Fora que os cacoetes de Bay nessa época ainda eram um pouco menos intensos, como os travellings com angulações baixas, o que já não irrita – e isso ajuda muito. Mas o melhor é ver que em meio às cenas de tiros, explosões e pancadaria – predominantes, claro – existe um vilão humano e heróis carismáticos. O coronel Harris pira e ameaça a própria pátria com armas de destruição em massa. Enquanto isso, Connery é instável, mas não deixa de ser confiável quando a trama demanda – e olha que fica sempre uma pontinha de dúvida sobre ele. Com isso, Cage tem o caminho bem iluminado para se passar por astro de ação, sem ser o clichê fortão para tal e se baseia numa atuação correta e cômica às vezes. Nota: 8

*Filme assistido pela primeira vez

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