Go ahead, punk. Make my day.

Archive for Setembro, 2013

Crítica: Os Estagiários

the-internship-posterO problema com Os Estagiários (The Internship, EUA, 2013) é só um: ser uma comédia que não tem tanta graça assim. O longa não pede para levá-lo a sério, se mostra como propaganda do Google descaradamente e ainda aposta na dinâmica entre os protagonistas Vince Vaughn e Owen Wilson para tentar fisgar a plateia. Tudo bem que todos os “trunfos” citados acima são, de verdade, uma grande picaretagem, mas se a produção fosse realmente engraçada, os problemas poderiam até ser perdoados. Mas não.

A trama esquemática parte da perda do emprego dos dois vendedores de relógios cheios de lábia. Em crise por causa da idade e da inaptidão para qualquer outro tipo de emprego, eles acham que vão conseguir uma jogada de mestre ao descobrirem vagas de estágio para o Google – a melhor empresa para se trabalhar no mundo, de acordo com o diagnóstico dessa produção.

Obviamente, os “tiozões” vão descobrir que nada é tão fácil quanto eles pensavam, da mesma forma que a plateia não ri como chegou a cogitar. Não que Os Estagiários não tenha graça totalmente, mas chama atenção a falta de vigor das piadas. Veja a cena da entrevista on line de admissão no programa de estágio de Vaughn e Wilson. Nela, eles se espremem para que suas imagens caibam em uma webcam e começam uma conversa tão nonsense com seus interlocutores, que até rende uma risada ou outra, mas que ao ser finalizada, você percebe que não há muito o que lembrar daquilo. Da mesma forma que a participação especial de Will Ferrell traz aquele humor pouco sutil dele, mas não está longe da graça vista em Dias Incríveis, por exemplo. Interessante observar que a melhor cena em Os Estagiários, que é dirigido por Shawn Levy, envolve bebidas, mulheres e festa, assim como todo o filme de Todd Phillips, em 2003.

E depois de comentar várias vezes com alguém ao seu lado que o longa é engraçado, mas nem tanto, você sai da sala de cinema lembrando que o elenco fala com tanto afinco sobre uma tal de “googlenidade”, que mais parece mais um termo a ser usado na próxima campanha da empresa. Daí vem à memória que essa é mais uma história de superação de dificuldades com final feliz e que Vince Vaughn e Owen Wilson já foram muito melhores juntos em Penetras Bons de Bico. Do nada vem a epifania: era pra rir de quê mesmo?

Nota: 6

Os Estagiários - Owen Wilson e Vince Vaughn


Teste de Bale para Batman Begins

Bale-test

Não sei o que é mais legal nesse vídeo: a curiosidade em si de ver Christian Bale tentando o papel da vida dele, o ator usando a roupas usadas por Val Kilmer em Batman Eternamente para o teste, a presença de Amy Adams na gravação ou o diretor Chris Nolan ressaltando a mudança de voz de Bale para viver o Homem-Morcego. Bacanão.

I’m Batman!

UPDATE – Pelo visto a Warner tirou o vídeo do ar… ¬¬’


Trilha – Iron Maiden

Phenomena

Engraçado é que perceber que as músicas do Iron Maiden não estão presentes em muitas trilhas sonoras de filmes, ainda que o grupo seja um dos mais populares do mundo. Mas como nessa sexta-feira (20) estarei cara a cara no show dos caras em São Paulo, me empolguei e proponho um Trilha com uma das poucas cenas que usam as pancadas da banda como acompanhamento.

Poderia ter escolhido a bela abertura do documentário Metal – A Headbanger’s Journey, na qual se ouve “The Number of the Beast”. Mas preferi algo um tanto mais bizarro e nobre, afinal, falaremos de um filme de Dario Argento. Phenomena, de 1985, traz a gracinha Jennifer Connelly como protagonista em uma história sobre assassinatos e poderes de comunicação com insetos (eu disse que era bizarro).

Na cena em que o Maiden quebra tudo, claro, há uma morte e convenientemente a música “Flash of the Blade” emoldura a correria, com uma lâmina em cena. A canção casa muito bem nos primeiros momentos da cena, mas depois dá lugar à trilha sonora do Goblin, como de costume nos filmes de Argento.

Agora me dê licença que estou indo ver o Iron ao vivo.


Resumo (9 a 15 set)

Ex DrummerEx Drummer* (Idem, 2007). De Koen Mortier

Um tipo de Trainspotting extremo, essa é daquelas produções que se deve assistir quando o humor estiver muito bom. Ex Drummer não é agradável, ainda que possa ser “lido” como boa crítica da divisão entre a classe dominante, vendo o mundo do alto de suas torres, e os demais se chafurdando em um mundo nojento. Claro, que com os últimos sendo usados pelos primeiros. Mas essa mensagem é um detalhe em meio a uma trama em que três deficientes procuram um famoso escritor para ser o baterista de sua banda. O caso é que não se sabe se as deficiências são apenas físicas. Os três primeiros são construídos como verdadeiros monstros: um trata os pais como lixo, outro domina a mulher por meio da agressividade e ainda larga a filha em meio a uma casa que mais parece um chiqueiro, enquanto o terceiro é um espancador/estuprador de mulheres. O que leva ao aproveitador protagonista metido a besta, que aproveita desse tipo de desajustados para escrever seu novo livro, enquanto finge ser o baterista que eles buscam. Mas calma, o filme ainda é cheio de perversões e violência gráfica ou estabelecida pela direção virtuosa de Koen Mortier. Repare como ele filma ambientes quase encostando sua câmera no teto e deixa tudo ainda mais claustrofóbico – não bastasse a sujeira dos ambientes fechados e frios no qual a história se passa (direção de arte mais do que eficiente). Entretanto a escolha mais bizarra e coerente de Mortier é mostrar o espancador de cabeça para baixo em sua casa estranha, o que dá uma boa idéia de como a mente daquele homem é distorcida. Mas pode ter certeza, a descrição aqui não é nem metade da escrotidão que o longa consegue atingir e a depressão que ele pode causar ao mostrar pessoas vivendo daquela forma. Basta dizer que você ainda não viu uma cena de sexo anal como uma mostrada aqui, que rende risos e horror. Aliás, o humor negro chega ao ápice na descrição do tamanho do pênis de um personagem por meio da vagina de sua esposa. Nota: 8,5

Austin-Powers-International-Man-of-MysteryAustin Powers – 000 – Um Agente Nada Discreto (Austin Powers – International Man of Mystery, 1997). De Jay Roach

Dizer que o filme é de Jay Roach é apenas uma convenção, já que Mike Myers é a grande estrela dessa comédia que rendeu outros dois sucessores – o segundo é ainda melhor que o original, diga-se de passagem. Aqui, as boas piadas sobre um agente secreto de visual bizarro e dentes horríveis, congelado nos anos 60 e renascido na década de 90, formam a maior parte do arsenal. O que não quer dizer que existam outras tão boas ou ainda melhores, como a utilização da perspectiva para esconder as partes pudentas de alguns personagens. E o que dizer de uma espiã chamada Alotta Fagina? Mas como nenhum herói vive sem um vilão, Powers tem uma grande ajuda de Dr. Evil – versão caricata de Ernst Stavro Blofeld, de James Bond – e seu gato careca, Mr. Bigglesworth – outra caricatura. Detalhe: Evil também é interpretado por Myers e muito bem. Garantia de boas risadas e ainda tem Elizabeth Hurley. Nota: 8

*Filme assistido pela primeira vez


Há alguns anos… – Em uma galáxia nada distante

Momento cigarro terráqueo

R2-D2-and-Chewbacca-on-set

Peter Mayhew e Kenny Baker, fora (ou quase) de suas roupas de Chewbacca e R2D2, durante pausa nos sets de Guerra nas Estrelas (1977)


Sexta-Feira 13: Jason te espera mais tarde

Oh, Hello!

Jason


Resumo (2 a 8 set)

Heat posterFogo Contra Fogo (Heat, 1995). De Michael Mann

Não é sem motivo que esse filmaço parrudo tem 2h50. Michael Mann, conhecido pelo seus filmes tecnicamente muito bem acabados, aqui ganha peso extra nos dramas de seus personagens. É difícil achar algum que não tenha um plano de fundo que desperte interesse – e olha que parte deles tem dois ou três momentos apenas em que suas famílias estejam em cena -, veja o caso de Danny Trejo e Dennis Haysbert. São as famílias (ou a falta delas) que dão o tom humano a policiais e ladrões nessa história de gato e rato. Aqui, de um lado está o policial dedicado ao trabalho vivido por Al Pacino, que vê seu casamento ir por água abaixo por causa de um novo caso, no qual parece estar impressionado pelo antagonista. Esse vilão é Robert De Niro, que não tem família, mas ganha estofo quando acha alguém que pode subverter sua lógica de que não se deve se apegar a nada que não possa deixar para trás em 30 segundos quando as coisas ficarem feias. Repare ainda como a fotografia azulada (ou elementos de mesma cor) e solitária segue De Niro e ganha um momento interessante quando ele volta a ligar para seu interesse amoroso. No cenário, uma placa azul é deixada de lado num pequeno movimento do ator quando começa a falar ao telefone. Sutil e eficiente, o momento mostra como a moça o faz deixar sua solidão. Mas a relação que merece o maior tempo em cena é o casamento entre Val Kilmer e Ashley Judd, que tem caminhos tortuosos e se mostra de amor real, mesmo com tantos problemas. Com tanto preenchimento, os vários tiroteios e cenas de ação do longa realmente fazem com que a platéia se preocupe sobre o futuro daquelas pessoas. E, assim, chegamos à cena em que Al Pacino, enfim, tem um diálogo com Robert De Niro. Filmada quase sem interrupções, o café que tomam juntos se torna um momento clássico e que capta as atuações no melhor delas. De Niro sugeriu (e foi atendido) que o momento fosse encenado sem ensaios. Deu no que deu: um tanto tenso, um tanto agudo, um tanto terno e outro bocado metalinguístico – repare como ambos dizem que fazem o que fazem sem querer outra coisa para suas vidas. O importante mesmo é que a cena é 100% clássica e diz muito sobre aqueles antagonistas: são quase dois lados de uma mesma moeda. Quase. Nota: 9