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Crítica: Círculo de Fogo (2013)

pacific-rim-posterNem mais nem menos do que um bom filme sobre robôs gigantes saindo no braço com alienígenas vindos de outra dimensão poderia oferecer. Assim é Círculo de Fogo (Pacific Rim, EUA, 2013), empreitada de Guillermo Del Toro que deu um olé em filmes do tipo já feitos (Transformers) e aqueles que ficaram por vir (a adaptação de Neon Genesis Evangelion que nunca saiu). A dica é: fique atento à pancadaria e deixa passar alguns clichês para que a diversão seja completa.

Não estamos diante de uma revolução, mas de um programa que não tenta ser mais do que realmente é. Não existe pretensão em relação aos efeitos visuais – que são eficientes, mas concebidos 90% do tempo à noite, uma ferramenta conhecida para esconder imperfeições -, muito menos em levar personagens à tela cujo drama valem mais que o entretenimento em si – o que, convenhamos, poderia levar um filme do tipo à mais improvável chatice, afinal, dentro de um contexto tão simplório nada mais idiota do que colocar gente filosofando sobre a existência humana.

O contexto no caso é a aparição dos Kaijus, aliens que acharam uma passagem para o mundo humano por meio de uma fenda no Pacífico. Esses seres passam, então, a destruir a humanidade em suas incursões cada vez mais frequentes. Para defender a Terra, os homens se unem em um projeto de construção dos chamados Jaegers, robôs pilotados por duas pessoas, cuja conexão neural deve ser perfeita, fazendo deles algo como hemisférios do “cérebro” das máquinas humanóides. E tome cenas de ação superlativas.

Há aqui ecos de muitas histórias vistas anteriormente, o que não incomoda, assim como o discurso clichê a certa altura de um personagem forte para motivar  aqueles que vão para o combate. O que vem à mente é: se já estou afeiçoado com aquele personagem, e daí se ele está em um dos maiores lugares-comuns que um filme militarizado pode chagar? Bem, pelo menos as frases dele são verdadeiramente impactantes “Hoje, nós vamos cancelar o apocalipse!”. É a mais pura apelação a seu lado infantil, mas com brinquedos gigantes que servem também a adultos.

O fato é que além da pancadaria ser de primeira em termos de Cinema, há um fator humano em tudo aquilo. Os personagens não estão ali apenas para serem objetos da trama, a maior parte deles tem profundidade para que o espectador se aproxime dele. O protagonista, por exemplo, ainda que Raleigh Becket seja um daqueles caras atormentados pelo passado e durão, é sempre interessante quando está em cena pela força da atuação de Charlie Hunnam – que pode não ser um gênio, mas está intenso no papel. Da mesma forma que Rinko Kikuchi mostra força em meio a um turbilhão de emoções que a leva a uma tremenda insegurança na pele de Mako Mori. A cena na qual se perde na conexão neural só não é melhor que quando há uma revelação sobre a personagem – momento emocionante.

Pacific Rim - Jaeger x Kaiju

Por falar nisso, a sequência em que a pequena Mako é salva do ataque de um Kaiju é um dos melhores exemplos da boa utilização do 3D no filme. Quase sempre com grande profundidade de foco, o diretor de fotografia Guillermo Navarro ressalta o ambiente e ainda leva à imersão em meio àqueles colossos. Ter um criança em perigo, naquela cena em específico, se torna ainda mais importante que esse tipo de ameaça se torne maior para efeito dramático.

Fora a criatividade dos envolvidos em criar o desenho de cada um dos Jaegers e dos Kaijus, há ainda o bom humor que permeia todo o filme, seja na atuação sensacional de Ron Perlman ou em momentos como a mão gigante colocando um pêndulo de Newton para funcionar delicada e não intencionalmente – chega a ser nonsense parar uma cena de ação para fazer a piada, que funciona muito bem.

Entretanto, como já citado, não há aqui uma revolução. Há, inclusive, problemas como a motivação dos tais alienígenas em invadir a Terra – sem querer estragar a brincadeira de ninguém, se já viu Independence Day vai saber até mesmo como os humanos descobrem o planos dos inimigos. Mais: não adianta mostrar monstros cada vez maiores se aquele que, em tese, é o mais perigoso deles não oferece tanto risco quanto um que faz uma devassa contra os robôs minutos antes. E como assim um determinado Jaeger não é afetado por um pulso eletromagnético se tem inúmeros controles digitais?

Algo que depende de sua compreensão e que, no fim das contas, parecem problemas menores quando se percebe o quanto o Círculo de Fogo te mantém atento ao andamento da trama mesmo com problemas que poderiam te fazer sair da história.

Nota: 8

Pacific Rim - Becket-Mako

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