Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (2 a 8 set)

Heat posterFogo Contra Fogo (Heat, 1995). De Michael Mann

Não é sem motivo que esse filmaço parrudo tem 2h50. Michael Mann, conhecido pelo seus filmes tecnicamente muito bem acabados, aqui ganha peso extra nos dramas de seus personagens. É difícil achar algum que não tenha um plano de fundo que desperte interesse – e olha que parte deles tem dois ou três momentos apenas em que suas famílias estejam em cena -, veja o caso de Danny Trejo e Dennis Haysbert. São as famílias (ou a falta delas) que dão o tom humano a policiais e ladrões nessa história de gato e rato. Aqui, de um lado está o policial dedicado ao trabalho vivido por Al Pacino, que vê seu casamento ir por água abaixo por causa de um novo caso, no qual parece estar impressionado pelo antagonista. Esse vilão é Robert De Niro, que não tem família, mas ganha estofo quando acha alguém que pode subverter sua lógica de que não se deve se apegar a nada que não possa deixar para trás em 30 segundos quando as coisas ficarem feias. Repare ainda como a fotografia azulada (ou elementos de mesma cor) e solitária segue De Niro e ganha um momento interessante quando ele volta a ligar para seu interesse amoroso. No cenário, uma placa azul é deixada de lado num pequeno movimento do ator quando começa a falar ao telefone. Sutil e eficiente, o momento mostra como a moça o faz deixar sua solidão. Mas a relação que merece o maior tempo em cena é o casamento entre Val Kilmer e Ashley Judd, que tem caminhos tortuosos e se mostra de amor real, mesmo com tantos problemas. Com tanto preenchimento, os vários tiroteios e cenas de ação do longa realmente fazem com que a platéia se preocupe sobre o futuro daquelas pessoas. E, assim, chegamos à cena em que Al Pacino, enfim, tem um diálogo com Robert De Niro. Filmada quase sem interrupções, o café que tomam juntos se torna um momento clássico e que capta as atuações no melhor delas. De Niro sugeriu (e foi atendido) que o momento fosse encenado sem ensaios. Deu no que deu: um tanto tenso, um tanto agudo, um tanto terno e outro bocado metalinguístico – repare como ambos dizem que fazem o que fazem sem querer outra coisa para suas vidas. O importante mesmo é que a cena é 100% clássica e diz muito sobre aqueles antagonistas: são quase dois lados de uma mesma moeda. Quase. Nota: 9

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