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Crítica: Elysium

ElysiumO grande problema de Elysium (Idem, EUA, 2013) é ter um bom ponto de partida que se perde em um filme de ação razoável, mas que não permite explorar o conceito tanto quanto poderia. Pena, pois a história da Terra dividida entre muito pobres e muito ricos poderia ser inteligente e ao mesmo tempo conseguir captar o público em busca de um entretenimento sci-fi, como aconteceu em Distrito 9, filme que colocou o cineasta Neill Blomkamp no mapa do cinema mundial.

Tudo bem que a missão do realizador não era das mais fáceis, afinal, seu primeiro longa-metragem foi indicado ao Oscar e ele recebeu todos os tapinhas nas costas de parabéns possíveis. Distrito 9 tinha cara de blockbuster, mas “tinha mensagem” ao criar uma parábola sobre o apartheid, substituindo negros e brancos por humanos e alienígenas na África do Sul. Com Elysium,  Blomkamp tenta falar da diferença na distribuição de riquezas no mundo: os muito afortunados deixaram a Terra superpovoada e criaram o tal Elysium na órbita do planeta, enquanto o resto da população ficou para trás em meio à exploração e a pobreza.

Ainda que a ideia não seja original, ela é bem detalhada no início da narrativa em relação a como quem ficou na Terra é tratado como inferior, sem qualquer disfarce dessa diferenciação. Ricos tratam pobres como lixo e o mundo é um grande bairro pobre, com barracos e de construções em ruínas. Mas o que esse submundo tem de detalhes em barracos e na vida dos moradores, o roteiro de Blomkamp se esquece de falar a respeito dos moradores do Elysium. Basicamente a única informação que se tem deles é que são privilegiados e podem se curar de qualquer doença. A única representante com relevância do local é a Ministra da Defesa vivida por Jodie Foster. Personagem rasa que está em cena apenas para ser a antagonista, mais nada. Discutir se os moradores do lugar são alienados ou se cruelmente vivem suas vidas sem pensar sobre o que (ou quem) deixaram para trás não está nos filmes. Distrito 9 tinha a diferença de estar no céu e no inferno ao mesmo tempo com seu protagonista que experimenta de seu próprio remédio.

O bom elenco tenta fazer o que pode com o filme. Destaque para Wagner Moura que não se empalidece perto de Matt Damon, outro bem em cena. Moura investe em alguma histeria, mas compõe Spider, um coiote que envia clandestinos para o Elysium, com nuances de voz e até arrisca xingamentos em português em determinado momento. Pena que Alice Braga não tem o mesmo espaço e seja obrigada a ser objeto de simpatia e pena. Há só um momento realmente bom: quando ela se que encontra o sádico vilão vivido por Sharlto Copley – em modo amalucado ao estilo Esquadrão Classe A.

Prejudicado ainda por certa conveniência da trama, que converge todos os problemas ao mesmo tempo para serem resolvidos por Damon junto às máquinas de cura do paraíso humano espacial e um possível golpe de Estado, o filme se salva pelos minutos iniciais e as boas cenas de ação. Tudo bem que elas ocupem o terreno que deveria ser fértil em discussões, mas prendem a atenção com as invencionices de Neill. O problema é a montagem que abusa dos cortes e quase estragam a brincadeira por não permitirem que se acompanhe boa parte dos confrontos em nome da velocidade da montagem.

Nota: 7

Elysium - Damon e Sharlto Copley

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2 responses

  1. Karen Cardoso

    Mas adorei a cena que eles remontam a cara do vilão que engoliu a granada…
    Mto bom =)
    Curti o filme, particularmente, mas tenho que concordar que ficou faltando saber sobre a vida em Elysium.
    Mas o Wagner Moura me surpreendeu e mto, atuação mto boa, e eu achei q eu tava ouvindo coisas quando escutava uns xingamentos em português, mas entao nao era loucura, era real mesmo haahahahahaha

    14 de Outubro de 2013 às 2:31 PM

    • O Wagner Moura é sempre muito bom!

      14 de Outubro de 2013 às 4:14 PM

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