Go ahead, punk. Make my day.

Crítica: Gravidade

gravity-posterCuidado com a imagem e criatividade se tornaram marcas registradas do diretor Alfonso Cuarón, mas em Gravidade (Gravity, EUA, 2013) ele parece ter levado seu trabalho a outro patamar. Com um acréscimo: usando apenas uma atriz na maior parte do tempo, ele cria ainda um suspense dramático espacial que te encanta e te deixa na beirada da cadeira comendo as unhas ao mesmo tempo.

A trama, basicamente, é sobre uma astronauta novata (aparentemente) que se depara com uma nuvem de detritos e fica à deriva na órbita da Terra. Nada mais, nada menos. Por meio desse fiapo de trama, Cuarón, que escreveu o longa-metragem junto de seu filho, Jonás Cuarón, foca boa parte de seu trabalho em um tipo de direção que você não sabe se senta e aprecia ou se fica se perguntando como tudo aquilo foi feito. A câmera voa junto aos astronautas em tomadas de vários minutos e de belas imagens. Belas até que começa a tensão, na qual o roteiro é hábil em criar problemas atrás de problemas e soluções invetivas e racionais para cada um deles, sem que ninguém pareça um tipo de MacGyver.

A abertura de Gravidade é o melhor exemplo disso. Lentamente a nave onde estão George Clooney e Sandra Bullock é enquadrada e com ela chega o som do radiocomunicador dos dois, além das vozes do comando da missão na Terra – um pequeno luxo com a participação de Ed Harris, que empresta apenas sua voz. Os enquadramentos a partir dali vão se tornando os mais inusitados possíveis, principalmente na busca do diretor por eles. O olhar de Cuarón viaja com a gravidade zero para colocar seus atores em cena e como já havia feito em Filhos da Esperança mostra destreza em criar longas cenas sem cortes aparentes. De repente o inferno orbital começa e chama atenção a segurança do filme em não criar efeitos sonoros para o quebra-quebra que leva Bullock a uma situação desesperadora: como vencer a inércia que lhe jogou para longe de seu veículo?

Gravity

Interessante é perceber que quando os detritos de um satélite russo começam a destruição, o desespero captado pelo rádio dos personagens e a ótima trilha sonora de Steven Price parecem compensar a “falta de som” espacial – como você bem sabe, o som não se propaga no vácuo. Da mesma maneira que o longa te põe no exato lugar do personagem, afinal, sem ouvir nada, você só percebe a chegada dos destroços que orbitam o planeta quando eles começam a colidir com as coisas. Se o cineasta é conhecido pela beleza plástica de seus filmes, agora ele criou sua primeira obra de tensão permanente.

Mais interessante ainda é tentar desvendar como foram aplicados os eficientes efeitos visuais do filme, que hora se incumbem de criar lindas imagens da Terra, hora são puro instrumento da invetividade de Cuarón, a exemplo do simples reflexo do planeta na viseira de Sandra enquanto ela gira espaço afora ou no mergulho da câmera para dentro do mesmo capacete e, assim, se transformar em um plano subjetivo – espetacular –, o qual dá a sensação real da personagem em meio à confusão.

Sabiamente o filme ainda cria um drama pessoal para a protagonista que, aos poucos, se torna cada vez mais evidente no comportamento dela. A insegurança é o maior dos reflexos. Um bom trabalho de Sandra Bullock que poderia ter arruinado o longa, afinal, ela está só na tela em boa parte dos 90 minutos de Gravidade. Dela e de George Clooney, que exibe carisma elevado e não parece ser apenas o galã Clooney.

E essa é uma produção para ser assistida em tela grande, com bom som e aproveitando o melhor 3D feito até aqui ao lado de Avatar – explorado com a máxima eficiência em planos largos e profundos.

Nota: 9

GRAVITY

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