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Crítica: Rota de Fuga

escape_plan_posterSe fosse feito há mais de 20 anos, esse seria um dos maiores filmes (em termos de tamanho mesmo) da indústria do Cinema. Afinal, seria o encontro não-paródia entre Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger – o que já havia acontecido duas vezes na série Os Mercenários, mas verdade seja dita: até então tudo passava de uma grande piada em relação a filmes como Rota de Fuga (Escape Plan, EUA, 2013). Mas outra verdade seja posta: antes os dois tivessem se mantido rindo de si mesmos.

O caso é que a produção que reúne os dois maiores astros dos filmes de ação da década de 80 até tenta ser um filme divertido e razoavelmente bem traçado, mas fica na vontade. As viradas de roteiro não causam impacto e as coisas são um tanto convenientes para os personagens. É como a carreira de Stallone e Schwarzenegger atualmente: morna e com um ou outro momento realmente interessante.

A história começa bem com a apresentação do personagem de Sly sem muita conversa, mas com bastante mistério, o que deixa a plateia bem interessada. O ideal seria você ir ao Cinema sem saber absolutamente nada desse início para que o melhor do filme não fosse revelado. Pois é, o clímax de Rota de Fuga é sua abertura inteligente e divertida. O que é um problema, pois a partir dali a narrativa esfria e o que se tem é a velha história da tentativa de fuga de uma prisão aparentemente inviolável que vai envolver novamente Stallone com a ajuda de Schwarza.

O máximo que o roteiro de Miles Chapman e Jason Keller consegue dali pra frente é se fazer de inteligente ao colocar na boca de Stallone um sem número de informações sobre estruturas carcerárias. Algo que torna o segundo e terceiro terços do longa um grande falatório – que seria surpreendente para um filme dos protagonistas, cujos talentos normalmente são as cenas de ação, não fossem esses diálogos puramente expositivos.

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Fora que  Chapman e Keller são bem companheiros do especialista em fugas vivido por Sly. Afinal, há facilidades demais para que o personagem consiga elaborar seu plano na tal prisão. Chega a ser absurdo um local com tanta umidade, como o próprio Stallone salienta, ter peças de metal que podem ser corroídos pela ferrugem. Note que inicialmente ele acha que o local tem certa presença de água, o que poderia justificar o engano da teoria dele, mas logo descobre-se que a presença de água é bem maior. O que indica que ali esteve o pior engenheiro do mundo. Outra coisa é contar que guardas não verificarão in loco uma câmera que apagou de repente, achando que foi todo o sistema que falhou. Mais: o filme tem uma grande quantidade de brigas que servem para que os protagonistas consigam coisas, só que é conveniente demais que em nenhum momento eles sejam derrubados por outros presos em uma dessas pancadarias.

A boa notícia é que Schwarzenegger, ainda que canastrão até as tampas, é carismático e ganha a atenção do público, chegando ao ápice em um engraçado surto na solitária. Enquanto isso Jim Caviezel volta a ter um papel de destaque em uma produção maior desde A Paixão de Cristo e o desperdiça tamanha a fetação do diretor Hobbes que ele compõe. Típico vilão exagerado que tinha a intenção de ser divertido. Tinha. Assim como Rota de Fuga poderia ter sido legal. Poderia.

Nota: 6

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