Go ahead, punk. Make my day.

Archive for Novembro, 2013

Crítica: Jogos Vorazes – Em Chamas

Catching-fire-movie-posterTudo em Jogos Vorazes – Em Chamas (The Hunger Games – Catching Fire, EUA, 2013) ajuda na correção do principal erro do filme original: a composição dos personagens, que foram tão sabotados na estreia da franquia nos cinemas. Fora que, se no filme anterior apenas a cena em que Katniss (Jennifer Lawrence) se voluntaria no lugar da irmã para os tais jogos mostra o peso daquela arena de forma dramática, aqui a todo tempo parece haver uma sombra pairando a narrativa. O que é mais que conveniente, é necessário para que se entenda a gravidade de tudo o que acontece.

E que bom que o primeiro terço de Em Chamas seja, de longe, o mais soturno de toda a trama, afinal, ao abrir o longa com uma protagonista traumatizada com os eventos do primeiro Jogos Vorazes, você já sabe que poderá vir algo mais adulto por aí. Fora que é extremamente incômodo ver uma revolução se aproximando e um Estado oprimindo seus cidadãos enquanto Katniss e Peeta (Josh Hutcherson), sementes do levante, precisam posar de garotos-propaganda da Capital. É aí que vemos boa parte das cenas mais emocionantes de todo o filme, a exemplo daquela em que um velho é morto a tiros por demonstrar sinal de esperança ou de toda a passagem em que se lembra a memória de Rue.

Como já deu pra perceber, essa continuação segue a vida do casal que venceu os 74º Jogos Vorazes e precisa fazer uma excursão pelos distritos de Panem como manda o protocolo. Além disso, para se manterem a salvo,  Katniss e Peeta fingem um relacionamento na frente das câmeras, que pode realmente acontecer quando elas são desligadas. No meio disso antigos sobreviventes de toda a história dos Jogos são convocados para uma edição especial da disputa, enquanto a nação parece entrar em colapso. Sob a regência de um novo diretor, vivido pelo ótimo Philip Seymour Hoffman, a arena de matança terá o objetivo não só de acalmar a plateia com seu circo, mas também como sinal de que a esperança do fim do regime fascista da Capital não mais estará entre aquelas pessoas, já que seus símbolos irão morrer.

Catching fire

Ainda que num primeiro momento Em Chamas seja um bom drama, logo o roteiro se mostra com a mesma estrutura do anterior: apresentação de personagens, convocação, treino, jogos. O que mesmo não sendo algo exatamente original, consegue evitar problemas sérios como os comentários de redundantes/expositivos do apresentador Caesar Flickerman (Stanley Tucci com muitos dentes e hiper carismático) durante a luta entre os tributos. A grande diferença do esqueleto da trama é o final em aberto que se completará com o próximo da franquia: A Esperança – Parte 1. De qualquer maneira, mais uma vez o roteiro de Simon Beaufoy e de Michael Arndt, baseado no livro de Suzanne Collins, mostra preocupação com os personagens ao deixar bem clara a tristeza de Effie (Elizabeth Banks), quando esta descobre que o jovem casal que ela assessora irá voltar a lutar. Lembre-se do visual da moça da Capital e entenda o quanto esse símbolo da futilidade consegue mostrar algum sentimento. Repare especialmente na atuação de Banks quando ela convoca novamente a dupla central. Interessante.

Em contrapartida há alguns bons furos durante a disputa entre os vencedores, como um plano que envolve ligar um cabo entre dois pontos, no qual os aliados escolhem ir ao ponto final e voltar ao inicial desenrolando o tal cabo, ao invés de fazerem uma viajem única para isso – o que garante mais tensão, em sacrifício à racionalidade. Isso sem falar em momentos importantes do clímax do filme que estão muito amarrados para serem casuais. Fora que as manipulações do jogo parece simplesmente passar despercebidas do público que assiste ao reality show sangrento – que tal ameaças que podem matar a todos de uma vez só, como uma bruma venenosa, e simplesmente não haver vencedor? O público reagiria de que forma se isso rolasse?

Se não é perfeito,  Jogos Vorazes – Em Chamas por outro lado dá um salto de qualidade inesperado. Ele ainda prova que um filme de personagens fracos, baseado apenas em momentos encaixados em um fio de trama, nunca terá o mesmo peso daquele que dá profundidade àqueles por meio dos quais história se desenvolve. Assim não temos protagonistas e coadjuvantes caminhando conforme narrativa manda, mas sim, criando-a.

Nota: 8

Catching fire 2


Melhores rangos Disney

A Bela e a Fera

Nessa quarta-feira (28) é comemorado nos Estados Unidos o Dia de Ação de Graças, por isso o canal Oh My Disney do You Tube fez uma rápida, mas deliciosa compilação em vídeo dos “momentos  que mais dão água na boca de rangos da Disney” (tradução ruim e livre) para a celebração da data. De Enrolados ao espaguete de A Dama e o Vagabundo (clássico-mór), a montagem traz boas cenas de clássicos dos estúdios Walt com refeições de boa qualidade (e muita gula). Para mim, o jantar de A Bela e a Fera ainda continua o melhor. Ele ganha um pequeno espaço também, assim como a bebedeira de Gastón.

Para quem não sabe o feriado de Ação de Graças (ou Thanksgiving Day, no original) é uma data celebrada entre estadunidenses e canadenses. O objetivo é o agradecimento às coisas boas coisas recebidas durante o ano. Sabe aquela famosa festa de filmes americanos em que um peru gigante é destrinchado pelas famílias da América do Norte? Pois é.


Resumo (18 a 24 nov)

the-machinist-movie-posterO Operário (The Machinist, 2004). De Brad Anderson

Esforços físicos de atores para encararem um personagem não eram nenhuma novidade quando Christian Bale resolveu emagrecer para viver o estranho protagonista desse suspense. O caso é que ele emagreceu cerca de 30 quilos e levou o filme sozinho. Basta olhar para Bale, desde a primeira cena, para entender o que acabou de ler. Você nem precisaria de um filme inteiro para se impressionar. Mas eis que o diretor Brad Anderson conseguiu, junto ao roteirista Scott Kosar, criar um trabalho bizarro, que mistura perturbação psicológica e física. Física devido à magreza de Bale, que se mantém com cara de morto-vivo durante todos os 100 minutos da produção. Psicológica por causa do intenso mergulho na mente desse homem judiado. O filme trata do operário que sofre de insônia há um ano e devido aos sérios problemas de saúde tem a vida esfacelada enquanto tenta provar que não está maluco. Vale ressaltar a bela (e pesada) fotografia Xavi Giménez que cria ambientes escuros e de cores sem vida – afinal, estamos falando de uma caveira andante que não dorme. Grande trabalho pouco lembrado por premiações. Nota: 8,5

strangers-on-a-train-movie-posterPacto Sinistro* (Strangers on a Train, 1951). De Alfred Hitchcock

Por falar em atuações, fica bem claro, também desde o início, de onde vem a força do elenco desse filme. Robert Walker como vilão é perigoso e afetado, mas também carismático e o dono da melhor atuação. É ele quem propõe o tal pacto sinistro do título: ao encontrar o tenista vivido por Farley Granger, sua proposta é que ele mate seu pai enquanto Walker seria responsável por dar cabo à ex-mulher do atleta. O mocinho declina, só que o antagonista, não. Quando a mulher é morta começa a pressão do assassino para que o tenista dê continuidade ao plano. Mas como eu dizia, Walker toma conta de cada cena em que aparece por meio de uma atuação perturbadora ou simplesmente simpática – enquanto o personagem invade a vida alheia. O trabalho de Hitchcock, claro, garante imagens memoráveis, a exemplo da abertura que segue os passos dos dois estranhos antes deles se encontrarem trivialmente ou a figura distanciada de Walker ao vigiar Granger em uma escadaria – repare como ele se aproxima cada vez mais enquanto se infiltra na família do protagonista, até o ponto em que o homem passa a frequentar a casa da namorada de Granger. De ruim mesmo apenas a cena do carrossel, já nos minutos finais, que envelheceu um bocado e que tem um tom meio comédia que realmente não me agradou. Nota: 8

senna-2Senna (Idem, 2010). De Asif Kapadia

Documentário também é cinema e como tal deve abusar de imagens – tanto quanto de seus entrevistados – para obter um bom resultado. Senna, então, torna-se quase um tipo de cartilha nesse quesito. Em nenhum momento os entrevistados do filme dirigido por Asif Kapadia dão as caras. As imagens são casadas com seus depoimentos apenas em off, deixando que elas falem por si. Quando é anunciada a primeira mudança de equipe de Senna na Fórmula 1, po r exemplo, vemos uma McLaren em primeiro plano que, ao ser colocada nos boxes, dá lugar à imagem da Lotus pela qual o brasileiro disputaria a temporada de 1985. Um instante genial, afinal, brinca com a idéia de que a antiga escuderia vermelha e branca será o futuro, mas até lá Ayrton ainda faria história com o carro preto. Talvez o grande problema do longa seja mostrar um personagem quase sem defeitos – o que não chega a estragar as coisas. Tanto que depois de uma curva ascendente da carreira do ídolo nacional, Kapadia diminui o ritmo da produção e se torna cada vez mais sombrio para contar com detalhes os acontecimentos que precederam a morte do piloto. E se minutos antes Senna contava que no cockpit se sentia numa dimensão diferente e a imagem o seguia na câmera on board até que uma batida o trazia de volta à realidade, a mesma lógica é usada na volta em que o piloto se perde na curva Tamburello. Com a visão de dentro do carro, o filme faz com que o espectador siga, bem ao lado de Ayrton, os momentos finais do mito. A rima visual é sinistra, mas o que se segue é a consagração de um esportista que virou mais que foco de torcida, mas símbolo de um país. Arrepiante e triste. Nota: 8,5

*Filme assistido pela primeira vez


U2 + Mandela – Nova Música

mandela-poster

E você já ouviu a nova música do U2? “Ordinary Love” está na trilha sonora do filme Mandela – Long Walk to Freedom, mais uma bio do líder político da África do Sul, Nelson Mandela. O filme, inclusive, é cotado para o Oscar na atuação de Idris Elba, o qual esteve em Thor – O Mundo Sombrio e Círculo de Fogo nesse ano.

A banda irlandesa lançou recentemente o clipe com a letra da música. Ficou bonito, assim como a canção – que não chega a ser espetacular, mas é bacaninha. Obviamente já é mais uma em potencial para o prêmio da Academia. O U2 nunca concorreu a um Oscar, mesmo tendo feito canções para filmes que estiveram na festa, como Gangues de Nova York.


Aningaaq – O curta que completa Gravidade

 Aningaaq - Gravidade

Você se lembra daquele momento de Gravidade em que Sandra Bullock tenta desesperadamente se comunicar com alguém na Terra e capta o sinal de uma pessoa chamada Aningaaq? Pois o filho e roteirista do longa-metragem de Alfonso Cuarón, Jonás, preparou um curta-metragem mostrando o ponto de vista de Aningaaq e como foi o diálogo (ou tentativa) com a Dra. Stone.

É um curta simples, mas muito bem encaixado no contexto de Gravidade. Além disso, ele foi inscrito pela Warner na categoria melhor curta-metragem do Oscar. O que quer dizer que se o filme Alfonso Cuarón estiver na premiação da Academia, poderá ter a companhia desse tipo de spin off – que, na minha opinião, nem é tão bom assim, mas está inserido em um contexto tão bacana, que se engrandece.


Há alguns anos… – Yippee-ki-yay, motherfucker

Sobrevivendo há 25 anos

Duro de Matar

 

Alan Rickman, Bruce WillisJohn McTiernan nas gravações de Duro de Matar (1988)


Resumo (4 a 17 nov)

contagion-posterContágio* (Contagion, 2011). De Steven Soderbergh

Me lembro que quando esse filme foi lançado houve uma onda de críticas, que, basicamente, diziam que se tratava de uma produção mediana. Foi com grande surpresa que assisti ao longa e gostei, principalmente dos aspectos humanos da produção. Contágio conta, basicamente, como uma doença se alastra em escala mundial e dizima milhões de pessoas. É bem verdade que a produção tenta, sem sucesso, ser um tipo de Traffic (o melhor de Soderbergh), mostrando várias ramificações do problema – desde o drama de doentes ao combate em alto escalão da Organização Mundial da Saúde. De qualquer forma, a diversidade da trama consegue bons momentos, mesmo não sendo homogênia. O melhor exemplo é como Marion Cotillard é esquecida a certa altura da história, sendo que, por outro lado, a participação de Kate Winslet é das mais emocionantes, misturando efetividade para a trama e um lado humano que só se iguala à linha narrativa da família de Matt Damon – como não se emocionar com o desfecho simples e, ainda sim, bonito que o roteiro de Scott Z. Burns descola para eles? Mesmo nos erros, ainda é possível encontrar acertos, como no jornalista vivido por Jude Law. Figura que tem um história contada com saltos – sabemos os pontos de partidas e o fim de suas investigações, mas nada sobre os meios -, ele se torna uma figura necessária para contestação, ainda que, no fim das contas, não passe de mais um que se beneficia financeiramente com a dizimação de parte da população, dando certa profundidade ao personagem. Fora que o início de Contágio é uma aula de como o Cinema pode te deixar paranóico com uma série de planos-detalhe que mostram vários pontos que se tornam perigosos apenas pelo toque de uma pessoa supostamente doente. Nota: 8

HookHook – A Volta do Capitão Gancho (Hook, 1991). De Steven Spielberg

A trama desse filme já é atraente o bastante para que você seja levado a assisti-lo: e se Peter Pan, de alguma forma, fosse trazido para o nosso mundo e acabasse se tornando um adulto? Pois ele seria um tipo de pai ausente e chato. Mas nada que um pouco de mágica não possa reverter. Além do bom ponto de partida, a produção não tem vergonha de ser infantil e baseada em muito visual e comédia. Além, claro, de atuações memoráveis. Dustin Hoffman, então, é um vilão que você adora odiar em meio a trabalhos de composição e de maquiagem impressionantes. Fora que Robin Williams mostra serviço (como de costume) em um papel que poderia exigir um ator mais atlético. Surpreende por ser bom como pai exigente e herói de ação. Vá lá que é meio difícil de ser convencido de que o filho de Peter se transforme tão completamente em três dias, só que o tom pueril da produção permite que aceitemos esse deslize sem que percamos o encanto por todo aquele mundo. Aliás, esse mundo é literalmente construído em bons cenários misturados a muitos efeitos visuais. Nota: 8

*Filme assistido pela primeira vez