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Crítica: O Conselheiro do Crime

O Conselheiro do CrimeÉ até irônico que O Conselheiro do Crime (The Counselor, EUA/Reino Unido, 2013) tenha esse nome – no original, O Advogado, apenas. Quando mais se espera da esperteza do homem do título, descobre-se que o conhecimento jurídico dele não serve de nada e é ele quem recebe várias lições do submundo. Partindo de um roteiro original de Cormac McCarthy (autor do livro que deu origem a A Estrada), não se trata de um filme-parábola complexa como foi Onde os Fracos Não Têm Vez (outra adaptação de sua obra), mas traz uma trama sem qualquer concessão sobre ganância, ingenuidade e realidade.

São interessantes os encontros entre Michael Fassbender e aqueles com os quais se envolve no mundo do crime, como Javier Bardem e Brad Pitt. O primeiro aparenta confiança e troca  informações de como farão uma transação envolvendo um carregamento de drogas. O conselheiro, no entanto, é alertado algumas vezes de que aquilo não é para qualquer um e há muito mais que sua própria vida no tabuleiro do jogo. A primeira conversa com Pitt, nesse sentido, é um primor de construção e tensão. O ator se mantém no diálogo com Fassbender com um tipo de sorriso no rosto, mas a todo momento lembra que o negócio só tende ao pior. Não se sabe se é um teste ou mesmo um alerta – e em ambos os casos a conversa leva a risinhos de nervosismo.

A abertura do longa é de uma pessoalidade ímpar. Fassbender e sua namorada, Penélope Cruz, são flagrados em um momento extremamente íntimo e Ridley Scott filma tudo com a delicadeza dos lençóis do casal, o que estabelece a ligação forte entre eles e o público que vai ser necessária para que, à frente na trama, entenda-se outros alertas que o “conselheiro” irá receber.

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Fora que a arrogância e amor de Fassbender trabalharão para o clímax da história se tornar mais perigoso. Um clímax interessante, feito de ações que privilegiam o sentimento do protagonista ante a decisões drásticas que ele deve tomar e não exatamente do corre-corre que um longa sobre o crime poderia render. Culpa de Cormac McCarthy, que, em analogia, busca construir suas histórias por meio da movimentação dos peões no tabuleiro e não no ataque em si.

Se ele erra é em apostar em um desenvolvimento lento e cheio de muitos mistérios a serem desvendados aos poucos. A quantidade de diálogos importantes e as muitas metáforas exige muita atenção e pode fazer com que o espectador, por vezes, se irrite com a limitação de explicações. Funciona em criar corpo para o filme, que parece crescer, mas em uma análise um pouco mais criteriosa o que se descobre é que tudo poderia ter sido contado sem muita enrolação.

Ganha pontos pelo elenco afiado, do qual até Penélope, meio limitada pelo objetivo narrativo de seu personagem, se sai bem. Bardem, que parece se especializar em trabalhos exagerados, tem presença que mistura afetação com pinceladas de drama bem distribuídas. Assim como Pitt mantém charme na medida certa para fazer outro personagem cuja função não é se desenvolver com a história, mas apontar os objetivos de McCarthy em relação à lição de seu protagonista. Enquanto isso, Fassbender está frágil como em poucas vezes se viu em um filme com sua presença. O grande destaque, porém, fica para para Cameron Diaz. Vê-la em cena em  O Conselheiro do Crime é como se ela tivesse uma carreira “mirim”, na qual esteve em filmes bestinhas como Tudo Para Ficar Com Ele ou Encontro Explosivo, e agora cresceu. Perigosa e boca suja, merece atenção em temporada de premiações.

Nota: 7,5

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