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Crítica: Os Suspeitos

prisoners-poster-high-resDesde o primeiro minuto, Os Suspeitos (Prisoners, EUA, 2013) se mostra como obra não dada a invencionices. O título, que aparece seco, dá a entender que o que temos à frente é uma produção focada em contar sua história. Afinal, há muito a ser visto, desde grandes reviravoltas a pequenos detalhes do roteiro inteligente, passando por momentos absolutamente tensos. Então, não se assuste quando perceber que já se passaram 2h30 e você ainda quer mais do futuro daqueles personagens.

A trama acompanha a penosa busca pelas filhas dos casais Keller e Grace Rover (Hugh Jackman e Maria Bello) e Franklin e Nancy Birch (Terrence Howard e Viola Davis). Elas desaparecem no Dia de Ação de Graças e dão início a uma corrida contra a probabilidade de encontrá-las vivas enquanto o tempo passa na cidade fria e chuvosa onde moram – bela e triste fotografia de Roger Deakins. Surgem ainda o suspeito Alex (Paul Dano), sua melancólica tia, Holly (Melissa Leo), e, talvez a pessoa mais interessante entre eles, o detetive Loki (Jake Gyllenhaal).

A direção de Denis Villeneuve praticamente dá licença aos atores e ao roteiro intrincado de Aaron Guzikowski para que seu filme se desenvolva. Ele é econômico e apenas sabe enquadrar para que as cenas transcorram. O que não é demérito algum, afinal, o cineasta sabe do potencial do material sem precisar reinventar a roda. Por isso, quando ele realmente põe sua direção em primeiro lugar, como em uma intensa cena, já no final da produção, em que um carro é acelerado ao máximo em meio a uma forte chuva, esse se torna apenas o momento forte derradeiro de um longa-metragem que te segura, literalmente, até o último segundo no canto da cadeira de nervosismo.

Em uma análise mais fria e sem levar em consideração as inúmeras amarrações que o texto de Guzikowski  faz,  Os Suspeitos não é muito diferente de centenas de outros filmes de gato e rato que já foram concebidos, afinal, há um crime a ser desvendado, guinadas e investigações. Mas é o caminho a ser trilhado que faz essa produção estar um patamar acima das demais. Não é bom nem revelar muito do que se passa para que os inúmeros sentimentos que o filme aflora sejam reservados para a sessão. Mas basta dizer que há um grande número de pistas falsas e em mais de um momento há a sensação de desespero genuíno e você se pergunta para onde ir se não há mais pistas.

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Fora que em meio a tudo isso há o drama das famílias que se comportam de maneiras diferentes frente à dor.  Keller vai às últimas consequências, enquanto sua mulher passa a usar medicamentos e passa a acusá-lo de não estar lá quando sua filha precisou. Ao mesmo tempo Franklin se fragiliza e sua esposa se tona um tanto sem reação. O certo é que se Os Suspeitos de tem algum problema, ele está na falta de espaço para o personagens de  Terrence Howard e Viola Davis, que são preteridos em relação aos protagonistas incontestáveis do filme, Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal. Para perceber a falta de espaço dos Birch, basta dizer que se Terrence se torna mais sensível que Jackman por causa do desaparecimento, seria prudente mostrá-lo um tanto mais pesaroso que o outro patriarca. O que não acontece.

Evidentemente o problema não estraga um filme cujos detalhes são tão importantes quanto a direção que a narrativa que toma. Perceba como Loki tenta esconder uma tatuagem no pescoço fechando a camisa até o último botão para que não se atentem ao fato de que ele já esteve em um reformatório – o próprio conta sobre a detenção a um padre. O fato de crianças estarem desaparecidas pelas mãos de supostos abusadores o liga de maneira pessoal ao caso, já que ao mesmo padre ele sugere que o internato onde esteve é um lugar de pedófilos. Seria esse passado que o levou a ter o tique de piscar o olho rapidamente? Mesmo tipo de minúcia de atuação que pode te levar às lágrimas em reações de Jackman. Em determinada altura ele treme a boca deixando transparecer a raiva de não ter informações da polícia sobre sua filha, além  de tremer a mão ao ver uma foto chocante. Da mesma forma que Paul Dano cria um tipo de expressão infantilizada e voz fina que não são exatamente sutis, mas de extrema qualidade.

Ainda que cheio de pormenores, Os Suspeitos consegue ser violento temática e graficamente, o que ainda assim não descamba para um fim em si, mas consequência de tudo o que se passa na vida das várias pessoas afetadas pelo rapto das crianças. Um filme que de tão satisfatório, sabe quando finalizar sua caminhada para que não se torne óbvio – e entende que o clímax aconteceu minutos antes.

Nota: 9

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