Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (18 a 24 nov)

the-machinist-movie-posterO Operário (The Machinist, 2004). De Brad Anderson

Esforços físicos de atores para encararem um personagem não eram nenhuma novidade quando Christian Bale resolveu emagrecer para viver o estranho protagonista desse suspense. O caso é que ele emagreceu cerca de 30 quilos e levou o filme sozinho. Basta olhar para Bale, desde a primeira cena, para entender o que acabou de ler. Você nem precisaria de um filme inteiro para se impressionar. Mas eis que o diretor Brad Anderson conseguiu, junto ao roteirista Scott Kosar, criar um trabalho bizarro, que mistura perturbação psicológica e física. Física devido à magreza de Bale, que se mantém com cara de morto-vivo durante todos os 100 minutos da produção. Psicológica por causa do intenso mergulho na mente desse homem judiado. O filme trata do operário que sofre de insônia há um ano e devido aos sérios problemas de saúde tem a vida esfacelada enquanto tenta provar que não está maluco. Vale ressaltar a bela (e pesada) fotografia Xavi Giménez que cria ambientes escuros e de cores sem vida – afinal, estamos falando de uma caveira andante que não dorme. Grande trabalho pouco lembrado por premiações. Nota: 8,5

strangers-on-a-train-movie-posterPacto Sinistro* (Strangers on a Train, 1951). De Alfred Hitchcock

Por falar em atuações, fica bem claro, também desde o início, de onde vem a força do elenco desse filme. Robert Walker como vilão é perigoso e afetado, mas também carismático e o dono da melhor atuação. É ele quem propõe o tal pacto sinistro do título: ao encontrar o tenista vivido por Farley Granger, sua proposta é que ele mate seu pai enquanto Walker seria responsável por dar cabo à ex-mulher do atleta. O mocinho declina, só que o antagonista, não. Quando a mulher é morta começa a pressão do assassino para que o tenista dê continuidade ao plano. Mas como eu dizia, Walker toma conta de cada cena em que aparece por meio de uma atuação perturbadora ou simplesmente simpática – enquanto o personagem invade a vida alheia. O trabalho de Hitchcock, claro, garante imagens memoráveis, a exemplo da abertura que segue os passos dos dois estranhos antes deles se encontrarem trivialmente ou a figura distanciada de Walker ao vigiar Granger em uma escadaria – repare como ele se aproxima cada vez mais enquanto se infiltra na família do protagonista, até o ponto em que o homem passa a frequentar a casa da namorada de Granger. De ruim mesmo apenas a cena do carrossel, já nos minutos finais, que envelheceu um bocado e que tem um tom meio comédia que realmente não me agradou. Nota: 8

senna-2Senna (Idem, 2010). De Asif Kapadia

Documentário também é cinema e como tal deve abusar de imagens – tanto quanto de seus entrevistados – para obter um bom resultado. Senna, então, torna-se quase um tipo de cartilha nesse quesito. Em nenhum momento os entrevistados do filme dirigido por Asif Kapadia dão as caras. As imagens são casadas com seus depoimentos apenas em off, deixando que elas falem por si. Quando é anunciada a primeira mudança de equipe de Senna na Fórmula 1, po r exemplo, vemos uma McLaren em primeiro plano que, ao ser colocada nos boxes, dá lugar à imagem da Lotus pela qual o brasileiro disputaria a temporada de 1985. Um instante genial, afinal, brinca com a idéia de que a antiga escuderia vermelha e branca será o futuro, mas até lá Ayrton ainda faria história com o carro preto. Talvez o grande problema do longa seja mostrar um personagem quase sem defeitos – o que não chega a estragar as coisas. Tanto que depois de uma curva ascendente da carreira do ídolo nacional, Kapadia diminui o ritmo da produção e se torna cada vez mais sombrio para contar com detalhes os acontecimentos que precederam a morte do piloto. E se minutos antes Senna contava que no cockpit se sentia numa dimensão diferente e a imagem o seguia na câmera on board até que uma batida o trazia de volta à realidade, a mesma lógica é usada na volta em que o piloto se perde na curva Tamburello. Com a visão de dentro do carro, o filme faz com que o espectador siga, bem ao lado de Ayrton, os momentos finais do mito. A rima visual é sinistra, mas o que se segue é a consagração de um esportista que virou mais que foco de torcida, mas símbolo de um país. Arrepiante e triste. Nota: 8,5

*Filme assistido pela primeira vez

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