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Archive for Dezembro, 2013

New Year’s Day

Que venha o Cinema de 2014!

2014

Ao som…


Crítica: O Som ao Redor

O Som Ao Redor A beleza de O Som ao Redor (Idem, Brasil 2012) está na inteligência. Do roteiro em criar um universo pequeno, mas que fala pelo todo e da direção elegante e sutil. O medo suburbano da violência parece ser o mote do realizador Kleber Mendonça Filho. A trama se passa em um bairro de classe média de Recife (PE). Lá a ótima fauna de personagens reconstrói na tela o medo que o brasileiro passa (há alguns anos) da pilhagem de seu patrimônio.

Tudo parte de um carro arrombado e logo há um grupo de seguranças explorando o filão na região. Esse medo é inspirado ainda por câmeras de vigilância ao redor de uma casa ou um cão de guarda. Mas o filme vai além e trabalha as idiossincrasias dos personagens a partir daquele tema. Seja em uma mulher que não suporta os latidos de um cachorro, uma vítima que precisa suportar um ladrãozinho playboy na família ou um “coronel imobiliário” que é dono de boa parte do bairro.

Por falar em coronelismo, é possível dizer que há mais camadas no filme. Partindo das fotos antigas que abrem o longa, passando pelo tal coronel urbano e chegando ao final que retoma todo o passado desse personagem, não seria exagero afirmar que a tal violência experimentada aqui é algo mais antigo que se imagina. Esse tipo de opressão apenas mudaria de ambiente e se adaptaria. Há, inclusive, uma forma de tocaia urbana bem clara e que envolve o grupo de guarda e muita paciência até chegarem ao alvo.

A inteligência de O Som ao Redor é tal que há alguns aspectos mais psicológicos e simbólicos que o permeiam. Há personagens com pesadelos com ladrões – em uma cena surrealmente medonha da invasão de inúmeros criminosos  – e a figura de um menino negro que surge em três ocasiões. Esse garoto parece retratar o medo constante e a presença da violência sobre os moradores daquela região. O fato de ele ser negro seria ainda uma alfinetada de Mendonça? Fato é que das três aparições, duas são sinistras: uma em cima de um telhado e outra no corredor de uma residência.

O Som ao Redor 1

Além de ser um estudo sobre a sociedade, o filme é muito bem acabado tecnicamente. Obviamente, o título obrigaria a produção a caprichar no som, o que acontece com maestria. A captação e mixagem sonoras surpreendem e fazem o espectador imergir na vizinhança, seja nas inúmeras externas do longa, seja na simples abertura da porta da sala de um apartamento que deixa invadir o barulho das ruas.

E como já foi dito, o filme é basicamente inteligência e, fora o roteiro, a direção é o melhor exemplo disso. Se o longa trata de personagens com medo da sua realidade, há algumas cenas em que os prédios estão muito acima das pessoas que os habitam. Perceba como há enquadramentos em que, de costas, as pessoas se deparam com uma série de edifícios no horizonte, que chegam a tapar o mar e salientam a opressão urbana. Fora pequenos momentos que mostram bem que Kleber Mendonça sabe o que faz na direção, como uma empregada que se despe para a câmera momentos antes de se tornar objetivo de desejo de outro personagem. A plateia masculina vai entender muito bem o que o homem está sentindo naquele instante. Quer mais um exemplo? A câmera em movimento logo no início do filme, a qual segue a crianças em patins e bicicleta – a volta que ela dá na quadra te situa muito bem no tipo de lugar retratado pelo filme, a classe econômica citada e o tipo de vítima envolvida no pavor contemporâneo: as famílias suburbanas e suas crianças.

A força motriz de O Som ao Redor vem da naturalidade e da curiosidade que o estudo de Kleber Mendonça Filho constrói aos poucos. Com atuações 100% interessantes de seu elenco, o cineasta (que também é crítico de Cinema) te prende na história e ainda guarda um desfecho mau. Não que o longa precisasse disso como catapulta qualitativa, mas acompanhar uma pequena reviravolta organicamente orquestrada nunca fez mal a ninguém.

Nota: 9

O Som ao Redor


Jingle Bells…

Feliz Natal!

GremlinsAo som de…

 


Imagem

Bilbo não aguenta mais o assédio

bilbo


Crítica: O Hobbit – A Desolação de Smaug

desolation_of_smaug_poster_largeA comparação mais direta que se pode fazer de uma continuação é seu filme original. No caso de O Hobbit – A Desolação de Smaug (The Hobbit – The Desolation of Smaug, EUA/Nova Zelândia, 2013), há ainda o comparativo com a segunda parte de O Senhor dos Anéis, As Duas Torres. E ainda que ele esteja bem cotado em relação aos dois filmes citados acima, engana-se quem acha que não existam falhas em meio à criatividade do diretor Peter Jackson.

A grande vantagem dessa segunda parte da aventura de Bilbo Bolseiro (Martin Freeman), Gandalf (Ian McKellen) e o grupo de anões é conseguir se inserir em meio à ação sem uma grande introdução – o que ajuda muito em uma trama de 2h41, que, fica claro, é uma esticada monumental (e desnecessária) da obra de J.R.R. Tolkien. O fato é que A Desolação de Smaug é mais movimentado que Uma Jornada Inesperada. E ainda há uma boa quantidade de nós se atando à trilogia O Senhor dos Anéis, com a aparição de Sauron e o retorno de personagens “clássicos”, enquanto a comitiva anda pela Terra Média até a Montanha Solitária. Lá, dorme o dragão que tomou o reino dos anões.

Outra característica positiva do longa é como Jackson cria momentos divertidos ao longo da narrativa. A sequência que envolve toda a escapada dos anões do reino de Thranduil é, ao mesmo tempo, hilária e empolgante, seja com um barril passando por cima dos inimigos enquanto um anão faz dele um tipo de armadura ou quando flechas são disparadas com estilo e os planos elaborados pelo diretor potencializam o efeito – veja a certa altura um elfo apontar um arco de frente para a câmera e um orc aparecer no quadro apenas para ser ferido na cabeça.

Mas a produção vai além com um realismo incrível na direção de arte (e decoração) de Dan Hennah e Ra Vincent e na fotografia em 48 quadros (frames) por segundo de Andrew Lesnie. Vale ressaltar aqui que o filme corrige as “acelerações” de elementos cênicos em cenas de ação características da taxa de frames alta. Elas são quase imperceptíveis se comparadas, por exemplo, ao veículo do mago Radagast em Uma Jornada Inesperada, o qual pecava bastante no quesito “movimentação”.

Só que nem tudo são as riquezas guardadas pelo dragão-título. Peter Jackson parece não se conter nos excessivos movimentos de câmera. É bem verdade que eles ressaltam a qualidade técnica do filme ao viajarem pelos ambientes ou abrirem o enquadramento. Assim como é verdade que há exageros em câmeras que parecem não estarem satisfeitas em mudarem de ângulo com um corte na montagem – até closes são feitos em movimentos que não ressaltam nada.

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Por falar em montagem, vale um parênteses para lembrar o incrível trabalho de Jabez Olssen na passagem perturbadora pela Floresta das Trevas. Pena que ele só consegue manter um trabalho decente no clímax do longa. Quando Smaug entra em cena, há um combate e a plateia ainda é obrigada a acompanhar acontecimentos na Cidade do Lago. O que é compreensível para que exista afeição entre os moradores do local e a público como forma de influência para os fatos que virão futuramente. Entretanto,  A Desolação de Smaug beira os problemas de As Duas Torres e as três linhas narrativas no clímax do filme de 2002 – você se lembra do chato debate dos Ents?

Eis, então, que surge o personagem mais esperado desse segundo O Hobbit: o dragão Smaug. Com visual incrível e vozeirão de Benedict Cumberbatch (porém alterado), ele impressiona, mas nos primeiros momentos em cena, trata-se de um chato de galochas. Smaug fala, ameaça, bufa, fala mais um pouco e sobra para Martin Freeman, em um trabalho espetacular, segurar a cena. Não que ele mostre serviço apenas aqui, mas com o quase desperdício do antagonista, o Bilbo de Freeman ganha ainda mais visibilidade. As coisas só esquentam mesmo quando Smaug passa a cumprir suas ameaças.

Por falar em gente desperdiçada, a volta de Legolas (Orlando Bloom) só é justificada para que exista um elfo que consiga ligação imediata com o espectador – a atuação de Bloom se  resume a arregalhar os olhos -, já que Tauriel não diz a que veio e se transforma em puro elemento da sequências de ação. O background dado pelo roteiro a ela é um romancezinho que tem cara de final trágico/meloso para o próximo filme da trilogia. Só que no lado oposto disso há um Gandalf que se mostra manipulador sem ser mau e um Thorin que, nobre no primeiro filme, agora deixa transparecer características negativas, como a avareza de seus antepassados, e se torna mais complexo. Da mesma maneira que o Um Anel passa a afetar Bilbo.

Tendo ainda uma série de personagens que servem a um propósito da trama e somem sem muita contribuição à obra (Beorn) ou não têm razão de estarem ali (Radagast),  O Hobbit – A Desolação de Smaug ganha de um lado e perde de outro, mas mantém o equilíbrio em filme que está à altura do original, só que perde a chance de elevar a adaptação cinematográfica como um todo.

Nota: 8,5

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Resumo (9 a 15 dez)

the-gooniesOs Goonies (The Goonies, 1985). De Richard Donner

Impressionando já pelo fato de ter Richard Donner no comando de um filme tão diferente em sua carreira – o cineasta eclético que até então tinha estado à frente de A Profecia, Superman e O Feitiço de Áquila, por exemplo -, Os Goonies é uma aventura pra lá de satisfatória sobre amizade, inocência e fantasia juvenil. O tom leve do filme começa na subversão das pesadas histórias de cadeia com um suicídio falso que vai levar à fuga e à perseguição de bandidos mais bestinhas possíveis, mas que se transformam em ótimo veículo para apresentação de quase todos os personagens. A partir dali, o clássico pré-adolescente cimenta em nossas memórias a lenda de Willie Caolho e ainda cria um dos grandes coadjuvantes do Cinema: o estranho, mas ultra carismático Sloth. O filme tem uma pegada de Indiana Jones nas inúmeras armadilhas que são postas no caminho do grupo de amigos em ótimo ritmo. O diferencial é conseguir suscitar na plateia um sentimento de aventura pueril, na qual o amor e amizade da mais tenra idade está presente. Os mais velhos se lembram daquelas travessuras das antigas e os mais jovens se identificam na coragem que dos jovens que buscam um tesouro para quitarem uma dívida e se manterem juntos. Classiqueira das sessões das tardes oitetistas. E ainda tem Cyndhi Lauper na trilha sonora! Nota: 8,5


Há alguns anos… – Helen Mirren

Ela é uma GILF, porque quando era jovem era assim.

Mirren

Helen Mirren na juventude (Não importa o ano)