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Crítica: Carrie – A Estranha (2013)

carrie-posterDizer que essa nova versão de Carrie – A Estranha (Carrie, EUA, 2013) é algo desnecessário pode parecer coisa de crítico ranzinza, mas basta pôr os olhos na produção para perceber que não há novidade que justifique a existência desse remake. Exceto por juntar duas grandes atrizes da atualidade, nada desperta curiosidade – e olha que, infelizmente, o trabalho de Chloë Grace Moretz é instável a ponto de comprometer a carreira da moça após o outro grande projeto dela em 2013, Kick Ass 2, não ter sido muito bem recebido pela crítica.

O filme até tenta se afastar do Carrie original, de 1976, dirigido por Brian De Palma. Mas a comparação é inevitável, principalmente quando algumas cenas estão presentes em ambos os filmes. Veja o exemplo do momento em que Carrie menstrua. Enquanto De Palma fez uma passagem extremamente íntima e bonita, explorando, inclusive, a brancura da pele de Sissy Sapcek como elemento de pureza importante para o que viria seguir. Dessa vez, o momento parece menor com a direção de Kimberly Peirce, que deixa a força da cena para a cena seguinte, quando a protagonista é humilhada pelas colegas de escola.

Nota: ainda que o roteiro de Lawrence D. Cohen e Roberto Aguirre-Sacasa tente justificar o momento ao contar que Carrie passou parte da vida estudando com a mãe, acho muito difícil que uma jovem não tenha o conhecimento necessário hoje em dia para saber o que é uma menstruação. Enfim.

A trama continua a mesma, garota que se descobre além da obsessão religiosa de sua mãe, mas enfrenta uma vida escolar difícil e explode em uma sangrenta noite de vingança telecinética. Poderes esses que ganham força nessa refilmagem. A garota passa boa parte do tempo em busca de informações sobre sua condição e os usa com mais frequência. Aí você diria que essa é a grande novidade da produção. Besteira. Inclusive há um momento de conflito entre mãe e filha desperdiçado com o uso da telecinese da jovem sem qualquer intensidade, ainda que esse, em tese, fosse um dos pontos de virada no relacionamento de submissão entre mãe e filha.

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A direção Peirce, então, se mostra descuidada e preguiçosa. Ao mesmo tempo em que não traz novidade alguma, são latentes erros como um cordão umbilical inexistente logo na abertura do filme e móveis que mesmo suspensos no ar e depois deixados em queda livre voltam para a exata posição de onde saíram. Isso sem contar que a falta de sutileza no uso dos poderes da personagem-título não está só. A certa altura, ao ouvir barulhos no quarto da filha, a matriarca vai verificar o que está havendo com uma faca na mão. A pergunta é: precisava mesmo da lâmina para fiscalizar a adolescente?

Por falar em problemas, é com pesar que se vê na tela Julianne Moore completamente deslocada em um projeto que não é terror nem drama e não exige mais que umas caras de louca da atriz. Enquanto a colega de cena, Chloë Moretz, que até aqui se mostrou sempre em boa forma, passa vergonha com as caras e bocas usadas para que sua personagem demonstre surpresa/emoção/dificuldade com a telecinese que lhe aflora. A cena do banheiro em que um espelho se parte talvez seja o melhor (ou pior?) exemplo desse trabalho mediano.

Assim vamos à cena que poderia salvar o filme: o baile. Pois não serão os novos efeitos visuais e o trabalho corporal afetado Chloë Moretz que lhe tirará do Cinema satisfeito. A cena é pobre e não cumpre nem o dever de atualizar o momento para a atual tecnologia de CGI, uma vez que os objetos movidos com a mente da garota são artificiais e ver gotas subvertendo a Lei da Gravidade não é exatamente algo novo. Além disso, Carrie aposta em mortes com detalhes sangrentos para tentar causar algum tipo de catarse. Soa gratuito.

Entendo que tenha sido esperta a intenção de recriar a maior história de vingança contra o bullying do Cinema. Afinal, nunca se falou tanto sobre o assunto. Mas um filme que obviamente está atrás de alguns caraminguás da plateia sem querer, no mínimo, discutir a violência psicológica ou física sofrida pelos estudantes do início desse século, é tirar vantagem do sofrimento alheio. Filme desnecessário e de final ridiculamente em aberto.

Nota: 5

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