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Crítica: O Hobbit – A Desolação de Smaug

desolation_of_smaug_poster_largeA comparação mais direta que se pode fazer de uma continuação é seu filme original. No caso de O Hobbit – A Desolação de Smaug (The Hobbit – The Desolation of Smaug, EUA/Nova Zelândia, 2013), há ainda o comparativo com a segunda parte de O Senhor dos Anéis, As Duas Torres. E ainda que ele esteja bem cotado em relação aos dois filmes citados acima, engana-se quem acha que não existam falhas em meio à criatividade do diretor Peter Jackson.

A grande vantagem dessa segunda parte da aventura de Bilbo Bolseiro (Martin Freeman), Gandalf (Ian McKellen) e o grupo de anões é conseguir se inserir em meio à ação sem uma grande introdução – o que ajuda muito em uma trama de 2h41, que, fica claro, é uma esticada monumental (e desnecessária) da obra de J.R.R. Tolkien. O fato é que A Desolação de Smaug é mais movimentado que Uma Jornada Inesperada. E ainda há uma boa quantidade de nós se atando à trilogia O Senhor dos Anéis, com a aparição de Sauron e o retorno de personagens “clássicos”, enquanto a comitiva anda pela Terra Média até a Montanha Solitária. Lá, dorme o dragão que tomou o reino dos anões.

Outra característica positiva do longa é como Jackson cria momentos divertidos ao longo da narrativa. A sequência que envolve toda a escapada dos anões do reino de Thranduil é, ao mesmo tempo, hilária e empolgante, seja com um barril passando por cima dos inimigos enquanto um anão faz dele um tipo de armadura ou quando flechas são disparadas com estilo e os planos elaborados pelo diretor potencializam o efeito – veja a certa altura um elfo apontar um arco de frente para a câmera e um orc aparecer no quadro apenas para ser ferido na cabeça.

Mas a produção vai além com um realismo incrível na direção de arte (e decoração) de Dan Hennah e Ra Vincent e na fotografia em 48 quadros (frames) por segundo de Andrew Lesnie. Vale ressaltar aqui que o filme corrige as “acelerações” de elementos cênicos em cenas de ação características da taxa de frames alta. Elas são quase imperceptíveis se comparadas, por exemplo, ao veículo do mago Radagast em Uma Jornada Inesperada, o qual pecava bastante no quesito “movimentação”.

Só que nem tudo são as riquezas guardadas pelo dragão-título. Peter Jackson parece não se conter nos excessivos movimentos de câmera. É bem verdade que eles ressaltam a qualidade técnica do filme ao viajarem pelos ambientes ou abrirem o enquadramento. Assim como é verdade que há exageros em câmeras que parecem não estarem satisfeitas em mudarem de ângulo com um corte na montagem – até closes são feitos em movimentos que não ressaltam nada.

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Por falar em montagem, vale um parênteses para lembrar o incrível trabalho de Jabez Olssen na passagem perturbadora pela Floresta das Trevas. Pena que ele só consegue manter um trabalho decente no clímax do longa. Quando Smaug entra em cena, há um combate e a plateia ainda é obrigada a acompanhar acontecimentos na Cidade do Lago. O que é compreensível para que exista afeição entre os moradores do local e a público como forma de influência para os fatos que virão futuramente. Entretanto,  A Desolação de Smaug beira os problemas de As Duas Torres e as três linhas narrativas no clímax do filme de 2002 – você se lembra do chato debate dos Ents?

Eis, então, que surge o personagem mais esperado desse segundo O Hobbit: o dragão Smaug. Com visual incrível e vozeirão de Benedict Cumberbatch (porém alterado), ele impressiona, mas nos primeiros momentos em cena, trata-se de um chato de galochas. Smaug fala, ameaça, bufa, fala mais um pouco e sobra para Martin Freeman, em um trabalho espetacular, segurar a cena. Não que ele mostre serviço apenas aqui, mas com o quase desperdício do antagonista, o Bilbo de Freeman ganha ainda mais visibilidade. As coisas só esquentam mesmo quando Smaug passa a cumprir suas ameaças.

Por falar em gente desperdiçada, a volta de Legolas (Orlando Bloom) só é justificada para que exista um elfo que consiga ligação imediata com o espectador – a atuação de Bloom se  resume a arregalhar os olhos -, já que Tauriel não diz a que veio e se transforma em puro elemento da sequências de ação. O background dado pelo roteiro a ela é um romancezinho que tem cara de final trágico/meloso para o próximo filme da trilogia. Só que no lado oposto disso há um Gandalf que se mostra manipulador sem ser mau e um Thorin que, nobre no primeiro filme, agora deixa transparecer características negativas, como a avareza de seus antepassados, e se torna mais complexo. Da mesma maneira que o Um Anel passa a afetar Bilbo.

Tendo ainda uma série de personagens que servem a um propósito da trama e somem sem muita contribuição à obra (Beorn) ou não têm razão de estarem ali (Radagast),  O Hobbit – A Desolação de Smaug ganha de um lado e perde de outro, mas mantém o equilíbrio em filme que está à altura do original, só que perde a chance de elevar a adaptação cinematográfica como um todo.

Nota: 8,5

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3 responses

  1. Carol Aleixo

    Preciso assistir de noooooovo para poder opinar mais sobre a atuação do Legolas e ter certeza que me frustrei com a inclusão irrelevante do Beorn. Ele é o mais massa do livro na minha opinião. Por Tolkien, a contribuição do personagem é imensa e importantíssima. Chateada! Esperava muito mais. Anyway…

    19 de Dezembro de 2013 às 1:48 AM

  2. Eduardo Almeida

    Hó, smaug o terrivel!
    Hó, smaug, calamidade das calamidades!
    Hó, smaug, aquele que deve ter dado um trabalhão para renderizar!!!!
    Kkkk
    Muito boa a critica!!!

    19 de Dezembro de 2013 às 2:48 AM

    • Muito bom o comentário hahaha

      19 de Dezembro de 2013 às 8:35 AM

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