Go ahead, punk. Make my day.

Resumo de Janeiro

Resumo dos filmes vistos nesse início de ano

chinatown-1974Chinatown* (Idem, 1974). De Roman Polanski

O noir colorido de Roman Polanski é um emaranhado de direção minimalista, roteiro intrincado, atuações cínicas/dramáticas e desfecho do mal. Os personagens, como era de se esperar, estão naquela faixa cinza do comportamento humano, nem sempre bonzinhos, nem sempre vilanescos. Contar com a atuação de Jack Nicholson nesse sentido é um grande trunfo. O ator está no auge e o protagonista que ele encarna, Gites, hora é o esperto, hora é o enganado. Ver a Evelyn Mulwray de Faye Dunaway o fazendo dar voltas e voltas, então, é instigante. Isso acontece não para que o investigador seja transformado em figura de escárnio, mas para fazer do filme mais realista, em que nada é do jeito que se quer que seja e as investigações sigam caminhos tortuosos. Não bastando isso, a certa altura surge em cena o grande John Huston atuando. O personagem importante para a trama tem um dos melhores diálogos de todo o filme em um almoço com Nicholson – momento ácido e esclarecedor – e me lembrei imediatamente da presença de Max von Sydow em Minority Report. Seria uma homenagem de Spielberg a Chinatown? De qualquer forma, repare ainda nas bordas levemente deformadas nos quadros, conseguidas com lentes usadas pelo diretor de fotografia John A. Alonzo, como se quisesse dizer que há sempre algo errado em cena. Fora o uso aqui e ali de steady cam para realçar a crueza de alguns momentos. Instantes como o desfecho, que demonstram a melancolia da realidade. Nota: 9

dangerous_liaisons posterLigações Perigosas (Dangerous Liaisons, 1988). De Stephen Frears

Malícia é a palavra que define esse drama de época que foge das tramas políticas ou de amor romântico e se concentra nas relações do título e em como o tédio de nobres se transforma em jogos sexuais. A maldade permeia todo e qualquer diálogo que envolve Glenn Close e John Malkovich nesse longa, mas ainda sim, a ironia de ambos não deixa seus personagens se transformarem em vilões absolutos. O que, de toda maneira, parece se aproximar mais da realidade sempre libidinosa de qualquer época em que um homem viveu. Ligações Perigosas é pomposo em seus figurinos e ambientações, mas mostra que isso é apenas um verniz social que riquezas podem proporcionar, já que naquilo que realmente importa, nas pessoas, há podridão e má intenção. Stephen Frears trabalha com esse tipo de limite e só dá um fio de esperança por meio da culpa que consome quem mais consumiu a bondade alheia. Só que de acordo com o filme, há apenas uma forma de redenção em relação à maldade – e que também serve egoistamente para acabar com a culpa. Veja e entenda. Nota: 8,5

cruel_intentions_posterSegundas Intenções (Cruel Intentions, 1999). De Roger Kumble

Interessante ponto de vista da mesma história de Ligações Perigosas para a realidade adolescente do fim da década de 90. Com a mesma lógica, o filme de Roger Kumble parece dizer que o burguês de hoje é o nobre de ontem que tem como única preocupação sua satisfação hedonista. Fora a mensagem mais aprofundada e salvo as devidas proporções, essa refilmagem fez um bom barulho na época de seu lançamento sem que seu público-alvo se desse conta da origem europeia da trama. Sem problema, a adaptação para a nova era levou em conta um ritmo mais acelerado para o público mais jovem, inseriu uma ironia mais rasgada e soube criar atmosfera teen por meio de músicas e atores de fácil identificação daquela geração (Sarah Michelle Gellar, Ryan Phillippe, Reese Witherspoon e Selma Blair). Falhou, porém, com a inserção de mais açúcar nos momentos finais. Obviamente falta a estirpe de seu original, inclusive sem a mesma maturidade (e dureza) de um dos melhores diálogos de Ligações Perigosas, quando Malkovich terminava o relacionamento com Michelle Pfeiffer. Mas o desfecho com sentimento de desforra vale o programa. Nota: 8

terminator_posterO Exterminador do Futuro (The Terminator, 1984). De James Cameron

De ficção-científica de verdade, temos aqui apenas o plot: num futuro distópico máquinas e homens batalham pelo controle do mundo, enquanto um robô exterminador é enviado ao passado, no ano de 1984, para matar a mãe do líder da resistência no tal futuro e evitar que ele nasça. De resto, há um grande filme de ação que, mesmo com as limitações da década de 80 em relação ao efeitos visuais, impressiona e diverte. Arnold Schwarzenegger não é exigido como ator, precisa apenas ser frio e inexpressivo – consegue. Enquanto isso, James Cameron se esbalda em sua fissura por tecnologia e maquiagem por meio do robô futurista. Quando menos se espera, porém, percebemos que há ironias no filme: 1. A evolução tecnológica temida no filme é a mesma que Cameron tanto ama. 2. O homem que protege a mãe do líder militar humano no futuro, John Connor, vem ao passado e se torna o pai dele – e você dá um nó na cabeça. Nota: 8

The Terminator 2 – Judgment DayO Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final (The Terminator 2 – Judgment Day, 1991). De James Cameron

Aqui sim há uma evolução e tanto. A mensagem da continuação do sucesso oitentista de Cameron era que uma máquina pode entender o que é ser humano e que o homem é quem deveria se conscientizar de seu ímpeto autodestrutivo. O exterminador mau volta como mocinho no presente e isso é um indício dessa mensagem. Fora que em termos de efeitos visuais, T2 foi uma verdadeira revolução na criação do T-1000, o vilão da vez feito de metal líquido e que ainda hoje chama a atenção. Culpa de James Cameron, que além de exigir o bom trabalho computadorizado, se mostra bem criativo no uso desses efeitos – e aí está a mágica da manutenção do impacto mais de 20 anos depois. O tom emocional e humano supera e muito seu original, que era até meio piegas. Isso e mais as cenas de ação, que aqui voltam com mais fôlego, turbinadas pelo orçamento de mais de US$ 100 milhões – uma nota preta na época e 15 vezes maior que o filme de 1984. Empolga, diverte e até Schwarzenegger consegue atuar. Nota: 9

*Filme assistido pela primeira vez

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2 responses

  1. Luana Roque

    Cruel Intentions, <3! Assisti só umas 20 vezes, sem exagero. Saudades da adolescência…

    11 de Fevereiro de 2014 às 12:30 PM

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