Go ahead, punk. Make my day.

Resumo (3 a 9 fev)

boyzOs Donos da Rua* (Boyz n the Hood, 1991). De John Singleton

De todos os filmes que já vi, posso afirmar que Os Donos da Rua é o que se propôs a mostrar um lado não turístico de Los Angeles e teve o maior impacto e melhor serviu à própria trama. O filme é o Era Uma Vez na América de John Singleton, mas sem NY, sem glamour e com o mesmo ímpeto para falar sobre seus personagens em meio a um ambiente hostil. Estamos na periferia de L.A. e acompanhamos a vida de um grupo de amigos desde a pré-adolescência até a o início da vida adulta. O roteiro de Singleton mostra como cada um sobrevive em um meio social em que armas, drogas, bebida e roubo são tão comuns que não se pode evitar, mas simplesmente desviar, já que o encontro com qualquer um desses elementos é uma certeza a cada esquina. Mas o tema principal de Os Donos da Rua está nos letreiros que abrem a produção e que informam uma triste estatística de homicídios entre os negros americanos. A produção mostra como isso acontece – e nada é mais cru e perturbador do que ver crianças passeando em um local de tiroteio ou procurar por um corpo morto a tiros ao lado de uma movimentada rua onde outros jovens jogam bola. É sintomático que um helicóptero ronde a vizinhança na qual o filme se passa, da mesma maneira que até policiais se transformem em ameaças a uma região estigmatizada. O filme tem uma tese e também uma linguagem, com direção vigorosa e de câmera próxima dos personagens – a qual está entre o pop de Martin Scorsese e o realismo de um documentário. Nota: 9

O Exterminador do Futuro 3 – A Rebelião das MáquinasO Exterminador do Futuro 3 – A Rebelião das Máquinas (Terminator 3 – Rise of the Machines, 2003). De Jonathan Mostow

Chega a ser triste que um filme com tom tão incorreto tenha uma interessante mensagem final de desânimo em relação à humanidade. Primeiro que em momento algum o roteiro dessa verdadeira bomba consegue justificar sua existência. Se tudo que levou ao desenvolvimento da inteligência artificial da Skynet foi destruído em T2, por qual motivo, então, a guerra no futuro continuou a existir? A resposta é que o Dia do Julgamento Final só foi adiado (E?). Fora que depois de se tornar uma franquia séria de ação, O Exterminador aqui ganha toques de comédia que simplesmente não deveriam ter lugar. Em certos momentos mais parece que estamos vendo um paródia do que uma continuação. Veja o exemplo do momento em que Arnold Schwarzenegger chega do futuro. No filme anterior, havia uma icônica e ameaçadora cena de briga de bar ao som de “Bad to the Bone”, de George Thorogood & The Destroyers. Nesse terceiro filme, Schwarza busca suas roupas em um tipo de clube das mulheres, tem que bater um dançarino rebolante e tira do bolso óculos de estrelinhas brilhantes – ao som de “Macho Man”, do Village People. Fora que se o T-100 marcou história como grande vilão, a T-X aqui não passa de uma desculpa para ter algum tipo de embate entre exterminadores. Não vou nem comentar as cenas de ação burocráticas. Mas a ironia é que o desfecho do filme é realmente surpreendente pelo tom desesperançado. Mas que também abre caminho para continuações. Nota: 4,5

Terminatior SalvationO Exterminador do Futuro – A Salvação (Terminator Salvation). De McG

Engraçado que vi muita gente falando mal desse filme e tive a sensação de não ver a mesma quantidade de críticas em relação ao filme anterior. O caso é que se o quarto longa da franquia não é perfeito, é bem amarradinho e ainda e guarda momentos verdadeiramente humanos. Se o T-X foi um exterminador absolutamente esquecível, aqui há um ciborgue que só tem precedentes no “sentimental” T-800 de Schwarzenegger em Exterminador 2. Fora que os roteiristas perceberam que a ideia de fazer mais um filme com o velho astro de ação já estava esgotada e resolveram colocar a trama dentro do conflito entre homens e máquinas no futuro em que John Connor é o messias. A quantidade de referências a toda a série também é bacana, seja em frases como “Se quiser viver, venha comigo” e “Eu voltarei” ou na participação especialíssima do exterminador original com a cara oitentista de Schwarza – tem até “You Could Be Mine”, do Guns n’ Roses, em certo momento. Mais: incrível como McG pode ser o mesmo cara que dirigiu o abilolado As Panteras é o que capricha em cenas de ação visualmente belas – a queda de um helicóptero em plano-sequência – e se contém em momentos mais sérios – um transplante de coração, por exemplo. Nota: 8

*Filme assistido pela primeira vez

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