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Crítica: A Menina que Roubava Livros

the-book-thief-posterÉ difícil acompanhar certa história quando esta não te oferece um conflito ou quando faz isso de maneira chocha. Dessa forma, é bem interessante ( e contraditório) o desenvolvimento do núcleo que protagoniza A Menina que Roubava Livros (Thr Book Thief, EUA/Alemanha, 2013). Se há algo que faz você avançar pela trama sem tensão são os personagens, que fluem pelo longa-metragem enquanto a história parece ser imposta, e não feita por eles.

A protagonista é Liesel Meminger (Sophie Nélisse), a menina que foi adotada pelos Hubermann, Hans (Geoffrey Rush) e Rosa (Emily Watson), na Alemanha nazista da II Guerra Mundial. Aos poucos a retraída menina começa a entender do que se trata o conflito internamente, enquanto tenta se adaptar à nova realidade familiar. O que mais a assusta é a forma como é tratada sua maior paixão: os livros. Muitos deles proibidos e queimados em praça pública.

Percebe-se, no entanto, que no roteiro de Michael Petroni (adaptação do livro de Markus Zusak) a trama envolvendo incursões do exército de Hitler pela vida da garota não tem lá grande resultado se comparado à interação familiar. A única exceção seria o acolhimento do jovem judeu Max (Ben Schnetzer), que não rende mais do que muito barulho por parte do segredo da família e uma cena solitária de “tensão” na qual um guarda nazista visita a casa e logo deixa o lugar. Outro exemplo são as invasões de Liesel à casa da primeira dama em busca de livros. Não há qualquer momento em que isso pareça perigoso – a certa altura ela chega a ter uma discussão com o melhor amigo em voz alta no jardim da residência.

Fora que o montador John Wilson é um verdadeiro sabotador. Junto a algumas narrações e o próprio roteiro há alguns desperdícios de boas cenas que poderiam aumentar a emoção de A Menina que Roubava Livros. Tome a passagem do bombardeio em que a população se esconde um abrigo e, de repente, Hans empunha seu acordeon para acalmar as pessoas com uma canção. Quando você menos espera a cena acaba e o que tinha potencial para humanizar ainda mais aqueles personagens se torna frustrante. É como se o filme dissesse: “Ok, já está feito, vamos à frente”. Da mesma forma que quando a jovem Liesel começa a contar uma história no mesmo abrigo, a montagem inventa uma elipse por meio de uma imagem no front de guerra que não casa com a cena nem traz tensão para o momento.

De qualquer forma, a relação paternal entre Rush e Sophie Nélisse realmente aproxima a plateia do filme. Ainda que conte com certa forçada para que Emily Watson pareça uma megera em seu primeiro encontro com a jovem e pela forma como trata o marido, o ator veterano e a jovem conseguem dinâmica própria: ela com um olhar vivo e ele com personalidade carismática e de incentivo à filha adotiva. Isso e mais o crescimento de Emily que, aos poucos, se humaniza.

Se o texto de Petroni não consegue criar uma pano de fundo relevante, a relação entre a protagonista e Max e também com Rudy (Nico Liersch) é das mais interessantes. A garota vive delicadamente na linha entre a amizade verdadeira e um amor adolescente ingênuo. O que leva a um rumo igualmente ambíguo, entre a tristeza e a beleza.

Nota: 7,5

A Menina que Roubava Livros

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