Go ahead, punk. Make my day.

Archive for Março, 2014

Se Os Pássaros fosse refilmado…

E aí, hein, Hitchcock?

Os Pássaros

Vi aqui


A briga com títulos de filmes

Movie Title Breakup

Um casal se encontra e absolutamente todas as palavras que saem da boca do homem e da mulher são títulos de filmes. A proposta do vídeo do canal POYKPAC Comedy não é só engraçada, mas também uma grande vitória dos roteiristas, que conseguem brincar e contarem uma história levemente surpreendente e que segura o interesse pelos acontecimentos que aqueles títulos (em inglês) vão desdobrando.

Movie Title Breakup é divertido e ainda tem boa montagem – e está longe de ser teatro filmado, com enquadramentos que oscilam e até se invertem (pontos para a direção). Gostei muito também de, no final, até títulos com onomatopeias serem usados e lembrados por que escreveu o curta.

Ah! As legendas são os cartazes das películas.


Resumo (10 a 23 mar)

from_dusk_till_dawn-posterUm Drink no Inferno (From Dusk Till Dawn, 1996). De Robert Rodriguez

Vindo dos sucessos de baixo orçamento El Marichi e A Balada do Pistoleiro, Robert Rodriguez estava ao lado de um dos nomes do momento do Cinema norte-americano, Quentin Tarantino, para fazer um filme que pode ser qualquer coisa, menos previsível. Começa com uma história policial daquelas boas e termina com um filme sobre vampiros, mexicanos e caminhoneiros. Mistura original e que deu liga. Ok, há um bocado de clichês e um péssimo ator, Ernest Liu, na produção, mas o excesso de sangue e o estilo trash do filme dão conta do recado e passam a mensagem: não há nada de sério aqui, relaxe e torça para os protagonistas, que terão boas provas pela frente. O que chama atenção é que nomes de peso não são poupados pelo roteiro, que chega a nos convencer que pode haver qualquer surpresa ao final de um noite no Titty Twister. Mas se nem a promessa de um filme divertido não te fizer assistir a Um Drink no Inferno, saiba que aqui há a cena de dança mais erótica que o Cinema viu na década de 90, com uma Salma Hayek indecente de tão bonita. Nota: 8

The Shining posterO Iluminado (The Shining, 1980). de Stanley Kubrick

Sim, esse é um dos filmes de terror mais complexos que se tem notícia, mas como muitos outros do gênero depende de sua trilha sonora para se fazer como obra de respeito. Só que aí as composições de Wendy Carlos e Rachel Elkind juntadas a outas obras já existentes criam um dos ambientes mais opressores que o Cinema conheceu. Some isso ao fato da família de Jack Nicholson estar a centenas de quilômetros de distância de qualquer outra ser humano no gelado Overlook Hotel e tem-se o ambiente mais que propício para o surto do protagonista que se tornou uma clássico tão grande quanto o livro homônimo, de Stephen King, que inspirou a produção. O Iluminado é um filme de terror de primeira – soturno e bizarro -, mas também serve como leitura extremada do desespero que um escritor pode sofrer ante a um bloqueio mental. Assim como há algo sobre a questão indígena americana, com outros preferem. O que, independentemente da leitura que se faz, não diminui a importância de um filme dirigido com maestria em suas câmeras que andam pelo hotel com os personagens e de atuação insanamente genial de Nicholson, que parte do sofrimento ao mais completo louco que quer ver a família morta. Nota: 9


Crítica: 300 – A Ascensão do Império

300 - A Ascensão do ImpérioNão, 300 – A Ascensão do Império (300 – Rise of an Empire, EUA, 2014), não é um grande filme e você provavelmente espera ver mais do personagem Xerxes – por consequência, mais de Rodrigo Santoro. Não verá, pois o vilão do filme original mal tem o que fazer em cena. Sim, há algo errado em como o longa-metragem foi vendido. O que chama a atenção, porém, é que essa continuação tem um narrativa mais complexa que seu predecessor. Infelizmente, isso não o impede de se tornar um filme de ação dos mais chatos.

 

Começando com uma enorme quantidade de narrações em off, o filme estabelece as bases da guerra que levou o império de Xerxes a marchar sobre a Grécia. É um tanto corrido e não há uma justificativa decente para como o Deus-Rei se torne, bem, um Deus-Rei – ele basicamente anda no deserto e depois entra em uma água mágica. Muito melhor é a criação da real antagonista de A Ascensão do Império, Artemisia vivida com muito gosto por Eva Green e sua habilidade em manipular – o melhor do longa.

 

Dali pra frente a trama se desdobra em acontecimentos paralelos e posteriores aos vistos no primeiro 300, o que por si só é interessante, já que consegue uma saída digna para uma continuação aparentemente desnecessária. O problema é que as vibrantes batalhas do primeiro filme e o filme de ação disfarçado de épico que foi a produção de 2006, aqui se torna apenas reverência ao visual concebido por Frank Miller e que ganhou identidade cinematográfica nas mãos de Zack Snyder. E um filme arrastado por causa do uso excessivo das câmeras lentas.

 

Não que em 300 o recurso tenha sido usado com parcimônia, mas em A Ascensão do Império o que percebe é que tudo é motivo para reduzir a velocidade dos movimentos. Funciona bem nas cenas de batalha, como na abertura em que Temístocles (Sullivan Stapleton, limitado) mata o rei Darios, mas cansa pela décima vez em que surge – lá pelos 10 minutos de filme. Da mesma forma que a a narração em off é intrusiva em alguns momentos – não basta mostrar uma estátua da Atena queimando e ruindo, tem que ter alguém falando que os persas avançam sobre os gregos. Seria bom se toda vez esses offs tivessem a beleza e fossem tão orgânicos quanto aquele com a voz da rainha Gorgo (Lena Headey) durante um embate, no terceiro ato, entre Artemisia e Temístocles.

 

Prepare-se para ver uma cena de sexo com Eva Green que fica entre o brochante e o desengonçado – sim, conseguiram estragar até a nudez dela -, e um filme de ação que dá sono por sua falta de vigor (câmeras lentas, muitas). Ainda que os efeitos visuais abundantes busquem estética por meio de galões de sangue jorrando – mesmo nos golpes de espada mais superficiais.

 

Nota: 6

 

300 - A Ascensão do Império - sangue

Crítica: RoboCop (2014)

Robocop posterA memória afetiva costuma pregar peças e faz filmes que envelheceram mal parecerem ótimos à vista de seus fãs. Não é o caso de RoboCop, de 1987, que mesmo parecendo datado em alguns aspectos (poucos), traz a marca do seu criador, Paul Verhoeven, um cara que sabe fazer cinemão sem se esquecer da mensagem. Nesse caso, algo um tanto satírico da política belicista americana e da “cultura do vencedor” no meio empresarial. Mas a tal da memória afetiva fez com que muitos torcessem o nariz quando José Padilha resolveu reviver o Policial do Futuro – inclusive esse que vos escreve, que não é muito fã de refilmagens. Mas como é bom estar errado…

O novo RoboCop (Idem, EUA, 2014) não deve nada a seu original em termos de reflexão, mas com algumas vantagens: é mais complexo, mais humano e mais sério. Tudo conseqüência de uma trama que em comum com o filme oitentista tem apenas o ponto e partida: Alex Murphy quase morre e é colocado em um copo cibernético. Até a forma com que ele é atacado aqui é outra. E se no antigo há curiosidade e encantamento pelo policial-robô quando esse dá as caras, aqui existe uma cena triste e bizarra no momento em que Alex se dá conta de que “dormiu” por meses e acordou quase como uma cabeça implantada a um monte de circuitos.

A complexidade do filme roteirizado por Joshua Zetumer está em como ele explora a difícil inserção de um homem consciente na armadura do RoboCop. Começa com Murphy recebendo a notícia e pedindo um tipo de eutanásia. Passa por sua humanidade levar certa hesitação em um ataque se comparado aos resultados de uma máquina. Chega ao ápice quando os cientistas precisam transformá-lo em um zumbi digital e zerar sua consciência para que ele possa se tornar um verdadeiro “policial do futuro” quando lembranças passam a perturbá-lo em um momento inesperado.

Não é possível dizer o quanto Padilha interferiu no roteiro, mas é claro que os vários tiros certeiros de Tropa de Elite 2 se repetem aqui. Não existe um vilão absoluto, a não ser o próprio Sistema se encarregando de criá-los. Em determinado momento ele é Mattox (Jackie Earle Haley) e seu asco pelo policial híbrido, enquanto o próprio Dr. Norton (Gary Oldman) é manipulador ao dizer à mulher de Alex que ser RoboCop é a única chance dele. Da mesma forma que Raymond Sellars (Michael Keaton) gravita entre o visionário e o ganancioso. Mas todos eles têm seus momentos por conta das circunstâncias e agem de acordo com suas convicções sobre o que momento que vivem. É possível dizer, inclusive, que o protagonista acaba se tornando relativamente egoísta a certa altura e, esquecendo de outros crimes, implode o departamento de polícia controlado pela Omnicorp (OCP) para resolver o atentado que sofreu. Obviamente a “boa intenção” do personagem justifica suas ações.

RoboCop 2014

O que no fim das contas está muito distante do caminho da sátira e visão suja do longa-metragem original, que também era cinema de ação e violência que o novo naturalmente não ousou ser e duvido que fosse conseguir, por questões mercadológicas. O que não impede Padilha de fazer rir muito com um Samuel L. Jackson em seu discurso nacionalista como um jornalista parcial.

Pena que os efeitos visuais dessa refilmagem não sejam lá essas coisas, principalmente nas corridas do RoboCop. Convencem, mas carecem de um pouco mais de retoques – basta comparar a seu irmão mais próximo, Homem de Ferro, para perceber isso. Fora que a câmera de Padilha não se cansa de rodar em movimentos largos entre cenários e personagens – lembra Eu, Robô em alguns momentos. Apenas exibicionismo, pois se sai melhor quando a mantém no ombro em momentos como o tiroteio no restaurante.

Trazendo uma seleção musical de primeira para emoldurar suas cenas – “Hocus Pocus”, do Focus ou “I Fought the Law”, do Clash -, inclusive com o tema do filme de 1987, de Basil Poledouris, RoboCop pode ser considerado tão interessante quanto o original – e com personalidade, o que é tão importante quanto em uma refilmagem. Tudo isso com ótimas referências em frases clássicas. “Obrigado pela sua cooperação”.

Nota: 8,5

RoboCop 2014 - in black


O remix do Lobo de Wall Street

The-Wolf-of-Wall-Street

Matthew McConaughey não só ganhou o Oscar de Melhor Ator por Clube de Compras Dallas, mas também roubou a cena em O Lobo de Wall Street – e anda fazendo barulho com a série True Detective. Nos poucos minutos em que Matthew está ao lado de (outro monstro) Leonardo DiCaprio, ele fala com rapidez, rispidez e inventa uma música para o personagem que dá o tom para as três horas do filmaço de Martin Scorsese.

Pois a galera do canal Eclectic Method, do YouTube, juntou o tema com uma série de falas do longa e fez um remix bacana e tão intenso quanto o personagem de DiCaprio. Diverte e nos lembra o quão maluca e vertiginosa é a história de Jordan Balfort.

Dica de Alexandre Barbosa

Sem mais falatório, aumenta o volume!


Resumo (3 a 9 mar)

captain-america-the-first-avengerCapitão América – O Primeiro Vingador* (Captain America – The First Avenger, 2011). De Joe Johnston
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Talvez pelo período no qual se passava (década de 1940), talvez por opção do então diretor Joe Johnston, Capitão América – O Primeiro Vingador acabou se tornando um filme ingênuo além da conta. A história de superação do franzino Steve Rogers que foi renegado quase uma dezena de vezes antes de conseguir entrar para o exército e se tornar o que é por meio de um experimento militar, tinha tecnológica anacrônica em excesso – até mesmo para um tipo de filme baseado em histórias em quadrinhos -, sofria com cenas de ação sem criatividade e o herói nunca parecia ser confrontado de maneira satisfatória, seja na facilidade de suas invasões a unidades militares, seja na figura insossa do Caveira Vermelha da adaptação. Poderia ser apenas uma aventura juvenil como Homem de Ferro ou Thor, mas contra o carisma de Tony Stark ou a presença impactante do vilão Loki, é difícil engolir uma corrida sobre-humana de Rogers e seu “final dramático” sem drama, já que o filme nem guarda qualquer suspense após a queda do avião do militar quando as ameaças parecem eliminadas naquele início de século 20. Nota: 6
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*Filmes assistido pela primeira vez