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Crítica: Sem Escalas

Sem Escalas poster - Non-StopNão que Sem Escalas (Non-Stop, EUA/Reino Unido/França, 2014) tenha a pretensão de ser um suspense para ficar na história do Cinema, mas sua falta de ambição acaba se tornando o melhor e o pior da produção. Por um lado entretém, por outro será esquecido em breve. Por um lado tem ótimo ritmo, por outro está cheio de situações convenientes demais. Mas no fim das contas pesa Liam Neeson aproveitando de novo sua persona em filmes de ação de forma bem firme.

Ele é um “air marshal”, autoridade policial que faz a segurança de voos pelos Estados Unidos, mas que viaja à paisana. Em mais de seus trabalhos, Neeson é confrontado por alguém que lhe manda insistentes mensagens no celular pedindo US$ 150 milhões, caso contrário matará uma pessoa na aeronave a cada 20 minutos. O que de fato acontece, mas o que não se espera é que o policial passe a ser o principal suspeito.

O roteiro de John W. Richardson, Chris Roach e Ryan Engle consegue carregar toda a trama levantando suspeitas para todo lado e ganham ainda mais pontos por conseguirem fazer isso em um ambiente tão restrito quanto um avião no ar. Chegam até a tentar criar um tipo de discussão sobre a paranoia americana sobre segurança e elaborarem situações em que o preconceito é posto em cheque com a presença de um muçulmano no voo e na atitude policial contra um negro. Em ambos os casos, a hostilidade inicial se transforma em pequenas lições de moral, ao se descobrir o primeiro é o único médico a bordo e quando o segundo devolve uma arma a Neeson. Merece destaque ainda a direção Jaume Collet-Serra que consegue se movimentar com sua câmera de forma fluída no ambiente restrito da aeronave. Destaque para o plano-sequência durante a revista aos passageiros, que se vale de efeitos visuais, mas também de elegantes movimentações como aquela em que a câmera paira sobre a cabeça das pessoas enquanto Liam anda de um lado para o outro.

Mas no fim das contas a despretensão de Sem Escalas é explicitada pelo filme de ação de final feliz que é. Há alguma substância na atuação de Neeson, mas seu personagem não é diferente de tantos outros policiais que o cinema retratou: com passado triste e obscuro, beberrão e mais heroico do que se esperaria de uma pessoa com tais fantasmas. Da mesma forma que incomoda que tantos planos malignos aconteçam em momentos tão oportunos, como um homem morrer no exato instante em que está sozinho com o air marshal ou uma arma que sobe ao ar ao lado do protagonista quando ele mais precisa ou caças aparecerem para proibir manobras minutos antes de uma delas ser necessária para salvar o voo. Cria tensão e você se diverte, mas haja conveniência.

Nota: 7

non-stop-Liam

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