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Crítica: O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro

The-Amazing-Spider-Man-2-posterO que é mais interessante na nova aventura do Cabeça-de-Teia nos cinemas é a comparação com o produto cinematográfico mais similar a ele: Homem-Aranha 3, de 2007. Eram três vilões, um filme com mais humor e, ao mesmo tempo, mais interessado em emocionar. Só que onde estavam os erros daquela produção, percebe-se um cuidado um pouco maior em O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro (The Amazing Spider-Man 2, EUA, 2014). Ele equilibra risadas, empolgação e choro, junto à corja tripla que põe na tela. De quebra ganha a credibilidade que a nova fase do herói nos cinemas não conseguiu em seu filme anterior.

A falta de tempo dos inimigos de Peter Parker e o embolado roteiro que criava história demais para filme de menos fecharam a trilogia de Sam Raimi para o Aranha há sete anos e deixou um gosto amargo para muita gente que havia surtado com Homem-Aranha 2 – ainda hoje o melhor do herói no Cinema. Fora as cenas em que Peter faz contorno com lápis no olho, deixa franjinha e passa a dançar, as quais despertaram muita vergonha alheia por aí. Era para ser engraçado, mas essa comicidade chega mesmo na mais nova produção. A cena que reapresenta o protagonista é exemplar nisso: logo nas primeiras frases dele, durante a perseguição ao mafioso russo Aleksei Sytsevich, vivido por Paul Giamatti, você vai se afeiçoar ao personagem sem muito esforço, tamanha a zoeira do momento.

Isso sem contar que toda a sequência é criativa e visualmente espetacular, vide o voo do Aranha logo de saída. E você vai perceber que não é só ela, já que em todos os embates com Electro há sempre algo realmente interessante, seja no uso preciso das câmeras lentas no primeiro encontro entre os rivais nas ruas de Nova York, seja na bela plástica do combate entre as torres de energia mais à frente na trama.

O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameaça de Electro

O que chama atenção é que o roteiro de Alex Kurtzman, Roberto Orci e Jeff Pinkner consegue organizar bem a participação dos antagonistas, que ainda inclui o Duende Verde. Enquanto há a introdução de Rino, Electro é responsável pela maior parte dos ataques diretos, por assim dizer, enquanto a Oscorp quase se transmuta em um personagem maléfico e impacta diretamente na vida Peter e de seu amigo Harry Osborn – não é segredo que ele se transformará no Duende. A coisa dessa vez funciona tão bem que um grande problema do filme anterior se transforma em um acerto aqui, pois muito da trama de parte desse time de antagonista vai ser resolvida em um inevitável O Espetacular Homem-Aranha 3. A diferença é que no longa anterior o mistério dos pais de Peter e também a busca pelo assassino do Tio Ben não têm qualquer empatia e são esquecidas quando surge o Lagarto aterrorizando NY. Dessa vez, porém, há potencial para que as “pontas soltas” sejam revisitadas, seja para saber como termina um combate ou o que alguém (que tem empatia, repare na construção do Duende) está tramando.

Não dá pra dizer que tudo são flores no roteiro, porém. Novamente o mistério dos pais de Parker volta a dar trabalho, ainda que seja de grande importância para o filme – e quando um detalhe sobre os experimentos de Richard Parker é revelado, é possível perceber que a transformação de Peter em super foi uma coincidência tão grande que beira o improvável. Mas, pelo menos, a busca por respostas do herói adolescente se resolve e isso sai da frente para que as coisas boas de O Espetacular Homem-Aranha 2 possam ser apreciadas.

O melhor disso é a “fofura” do relacionamento entre Peter e Gwen Stacy. De suma importância para o apoteótico desfecho da continuação, novamente Andrew Garfield e Emma Stone se saem muito bem na atuação e recebem a mão do diretor Marc Webb na empreitada de fazer o romance dos dois ser empático. A melhor das cenas é o reencontro do casal para tomarem um sorvete, quando o diálogo é bom, a direção é bem próxima e a química entre os atores é perfeita.

É de se destacar ainda a presença estranhíssima de Dane DeHaan, um tipo de cover de Leonardo DiCaprio. Além de ter traços que lembram o astro de O Lobo de Wall Street, a atuação de DeHaan chega a ter certos trejeitos de DiCaprio, como no momento no qual, em uma reunião, corrige outro personagem e diz “Mr. Osborn”. Ele melhora muito, no entanto, ao receber o traje do Duende e capricha na cara bizarra e insana. O que ajuda a dar fôlego ao terceiro ato de O Espetacular Homem-Aranha 2. Se o filme sofre com uma desnecessária cena longa de Electro em uma prisão e o uso do chamado ângulo oblíquo sem razão suficiente – repare quando a Tia May encontra anotações em um parede do quarto de Peter -, é a chegada do altergo de Harry que garante um final digno (e bonito) para a história.

Nota: 8

O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameaça de Electro - Aranha

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One response

  1. Acho que daria 7 porque toda a trama pais do Peter/Oscorp é muito forçada. Mas realmente gostei das cenas de ação e da química dos personagens.

    19 de Maio de 2014 às 1:08 PM

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