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Crítica: Godzilla

Godzilla posterVocê pode até achar que filmes sobre monstros gigantes são programas bestas. Mas Godzilla (Idem, EUA/Japão, 2014) não deve ser subestimado. O roteiro de Max Borenstein e a direção de Gareth Edwards são bem inteligentes ainda que tratem de uma tema não exatamente adulto. Eles não reescrevem as histórias dos filmes catástrofe/monstros, mas usam as lições de seus antecessores como poucos.

Veja, por exemplo, a tática de identificação rápida que Borenstein usa. Com poucos minutos de história já há um acontecimento importantíssimo que vai dar substância o bastante para que a plateia estabeleça uma ligação com o Joe Brody do ator Bryan Cranston. Na mesma tacada, o roteiro ainda cria certo mistério sobre a monstruosidade (literal) que está por vir. E como o roteirista não é nem um pouco bobo, a todo momento há uma criancinha ameaçada para que você da cadeira sinta tensão em um ataque, vide uma van presa em uma ponte. Isso serve para que, sem demora, você seja assimilado pela situação em um filme que trata de um fato que afeta multidões, as quais não podem ser apresentadas ao público e precisam de identificação imediata para que o espectador sofra com eles. Ok, às vezes falha, como quando um cachorro preso à coleira precisa fugir de uma inundação.

Outro acerto dessa versão Godzilla está na escolha do criativo diretor Edwards. Creditado para assumir essa superprodução por seu filme anterior de baixo orçamento chamado Monstros – custou US$ 800 mil -, ele trabalha no limite da esperteza e cria cenas deslumbrantes. Duas citadas: um trem pegando em um ponte e a primeira visualização completa do personagem título, quando sinalizadores indicam onde Godzilla está e a câmera se movimenta para o alto, após uma rápida e precisa parada na trilha sonora, quando o silêncio parece ser o fôlego preso pelas pessoas que acompanham o colosso revelado. Tudo bem que o enfrentamento direto que envolve a criatura demora um pouco a acontecer, mas que quando vem é satisfatório. Para quem puder assistir ao filme em 3D, perceba ainda como o diretor de fotografia Seamus McGarvey se preocupa em usar o ambiente bem focado para explorar o recurso visual. Isso e mais os bons enquadramentos de Gareth Edwards, os quais buscam colocar a ação do monstro em segundo plano antes de mostrar uma ação humana em terra que não tem ligação direta com o ataque gigante.

O filme ainda demonstra certa personalidade ao dar uma origem levemente diferente para Godzilla – isso pode até não agradar aos mais puritanos, mas tem tudo a ver com a trama proposta pelo projeto. Só que falha na exploração dos melhores atores ou personagens que cria. Enquanto Cranston mostra serviço e o papel é ótimo, o filme prefere dar espaço para seu filho, Ford. Interpretado por Aaron Taylor-Johnson, tanto o trabalho do ator quanto as motivações dele na história são fracos. Da mesma maneira que Ken Watanabe não tem muito a fazer a não ser explicar muitas e muitas coisas. Outro desperdício é a talentosa Elizabeth Olsen, que, no detalhe conquista por sua atuação, seja com o olhar apaixonado a Taylor-Johnson ou quando se despede de seu filho e rapidamente faz cara de choro, treme a boca e, ao mesmo tempo, tenta conter as lágrimas até que a criança parte. O problema é ela não ter muitos motivos de existir, exceto pelo fato de ser a “mocinha” do protagonista humano.

Contando com efeitos visuais de qualidade, como já era de se esperar de um orçamento de US$ 160 milhões, Godzilla, como já dito, não é um filme bobo e entrega aquilo que promete: diversão acima de tudo e apuro visual. Só que, como também já dito, ele vai um pouco além e surpreende à sua maneira. Ou você esperaria ver um momento no qual protagonistas, humano e monstro, caem exaustos e juntos em uma bonita rima visual?

Nota: 8

Godzilla cena

2 responses

  1. Caroline

    Filmaço! Godzilla arrepiante, no entanto apareceu pouco…

    22 de Maio de 2014 às 11:49 PM

    • Mas enfiou a mão na cara da monstruosidade! hahaha

      22 de Maio de 2014 às 11:58 PM

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