Go ahead, punk. Make my day.

Crítica: A Culpa é das Estrelas

A Culpa é das Estrelas posterNão há motivo para condenar um filme por ele ser romântico ou ingenuamente bonito. Características presentes fortemente no grande romance da vez, A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars, EUA, 2014). Inspirador para românticos, bom programa para casais e um filme bacaninha para quem busca apenas aquecer o coração, ele sofre pela falta de ambição e por alguns clichês, mas sobra em carisma e proximidade.

O filme é basicamente a aproximação, cortejo e conquista entre os jovens Hazel e Gus, os bons Shailene Woodley e Ansel Elgort. Mas como é de praxe existir aquele elemento de conflito, aqui a história trata de algo um tanto sinistro: ambos passam por um tratamento de câncer, o que dá ao amor deles um toque de emergência e insegurança. Dela principalmente, que se define muito bem como uma granada que pode explodir a qualquer momento. O fato de Hazel carregar um balão de oxigênio o tempo inteiro dá uma boa ideia do quanto o câncer da moça é avançado e o que ela diz não deixa de ser uma verdade.

O que não importa ao apaixonado Gus, que desde o primeiro momento não tira o olho dela, literalmente – a cena de apresentação entre os personagens é pura doçura. Mas aí também começam os tropeços de A Culpa é das Estrelas. Primeiro que não há nesse mundo uma pessoa tão bem humorada e legal quanto Gus. Quer um exemplo? Para quem diz que quer deixar uma marca no mundo, entregar troféus de conquistas a um amigo para que este destrua em nome de sua raiva contida é um tanto contraditório. Mais: quando eles falam de virgindade, o rapaz inventa uma história de círculo dos virgens que é divertidamente irreal (e bestinha), afinal, não custa responder a uma pergunta sem ser a pessoa mais criativa desse mundo, basta ser natural e dizer algumas palavras. Fora que a história de manter um cigarro na boca como forma de “rir na cara do perigo” seria apenas ingênua se não fosse idiota – mesmo sem fumar ele compra maços e financia a tal indústria do tabaco que a própria Hazel questiona, mas depois esquece.

São problemas que, aos poucos, porém, se dissolvem em meio à dinâmica e a química entre os atores. Se de um lado Elgort tira leite de pedra com um personagem que beira a caricatura, a bonitinha Shailene volta a mostrar serviço depois de Os Descendentes, ao criar uma Hazel um tanto mimada, outro tanto sonhadora mesmo quando a doença não lhe dá trégua e bastante humana em seu medo de se apaixonar. O roteiro de Scott Neustadter e Michael H. Weber, baseado no livro de John Green, consegue captar uma ou outra intimidade do casal até que você se ache o melhor amigo dos dois – perceba como eles transformam um “O.K.” em motivo de choro.

Ainda que o texto seja repleto de falas em off, muitas completamente desnecessárias, o diretor Josh Boone consegue falar com recursos de imagem, como no momento em que mostra os personagens mais do que despidos, mas na naturalidade de Gus em deixar sua perna amputada à mostra depois de um momento especial para o casal. O filme vai além: perceba a sutileza do vestido da moça combinar com a cor da camisa dele no jantar, o que representa bem a proximidade e o amor inevitável dos jovens. Só não são compreensíveis as palmas vindas de desconhecidos no primeiro beijo dos dois – sem sentido e cafona. De qualquer forma é bem representativo que a mãe de Hazel, vivida por Laura Dern, deixe um banho para atender ao chamado da filha e passe toda a dedicação dela em uma única cena.

Choroso e previsível, o desfecho do filme, no entanto, não deixa de ser emocionante e não irrita, pois, além de garantir um tipo de “happy end”, deixa o sofrimento suspenso no ar e não poupa minutos de demonstrações de amor (não doce demais) e tristeza até lá.

Nota: 7,5

P.S. Que seja desculpada minha ignorância, mas o que são os malditos Gênios?!?

A Fault In Our Stars

4 responses

  1. Carol Aleixo

    Namorado, pelo que entendi pelo livro (e ficou pouco claro no filme) os Gênios são como uma instituição que ajuda pessoas com doenças terminais (ou só câncer, anyway) a realizar algum sonho que por ventura elas tenham. Provavelmente uma entidade fictícia da história.

    Boa crítica e filme surpreendente para quem se esgotou de estresse com o John Green. rs

    18 de Junho de 2014 às 11:04 AM

    • É o que o pessoal tem me dito, mas não custava nada explicarem isso no filme, né?

      18 de Junho de 2014 às 11:10 AM

  2. Lud Rodovalho

    Ah, aqui está o site dos “gênios” http://wish.org/
    Adorei a critica, até pq eu fico com a visão de quem leu o livro, e não havia notado que eles não explicam nada sobre os gênios.
    Outra coisa que não havia notado é como as palmas para o primeiro beijo ficaram sem sentido, e a personalidade do Augustus um tanto “forçada”, pq no livro temos uma ideia um pouco diferente…
    Só não gostei da nota!
    ahahahah
    Abraço!

    18 de Junho de 2014 às 11:26 AM

    • Malditoa Gênios! Mas d qq forma vc é a segunda pessoa que me diz que no livro as personalidades dos dois são diferentes.

      18 de Junho de 2014 às 11:46 AM

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s