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Crítica: Transcendence – A Revolução

transcendence-posterAssistir a Transcendence – A Revolução (Transcendence, Reino Unido/EUA/China, 2014) é uma experiência um tanto frustrante e um tanto surpreendente (negativa e positivamente). De início curioso e desfecho interessante, a produção tem um desenvolvimento altamente tortuoso. Motivo pelo qual chama atenção ter conseguido atrair um elenco de tamanho peso.

Iniciado com ritmo lento, mas nunca pedante, Transcendence mostra como o desenvolvimento tecnológico está próximo de atingir uma Inteligência Artificial superior, não só autoconsciente, mas que pode se desenvolver como nada visto anteriormente. Um atentado terrorista de uma organização que abomina esse tipo de avanço, porém, leva à morte dos melhores pesquisadores que desenvolvem daquelas tecnologias, inclusive a do personagem de Johnny Depp, Will Caster. A solução é simplesmente tentar transferir a consciência dele para um computador, o que pode ou não ser um bom negócio.

Apesar das inúmeras possibilidades apresentadas pelo longa, elas nunca encontram uma explicação à altura, seja ela verossímil ou não. Os porquês não existem, simplesmente. Veja o caso do uso intensivo da nanotecnologia. Ainda que o horizonte do artifício seja bem largo, é meio ingênuo representar as nanopartículas como uma nuvem que pode tudo, desde regenerar tecidos, como reconstruir painéis e até mesmo se transformar em meio de controle remoto de seres humanos (que ainda ganham superforça). E o que dizer da jogada de inserir um vírus de computador em um sistema como o PINN/Caster por meio de tecido sanguíneo? Tentar pelo menos explicar como um programa como o vírus será convertido em hemácias (ou algo do tipo) e depois reconvertido em dados, ninguém quer. Não vou nem comentar o monitoramento até de hormônios sem, aparentemente, haver qualquer dispositivo no corpo da pessoa em questão. Aceite, o filme diz.

Transcendence  Depp

É interessante ver tantas inconsistências em um filme que chega a citar a frase que diz que “o importante não é o destino, mas sim a jornada”, tida por muitos como a explicação da essência de 2001 – Uma Odisséia no Espaço, uma das ficções-científicas mais importantes do Cinema. Outra tangência com o filme de Stanley Kubrick é o fato da versão digital de Depp ter entonação mansa e sem sentimentos da mesma forma que HAL 9000, a inteligência artificial do filme de 1968.

E aí temos outro problema em Transcendence: a falta de atuações convincentes de gente do calibre de Morgan Freeman, Paul Bettany, Cillian Murphy e Rebecca Hall. O que só reflete a falta de profundidade dos personagens, que parecem apenas seguir o fluxo da história e atenderem ao interesse da mesma. Veja como Rebbeca, ainda que “cega” pela “volta” de seu marido, passa a refletir justamente quando um contra-atraque começa a ser arquitetado.

O que é uma pena, pois se o texto de Jack Paglen sabe fazer alguma coisa é trabalhar a trama e esconder intenções para brincar com quem é vilão ou mocinho até o final. Desfecho que não deixa de ser curioso ao criar um tipo de alerta sobre o desenvolvimento humano sobre o planeta sem alarde “ecochato” e ainda derrubar expectativas.

Nota: 6

TRANSCENDENCE-2

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