Go ahead, punk. Make my day.

Comentário

Resumo (28 jul a 3 ago)

american_hauntingMaldição* (An American Haunting, 2005). De Courtney Solomon

Não vou nem comentar a pobreza dos efeitos visuais dessa produção, que lembram muito alguns de TV feitos a toque de caixa. Mesmo porque os mais eficientes para a narrativa são relativamente bem acabados – e falta de orçamento não impediu que filmes como Evil Dead fossem bons. Mas com um orçamento de US$ 14 milhões era de se esperar algo melhor. O fato é que o roteiro de Maldição está entre a enganação e a falta de qualidade em si. O filme trata do caso da Bruxa dos Bell, caso famoso dos Estados Unidos. Diz que é o único tomado como um assassinato causado por um espírito. Mas no final das contas um letreiro deixa claro que aquilo tudo não passa de especulação a partir da história original. Depois temos que a trama com pouco mais de 80 minutos é apressada como se tivesse muita história para contar. Mas só parece. Se prestar atenção perceberá que a trama fica entre um ataque ou outro do poltegeist contra a Betsy (a linda Rachel Hurd-Wood) e nesse meio tempo mostra a família fazendo suposições sobre o caso sem tomar muitas providências – o pai da garota junto e amigos da família confraternizam enquanto o espírito vagueia pela casa. Chega a ser ridículo ver o personagem de James D’Arcy tentando explicar racionalmente uma menina suspensa no ar e sendo esbofeteada – talvez alguém no escuro a segurando, ele diz. Se algumas câmeras voando trazem alguma curiosidade ao filme, a exemplo daquela que vai ao encontro de uma carruagem, o uso excessivo de steady cams mostra que o apuro visual do filme também não é original e falta estofo para a produção – Possuídos fez muito melhor uso do recurso de tomadas errantes para representar um espírito. Cansativo ainda que curto, é bestinha ao incluir uma trama paralela nos dias atuais que não faz o menor sentido (afinal, por qual motivo ainda haveria uma foto conservada da família Bell na casa, pendurada na parede?). Espanta pelo elenco conseguido pela produção, com Donald Sutherland e Sissy Spacek. Nota: 3

*Filme assistido pela primeira vez

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Resumo (21 a 27 jul)

PriestPadre* (Priest, 2011). De Scott Stewart

Chega a ser embaraçoso falar desse filme que não se decide entre terror, ação ou produção pós-apocalítica. Mas o maior problema é o quanto Padre é raso e simplório. Falta drama, falta inspiração visual, falta vigor, falta uma única ceninha de ação empolgante. A sensação é que a adaptação da graphic novel de Min-Woo Hyung foi feita às pressas, com as primeiras ideias que surgiam sendo colocadas no roteiro – conste que não conheço o material original. Pior: parece que há medo de ousar e sobra vontade de nivelar tudo por baixo para que a plateia não tenha que pensar muito e se entretenha com visual e ação. Poderia ter rendido uma bela história sobre os tais Padres, criados para deter os Vampiros e depois enterrados no esquecimento para que não se tonassem a classe dominante – subjugando a própria Igreja. Poderia render uma discussão sobre como a religião se tornou uma ditadura. Poderia render um novo O Livro de Eli, com ação paras as multidões e uma sutil crítica sobre o poder da Palavra. Não. Rendeu um filme que vai em frente em sua trama e pronto. Nota: 4

Metallica-through-the-never-posterMetallicA Through the Never* (Idem, 2013). De Nimród Antal

Fazendo parte daquela categoria filme-concerto, esse veículo para levar o MetallicA para os cinemas é um ótimo programa para fãs, já que como Cinema é uma tanto bestinha. Como particpante do nicho ao qual o longa se destina, curti bastante o uso das músicas da banda em conjunto com a “trama” que foi criada em paralelo à apresentação do grupo. A palavra “trama” entre aspas não é piada, já que em meio a um show somos apresentados ao personagem de Dane DeHaan (você o viu em O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro), um roadie do MetallicA que é incumbido de encontrar um caminhão da banda sem gasolina e trazer uma coisa que está lá para os caras. A história é rasa e ainda que o diretor Nimród Antal esteja inspirado em uma imagem ou outra (uma briga com o corpo em chamas e uma cidade vindo abaixo com uma marreta), o que chama atenção mesmo são momentos em que a trilha combina com a tal trama, a exemplo de “Battery” e “Wherever I May Roam”. Pena que em um filme cuja figura tão marcante se locomova em um cavalo não tenham pensado em usar “The Four Horsemen” (palavra de fã). Nota: 7

*Filme assistido pela primeira vez


Resumo (14 a 20 jul)

Frances HaFrances Ha* (Idem, 2012). De Noah Baumbach

Depois de ler muita, mas muita crítica boa para o filme de Noah Baumbach lá fui eu assisti-lo e o veredito, no fim das contas, é um tanto distante dos que vi por aí. Sim, aqui temos um filme de qualidade, mas não, eu não o achei isso tudo. Para mim, a maior dificuldade em apreciar Frances Ha foi a falta de identificação com a personagem-título no início do filme. Ao meu ver, o roteiro de Baumbach e Greta Gerwig (que protagoniza o longa) te pega desprevenido e inicia o projeto a mil por hora. Sem que você tenha tempo de se identificar com a garota nos primeiros minutos, ela termina um relacionamento por causa da amiga, dança em uma companhia e fala sobre um milhão de coisas até que eu conseguisse subir no bonde. O essencial aqui é o relacionamento de Frances com Sophie, sua melhor amiga, vivida por Mickey Sumner. É a separação de casas das duas que catalisa todos os acontecimentos e as mancadas do protagonista. E tome novos personagens surgindo em cena sem muita apresentação. É preciso estar bem atento. Fiquei até espantado com a rapidez dos cortes da montadora Jennifer Lame para um filme independente, além dos saltos de um lado pro outro que a trama dá. Mas fui em frente e, aos poucos, me habituei à maluquete Frances, que convenhamos, faz tanta besteira por tão pouca coisa que a certa altura comecei a questionar o Q.I. da moça – ela, pobre, vai morar em um apartamento de amigos com recursos, dispensa um emprego por insegurança e usa um cartão de crédito para passar dois dias em Paris quando não tem um caraminguá no bolso. Tudo bem, as coisas sem justificam pela personalidade excêntrica da jovem e você pode até rir, mas não deixou de me irritar em alguns instantes. Só que o que vemos na tela é uma atuação brilhante de Greta Gerwig e esse sim era um elemento que merecia todo os destaque que a produção teve. Nota: 7,5

Invocação do MalInvocação do Mal (The Conjuring, 2013). De James Wan

É aquela história: é tentando que se consegue. Nunca fui fã de James Wan, que tem uma carreira como diretor baseada no terror. Tirando o razoável Jogos Mortais, a meu ver, o cineasta nunca conseguiu se sair bem em um filme tenso ou de horror puro, seja no pouco original Sentença de Morte ou nas besteiras Sobrenatural e Sobrenatural – Capítulo 2. Mas eis que o cara me lança um dos melhores terrores recentes. O mais interessante é que Invocação do Mal consegue um resultado tão bom apostando em algo em que muitos erram feio: o som. Ao invés de trabalhar acordes da trilha sonora com volume no máximo, o cineasta investe em Joe Dzuban, o desenhista de som da produção, que elabora situações nas quais o som alto é altamente orgânico, como em um grito ou um efeito sonoro no momento exato para que a plateia se assuste – e tenha a certeza de que esses momentos não são poucos. Ponto também para o montador Kirk M. Morri, de precisão cirúrgica. Claro que a boa trama e uma grande quantidade de elementos de filme terror bem amarrados (maldições, exorcismos, demônios, crianças medonhas e até pés puxados na cama) fazem o sucesso do projeto. Dizem que é baseado em uma história real. Nem precisava para causar medo. Nota: 8,5

Moulin RougeMoulin Rouge! – Amor em Vermelho (Moulin Rouge!, 2001). De Baz Luhrmann

O filme que deu voz aos musicais modernos – Chicago deve seu Oscar a Luhrmann – foi definido certa vez como a junção do movimento Pop com a Belle Époque. Uma justa definição para um filme pensando nos detalhes, com visual embriagante e ousado por misturar um milhão de coisas e ainda se sair original, ainda que tenha uma trama romântica demais. Houve algumas crítica à época de seu lançamento relativas à histeria do ritmo imprimido aqui. Pura besteira, já que o filme é, em última análise, a visão de um jovem que conhece a vida boêmia e efervescente do fim do século XIX na então capital mais badalada de todas: Paris. O negócio é relaxar e curtir a história que incluiu, pelo menos, três musicais geniais (“El Tango De Roxanne”, “Elephant Love Medley” e “Your Song”) e outros tantos de qualidade acima da média. O mais interessante aqui é a junção de dezenas de músicas consagradas (de Nirvana a Madonna) para a crianção da trilha cantada pelos personagens. E Nicole Kidman se transforma na Marilyn Monroe de nossos tempo, enquanto Ewan McGregor poderia largar as telas e investir nos palcos. Muita gente boa junta. Nota: 9,5

*Filme assistido pela primeira vez


Resumo (7 a 13 jul)

Groundhog DayFeitiço do Tempo (Groundhog Day, 1993). De Harold Ramis

Para mim, o melhor dessa comédia é saber trabalhar de maneira exemplar as inúmeras situações que a premissa do roteiro permite: um homem preso no mesmo dia. Para Phil (Bill Murray), o pior deles, já que pelo quarto ano consecutivo o jornalista vai cobrir o Dia da Marmota em uma cidade pequena do interior americano. Usando um personagem metido a besta, Harold Ramis vai desconstruindo a chatice do cara até que você se afeiçoe mesmo nos momentos de maior malandragem – a montagem de Pembroke J. Herring é divertida e não perde tempo ao usar pontos-chave em suas elipses e voltar a uma mesma cena para que Phil use a vantagem de repetir o dia e tentar conquistar Andy MacDowell. Há uma pequena coleção de tapas na cara que vale o filme. Essa é a parte divertida, mas o filme também trabalha drama (um velho que simplesmente morre), melancolia (suicídio) e tédio (um roubo a carro forte) até que o protagonista comece a aprender suas lições. A essa altura, o filme já encantou de tal forma que nem o final meio piegas estraga o programa. É Ramis em sua melhor forma e Murray ótimo como sempre. Dá até vontade de ouvir Sonny e Cher, às 6h da manhã. Nota: 8,5


Resumo (9 jun a 6 jul)

Bling Ring posterBling Ring – A Gangue de Hollywood* (The Bling Ring). De Sofia Coppola

Contando a história real de um bando de meninos entendiados demais em sua riqueza que resolvem invadir casas de celebridades e saqueá-las, o filme tem aquele tom bem característico de Sofia Coppola, com cenas sobre a juventude sem motivação e solitária. A mistura disso é a inconsequente pilhagem e o modo de vida desregrado do grupo. Sem moralismo, Sofia demonstra como a situação seduz, mas também leva à ruína a gangue, não só por meio da história que terminou nas mãos da polícia, mas também em como os “companheiros” acabam se digladiando e empurrando a culpa uns para os outros. O personagem de Israel Broussard, Marc, é o melhor exemplo. Ao mesmo tempo que consegue se inserir em um grupo, termina em um tribunal ao lado da suposta melhor amiga, que passa a desprezá-lo. Usando uma iluminação brilhante em contradição com o tipo de melancolia daquela situação, Bling Ring ainda é dirigido com gosto por Coppola – repare como ela articula, a certa altura, uma invasão filmada de longe em que podemos ver perfeitamente a movimentação dos jovens em tomada única, cheia de sons da cidade que ajudam a esconder o delito. Nota: 8

Sobrenatural - capitulo 2 posterSobrenatural – Capítulo 2* (Insidious – Chapter 2, 2013). De James Wan

Reduzindo o humor involuntário, mas mantendo as atuações quase pífias de seus protagonistas (Patrick Wilson, Rose Byrne e Ty Simpkins), essa continuação do terror de 2010 até gera certa expectativa, mas ela acontece muito porque o roteiro vai segurando revelações e as soltando aos poucos. O que não ajuda muito, já que elas não causam impacto. Fora que a direção tem uma preguiça (ou falta de criatividade) que impressiona. Seja em repetir o uso de uma babá eletrônica como forma de causar medo ou em simplesmente esconder uma criatura de um personagem para revelá-la em um corte rápido buscando assustar plateia (sem sucesso). Se o primeiro Sobrenatural tentou ser o Poltergeist dessa geração, aqui ele dá um jeito de tangenciar O Iluminado, mas o que consegue é uma cena que beira o surreal (no mau sentido): no meio de um ataque de loucura do pai, o roteiro de Leigh Whannell determina que Simpkins deite e durma como forma de resolver a situação. Imagino que dormir seria a última coisa que alguém conseguiria com um desequilibrado lhe caçando. Nota: 5

Planeta dos Macacos - A Origem posterPlaneta dos Macacos* – A Origem (Rise of the Planet of the Apes, 2011). De Rupert Wyatt

A proposta desse prequel é interessante: atualizar as origens de O Planeta dos Macacos e propor um novo início para a história que uma dia foi gerada por uma hecatombe nuclear e abriu espaço para a evolução dos símios. Pena que a mania de criação de continuações e mais continuações no sentido de se traçar uma história e levantar dinheiro, fez de Hollywood uma tremenda chatice, com muitos de seus filmes transformados em grandes chicletes que se esticam. Se houvesse mesmo uma ótima trama contada aqui eu me calava, mas o fato é que o bom personagem César, vivido sob efeitos visuais por Andy Serkis, nem tem tanta profundidade assim – ainda que seja carismático e ganhe peso. O problema é que o roteiro se limita a criar situações clichês para que o símio superinteligente, criado a partir da manipulação genética, tome raiva dos humanos. Aliás, pelos inúmeros estereótipos na tela, até você vai querer se revoltar. Daí, como o filme não pode contar toda a história, para que sejam geradas continuações, ele cria um tipo de clímax na ponte Golden Gate e deixa que saibamos o que realmente aconteceu até chegarmos no Planeta dos Macacos original para as sequências que estão por vir. Nota: 6

Planeta dos Macacos poster 1968Planeta dos Macacos (Planet  of the Apes, 1968). De Franklin J. Schaffner

Um filme de ação, uma ficção-científica instigante, um bom debate sobre humanidade. De 1968 pra cá, é bem verdade que uma coisa ou outra nessa produção já ficou datada, mas a realidade é que a mensagem sobre a arrogância do homem e o tema antiarmamentista comentam muito bem a Guerra Fria vivida pelo mundo quando do lançamento de Planeta dos Macacos. As boas discussões filosóficas, disfarçadas de juridiquês, que ainda abarcam um toque de religião, mostram que os personagens aqui não estão em cena apenas para serem objetos de uma trama, ajudam no debate e mostram que para tudo há um limite, seja em agir seja em dar alguns passos atrás. Fica no ar a pergunta se a ignorância é o melhor para se evitar a dor. No mais, dá pra curtir boas cenas de ação, algumas falas memoráveis e um final ainda hoje poderoso. Nota: 8,5

Advogado do Diabo posterAdvogado do Diabo (The Devil’s Advocate, 1997). De Taylor Hackford

Falar desse, para mim, é um prazer e uma forma de dar bala aos detratores, pois aqui está o filme da minha vida. Sendo assim, qualquer opinião pode ser tratada como “pessoal demais”. É aqui que entendo o louvor incondicional das crepusculetes. Brincadeira. De qualquer forma, a meu favor tenho uma atuação monstruosa (em vários sentidos) de Al Pacino, a qual me pergunto o motivo de não ter ganhado qualquer prêmio de expressividade. Tenho também um roteiro inteligente que não tenta esconder muita coisa, mas que ainda reserva uma surpresinha e tira da manga monólogos fenomenais reservados para Pacino. Algo que a montagem, em paralelo, dá vida sem ser redundante – vide Eddie Barzoon. Isso e ainda diálogos espertos fascinantes pela inteligência e dinâmica entre os atores na sequência final no apartamento de Milton. Quer mais? A trilha sonora de James Newton Howard foi tão inspirada em poucas ocasiões, assim como a direção de arte e a fotografia aqui são extremamente sofisticadas, amplificando as mudanças pelas quais o casal vivido por Keanu Reeves e Charlize Theron passam, saindo da cidade do interior para a babilônica Nova York. Repare como a arquitetura e a decoração dos ambientes são requintadas e a fotografia meio fria, em tons azulados e acinzentados, criam clima. E é ótimo ver momentos em que o vermelho que acompanha John Milton contrasta com tudo isso. O longa é uma adaptação do livro de Andrew Neiderman, cujo desfecho é irônico o suficiente para deixar uma música boa por si só, como “Paint It Black”, dos Rolling Stones, ainda melhor. Como não poderia deixar de ser: Nota 10

*Texto escrito em janeiro de 2013

Gatinhas e Gatões posterGatinhas e Gatões (Sixteen Candles, 1984). De John Hughes

Ainda que seja um tanto quanto machista sobre a figura da namorada do garanhão do filme, que se torna prêmio de consolação ao azarão que passa o tempo cheio de esforços, Gatinhas e Gatões é daqueles filmes que te botam um sorrisão na cara do primeiro ao último minuto e ainda consegue ser romântico em meio a tanta piada e zombaria. E o melhor: mesmo com um final manjado, o caminho até lá não é tão óbvio assim. A começar pelos personagens, já que a mocinha que não é tão coitadinha assim (vide o leve egoísmo da moça que cobra atenção do mundo em meio a um zilhão de acontecimentos importantes em casa) e o nerd até é um cara descolado, ainda que receba insistente negativas em suas investidas amorosas. Isso sem contar que o galã não é um cara metido a besta e se mostra realmente interessado em um relacionamento. Ponto para John Hughes, que estreou aqui uma carreira como diretor que trouxe clássicos como O Clube dos Cinco e Curtindo a Vida Adoidado. Nota: 8,5

*Filme assistido pela primeira vez


Resumo (2 a 8 jun)

kick-ass-2-posterKick Ass 2* (Idem, 2013). De Jeff Wadlow

Não há como dizer que Kick Ass 2 foi daquelas continuações tipo repeteco. Ainda que não haja muitos personagens novos realmente relevantes, o roteiro de Jeff Wadlow tenta dar seguimento às vidas dos protagonistas do primeiro longa-metragem. Mas o grande problema é o desinteresse da trama e a falta de sentido no discurso. Primeiro ver Hit Girl se transformar em uma patricinha é até engraçado, mas não há o que justifique tal mudança – tanto que logo, logo a maldade colegial americana serve de desculpa para voltarmos ao que conhecemos da menina desbocada. Ok, os hormônios da moça poderiam até servir como catalisadores, mas lembre-se que estamos falando de uma menina que não teve uma infância ortodoxa, graças ao Big Daddy, o que me faz pensar que um discurso de colegial e uma boy band não seriam suficientes para mudar Mindy tanto assim. Por outro lado, o herói que nomeia o filme entra em uma equipe. O discurso, a partir dali é: o mundo não é uma HQ e ele pode ser perigoso. Mas na tela, há muito exagero e caricatura, o que contradiz por completo o tal perigo e um mundo real. Em Kick Ass – Quebrando Tudo essa parte caricatural era muito bem-vinda para que aceitássemos Hit Girl e outras bizarrices, que num tom realista se tornaria uma produção com censura 40 anos. Na continuação, tentam te fazer engolir que aquilo é um filme “adulto”. Muito pelo contrário. Basta olhar o time de vilões para entender o quanto as coisas são cartunescas. De bom, há a boa atuação de Chloë Grace Moretz, algumas cenas de ação e as piadas que envolvem Chris D’Amico – a melhor delas é a criação do antagonista The Motherfucker. Ah! O filme ainda tem o Jim Carrey – e poderia ser qualquer outro ator, tamanha a indiferença do personagem. Nota: 6

*Filme assistido pela primeira vez


Resumo (26 mai a 1° jun)

Sin CitySin City – A Cidade do Pecado (Sin City, 2005). De Frank Miller e Robert Rodriguez

Ainda que os enquadramentos usados por Rodriguez sejam basicamente os mesmos concebidos por Miller nos quadrinhos, é difícil pensar em outro diretor que combinasse mais com o projeto de adaptação que o diretor de El Mariachi. Seja pelo exagero característico ou pela concepção visual com utilização de muitos e muitos efeitos visuais que a estilização do material original necessitava. Apesar de não ter o mesmo contraste das páginas de Miller, a fotografia em preto e branco com elementos coloridos concebida pelo próprio Rodriguez tem muita personalidade, além de ser linda. O melhor, porém, é como a costura de várias histórias consegue manter o ritmo e o interesse pela trama com personagens masculinos entre o machismo e a veneração pelas mulheres e personagens femininas frágeis, belas e que ainda sim estão perfeitamente encaixadas em um mundo nada amistoso – e, por isso, se mostram bem perigosas por vezes. Destaque para as ótimas atuações de Mickey Rourke, Elijah Wood, Benicio Del Toro e Rosario Dawson. Jesica Alba é uma entidade criada por Rodriguez e o corpo de Carla Gugino fala por si. Divertido e pervertido são as palavras que definem bem e rapidamente a obra. Não é o que se pode dizer de histórias construídas com esmero, mas são rápidas e violentas o bastante para que entreter. Toda a sequência do carro e o diálogo bizarro entre Del Toro e Clive Owen foi dirigida por Quentin Tarantino, o diretor convidado especial. Nota: 8