Go ahead, punk. Make my day.

Opinião

Oscar 2014 – Os vencedores

12 Years a Slave - Oscar

Bom, não houve tantas surpresas e Gravidade não venceu o Oscar de Melhor Filme (apesar de ser). O que não me deixou triste, afinal, o filme de Alfonso Cuarón levou sete prêmios merecidos para casa. E ainda que muito digam que se tratam dos tais prêmios técnicos, é ótimo perceber que essas estatuetas foram para elementos “não-artísticos” que só trabalharam em favor da narrativa do longa-metragem. Não temos ali efeitos visuais ou um som poderoso como um fim em si, eles estão lá para contar a história. Da mesmo forma que a falta de som espacial se transformou em campo fértil para trilha originalíssima de Steven Price, a qual, em certos momentos, até substitui os próprios efeitos sonoros inexistentes. Isso sem contar na fotografia fantástica de Emmanuel Lubezki.

O vencedor do grande prêmio da noite foi 12 Anos de Escravidão, que ainda arrebatou os prêmios de Atriz Coadjuvante, com Lupita Nyong’o, e roteiro adaptado. Ficou óbvia a preferência da Academia nessa 86º cerimônia pelo filme de Steve McQueen, que serve para nos lembrar do racismo de sempre. Mas eu ri muito quando a apresentadora Ellen DeGeneres ironizou e disse que havia duas escolhas: ou davam o prêmio para 12 Anos de Escravidão ou todos seriam um bando de racistas.

Enfim, ainda que o filme do ótimo McQueen não seja a joia gravitacional de Cuarón, não dá pra ficar reclamando de uma decisão mais conservadora dos jurados, afinal, não estamos falando de uma derrota xarope como foi a de Brokeback Mountain para Crash, Cisne Negro para O Discurso do Rei ou Taxi Driver perder para Rocky – Um Lutador.

Por falar em Martin Scorsese, O Lobo de Wall Street perdeu em todas as cinco categorias paras quais foi indicado – inclusive melhor ator, com Leonardo DiCaprio -, enquanto Trapaça amargou uma derrota ainda maior, em 10 categorias. Matthew McConaughey e Jared Leto mostraram sua força por Clube de Compras Dallas e foram os atores vencedores da noite. OK, Cate Blanchett era a favorita, por Blue Jasmine, mas imaginei que Amy Adams, por Trapaça, poderia dar uma rasteira nela. Errei.

Já o U2 e Karen O., que tinham as melhores músicas indicadas, perderam para “Let It Go”, que, estranhamente, não teve Demi Lovato como intérprete durante a cerimônia.

Mas bacana mesmo foi ter a lembrança de Eduardo Coutinho no segmento In Memoriam desse ano.

E Jennifer Lawrence tropeçou e caiu de novo. Só que ela continua linda.

Vejam todos os vencedores da noite.

OSCARS

Melhor filme – 12 Anos de Escravidão
Melhor diretor – Alfonso Cuarón – Gravidade
Melhor roteiro adaptado – 12 Anos de Escravidão
Melhor roteiro original – Ela
Melhor ator – Matthew McConaughey – Clube de Compras Dallas
Melhor atriz – Cate Blanchett – Blue Jasmine
Melhor atriz coadjuvante – Lupita Nyong’o – 12 Anos de Escravidão
Melhor ator coadjuvante – Jared Leto – Clube de Compras Dallas
Melhor figurino – O Grande Gatsby
Melhor maquiagem e cabelo – Clube de Compras Dallas
Melhor animação em curta-metragem – Mr. Hublot
Melhor longa de animação – Frozen – Uma Aventura Congelante
Melhores efeitos visuais – Gravidade
Melhor curta-metragem – Helium
Melhor documentário em curta-metragem – The Lady in Number 6: Music Saved My Life
Melhor documentário em longa-metragem – 20 Feet From Stardom
Melhor filme estrangeiro – A Grande Beleza
Melhor mixagem de som – Gravidade
Melhor edição de som – Gravidade
Melhor fotografia – Gravidade
Melhor montagem – Gravidade
Melhor design de produção – O Grande Gatsby
Melhor trilha sonora – Gravidade
Melhor canção original – “Let it Go” – Frozen – Uma Aventura Congelante


Oscar 2014 – Os Indicados

Oscars 2014

Por mim davam os Oscars todos para Gravidade – os 10 para os quais foi indicado. E olha que mesmo analisando suas nomeações friamente, não seria estranho que o filme levasse todos eles. Ao lado de Trapaça, a ficção-científica de Alfonso Cuarón é o recordista de indicações para o prêmio da Academia em 2014. Logo atrás deles vem 12 Anos de Escravidão, com nove indicações –  o filme que, pelo menos por enquanto, me parece o grande bicho-papão da vez. Sim, mesmo com uma indicação a menos que os concorrentes diretos.

Mas como eu dizia, a experiência que Gravidade proporciona deveria ser imortalizada pela Academia, seja pela direção absolutamente singular da produção ou pelos efeitos visuais que são parte primordial para os planos do filme. O único prêmio que eu aceito contestações é o de Melhor Atriz para Sandra Bullock. Não que o trabalho dela não mereça estar ali – merece muito -, mas sabemos que há outros como o Cate Blanchett em Blue Jasmine que foram imensamente elogiados, até mais que o de Sandra. Fora que ela concorre com pesos pesados e queridinhas da Academia, como Meryl Streep (Álbum de Família) e Amy Adams (Trapaça). Mas alguém aí duvida que a trilha sonora, a montagem, fotografia ou todo o som de Gravidade têm algum problema, contribuem tanto para a narrativa ou são mais ambiciosos que qualquer um de seus concorrentes? Ok, não vi a maior parte dos concorrentes e deixei meu lado sentimental falar mais alto. Enfim… Só reflitam sobre o que disse antes.

Como de costume existem as surpresas, como a inclusão de Julia Roberts entre as Melhores Atrizes Coadjuvantes e o grande espaço dado a Ela, de Spike Jonze. No caso da segunda surpresa, para mim, algo muito interessante, já que o longa vem com cinco indicações, inclusive Melhor Filme, e a de Melhor Canção. O caso é que o diretor, Jonze, e a cantora Karen O., do grupo The Yeah Yeah Yeahs, já haviam feito um excelente trabalho juntos em Onde Vivem os Monstros, que foi ignorado pela Academia, que agora dá o devido reconhecimento.

Muita gente chorou a não inclusão de Tom Hanks entre os Melhores Atores – e eu também estranhei tamanha havia sido a festa feita para a atuação dele em Capitão Phillips. Da mesma forma que o diretor Paul Greengrass foi deixado de lado pelo mesmo longa-metragem. Eu fiquei feliz que Leonardo DiCaprio tenha chegado à final de novo, desta vez pelo protagonista de O Lobo de Wall Street. Não sei se ele pode bater concorrentes como o festejado Matthew McConaughey em Clube de Compras Dallas e Chiwetel Ejiofor em 12 Anos de Escravidão, mas que já tem anos que o ex-galã de Titanic merece uma estatueta, tem.

Assim chegamos ao talvez maior injustiçado do ano, Os Suspeitos. Ele recebeu apenas a indicação de Melhor Fotografia, um trampo sensacional de Roger A. Deakins. Mas facilmente poderia estar entre os nomeados para Melhor Filme, Ator (Hugh Jackman), Ator Coadjuvante (Jake Gyllenhaal) e roteiro – e olha que nem vou citar Paul Dano. Pena, já que até bem pouco tempo atrás, o filme de Denis Villeneuve era um dos cotados para a estatueta.

De qualquer forma temos aí os grandes concorrentes do ano da grande indústria do Cinema. Podem não ser os melhores filmes feitos no ano (exceto por Gravidade, que é o tal), mas estão na crista da onda de Hollywood. Dia 2 de março a gente descobre quem serão os vencedores.

Oscars

Eis os indicados:

Melhor Filme

Trapaça

Capitão Phillips

Clube de Compras Dallas

Gravidade

Ela

Nebraska

Philomena

12 Anos de Escravidão

O Lobo de Wall Street

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Diretor

David O. Russell – Trapaça

Alfonso Cuarón – Gravidade

Alexander Payne – Nebraska

Steve McQueen – 12 Anos de Escravidão

Martin Scorsese – O Lobo de Wall Street

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Melhor Ator

Christian Bale – Trapaça

Bruce Dern – Nebraska

Leonardo DiCaprio – O Lobo de Wall Street

Chiwetel Ejiofor – 12 Anos de Escravidão

Matthew McConaughey – Clube de Compras Dallas

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Melhor Atriz

Amy Adams – Trapaça

Cate Blanchett – Blue Jasmine

Sandra Bullock – Gravidade

Judi Dench – Philomena

Meryl Streep – Álbum de Família

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Ator Coadjuvante

Barkhad Abdi – Capitão Phillips

Bradley Cooper – Trapaça

Michael Fassbender – 12 Anos de Escravidão

Jonah Hill – O Lobo de Wall Street

Jared Leto – Clube de Compras Dallas

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Atriz Coadjuvante

Sally Hawkins – Blue Jasmine

Jennifer Lawrence – Trapaça

Lupita Nyong’o – 12 Anos de Escravidão

Julia Roberts – Álbum de Família

June Squibb – Nebraska

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Animação

Os Croods

Meu Malvado Favorito 2

Ernest & Celestine

Frozen – Uma Aventura Congelante

Vidas ao Vento

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Roteiro Adaptado

Antes da Meia-Noite

Capitão Phillips

Philomena

12 Anos de Escravidão

O Lobo de Wall Street

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Roteiro Original

Trapaça

Blue Jasmine

Clube de Compras Dallas

Ela

Nebraska

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Fotografia

O Grande Mestre – Philippe Le Sourd

Gravidade – Emmanuel Lubezki

Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum

Nebraska – Phedon Papamichael

Os Suspeitos – Roger A. Deakins

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Montagem

Trapaça

Capitão Phillips

Clube de Compras Dallas

Gravidade

12 Anos de Escravidão

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Documentário

O Ato de Matar – Joshua Oppenheimer and Signe Byrge Sørensen

Cutie and the Boxer – Zachary Heinzerling and Lydia Dean Pilcher

Guerras Sujas – Richard Rowley and Jeremy Scahill

The Square – Jehane Noujaim and Karim Amer

A Um Passo do Estrelato – Nominees to be determined

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Documentário curta-metragem

CaveDigger – Jeffrey Karoff

Facing Fear – Jason Cohen

Karama Has No Walls – Sara Ishaq

The Lady in Number 6: Music Saved My Life – Malcolm Clarke and Nicholas Reed

Prison Terminal: The Last Days of Private Jack Hall – Edgar Barens

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Filme de Língua Estrangeira

The Broken Circle Breakdown – Bélgica

The Great Beauty – Itália

The Hunt – Dinamarca

The Missing Picture – Camboja

Omar – Palestina

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Melhor Trilha Sonora

A Menina que Roubava Livros – John Williams

Gravidade – Steven Price

Ela – William Butler and Owen Pallett

Philomena – Alexandre Desplat

Walt nos Bastidores de Mary Poppins – Thomas Newman

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Canção Original

“Alone Yet Not Alone” de Alone Yet Not Alone (desclassificada)

“Happy” de Meu Malvado Favorito 2

“Let it Go” de Frozen – Uma Aventura Congelante

“The Moon Song” de Ela

“Ordinary Love” de Mandela – Long Walk to Freedom

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Efeitos Visuais

Gravidade

O Hobbit – A Desolação de Smaug

Homem de Ferro 3

O Cavaleiro Solitário

Além da Escuridão – Star Trek

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Maquiagem

Clube de Compras Dallas

Jackass Apresenta – Vovô Sem-Vergonha

O Cavaleiro Solitário

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Design de Produção

Trapaça

Gravidade

O Grande Gatsby

Ela

12 Anos de Escravidão

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Edição de som

All Is Lost

Capitão Phillips

Gravidade

O Hobbit – A Desolação de Smaug

O Grande Herói

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Mixagem de Som

Capitão Phillips

Gravidade

O Hobbit – A Desolação de Smaug

Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum

O Grande Herói

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Curta Metragem

Aquel No Era Yo (That Wasn’t Me)

Avant Que De Tout Perdre (Just Before Losing Everything)

Helium

Pitääkö Mun Kaikki Hoitaa? (Do I Have to Take Care of Everything?)

The Voorman Problem

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Curta Metragem Animado

Feral

É Hora de Viajar

Mr. Hublot

Possessions

Room on the Broom


O Espetacular Homem-Aranha 2 ou Homem-Aranha 3?

Não, eu não gostei de O Espetacular Homem-Aranha. Filme que tentou ser relevante, mas não era divertido como deveria nem sério como quis. Deixando claro isso, digo que o trailer da continuação me deu uma primeira impressão ruim. Dois motivos:

1. O longa trará três vilões – Electro, Rino e o Duende Verde

2. Há um emo de cabelo bizarro na trama

Esses dois pontos foram altamente criticados em Homem-Aranha 3, de 2007, filme que fechou a trilogia sobre o Cabeça-de-Teia de Sam Raimi e era minimamente engraçado para sustentar uma história que se perdia em meio a tantas linhas narrativas. A “questão-emo” era mais uma zoeira quanto ao visual de “Parker mau” (agora é Harry que tem franjinha). A expectativa agora é saber como O Espetacular Homem-Aranha – A Ameaça de Electro vai se portar com semelhanças tão grandes com o criticado filme de Raimi.

Com vocês, o trailer que deu origem a esse post.


Vem aí Antes da Meia-Noite

Before Midnight

Para quem, na adolescência descobriu o romance Antes do Amanhecer por acaso, numa sessão da madrugada na TV aberta que acabou com meu sono e me manteve acordado até após as 3h, imaginar que, quase 20 anos depois do primeiro, poderei curtir mais um passo do casal Jesse e Celine, chega a ser emocionante.

Esse será o terceiro filme do casal, que teve no ótimo Antes do Pôr-do-Sol a evolução quase perfeita da relação, quando ninguém imaginava qual seria destino do jovem americano e da jovem francesa, após o encontro intenso deles no primeiro longa.

Não foi à toa que, mesmo com alguns receios, me arrepiei ao assistir ao primeiro trailer de Antes da Meia-Noite, novo capítulo de uma das mais belas histórias do Cinema recente. A coisa é tão interessante que não fica apenas na trama da agora trilogia, pois, desde o segundo longa, o diretor Richard Linklater divide os créditos do roteiro com os atores Ethan Hawke e Julie Delpy. Isso mostra o quanto o trio se envolveu com Jesse e Celine – os quais também têm uma participação na animação Waking Life de Linklater – e os desenvolveram de tal forma que é quase impossível dissociá-los dos personagens. Um outro caso de amor.

Antes da Meia-Noite vai seguir os passos do casal depois de (aparentemente) estarem casados, o que deve incluir problemas conjugais e uma crise. Seria definitiva? Tenho meus medos de que surja uma história boba e estrague a magia da relação. Mas sejamos positivos e partilhemos o trailer.

Que venha!


Oscar 2013 – Os Vencedores

argo

Ok, ok, Argo realmente não era o meu preferido entre os indicados a Melhor Filme no Oscar 2013, mas vibrei com a vitória do filme de Ben Affleck. O motivo é simples: a Academia adorou o mediano As Aventuras de Pi, o qual se tornou o campeão em número de Orcars na noite desse domingo – levou quatro. E quase o longa de Ang Lee levou o prêmio principal, o que seria tão forçado quanto Crash – No Limite ter batido O Segredo de Brokeback Mountain.

Ok, ele não ganhou, mas Lee bateu Spielberg, que era o mais cotado ao prêmio depois do esquecimento de Affleck na categoria Melhor Diretor. Foi estanho (e não merecido), mas não foi surpresa. O placar, então ficou 4 para Pi e 3 para Argo e Os Miseráveis. Argo levou os prêmios mais importantes (filme, montagem e roteiro adaptado). Enquanto Pi ficou com os mais técnicos (fotografia, efeitos visuais, trilha sonora e diretor). Miseráveis também teve maioria técnica (maquiagem, efeitos sonoros e atriz coadjuvante).

Legal mesmo foi ver a primeira música de James Bond ganhar um Oscar (“Skyfall”, de Adele) e Daniel Day-Lewis ser o primeiro cara a receber três estatuetas de ator principal. Mais legal ainda foi ver Seth MacFarlane falar um monte de incorreções políticas – a melhor foi cantar sobre os peitos de um monte de atrizes, principalmente os de Kate Winslet.

Pela primeira vez na minha vida, vi um empate no Academy Awards, com A Hora Mais Escura e 007 – Operação Skyfall dividindo a estatueta de Melhor Edição de Som. E como eu já imaginava, Valente (Pixar), ainda que não tenha recebido as mesmas boas críticas de Detona Ralph (Disney), ficou com o prêmio de Melhor Filme de Animação. Questão de lobby, como eu já disse.

Além disso, foi uma cerimônia razoável pelo ritmo mais rápido – discurso de vencedores cortados pelo tema de Tubarão causou parte disso. Entretanto, contudo, todavia se Adele, Hugh Jackman e Norah Jones puderam, por qual razão Scarlett Johansson e Bombay Jayashri não foram ao palco cantar os temas de Chasing Ice e Pi?

Ah! E teve o tombo de Jennifer Lawrence, que riu, pegou o Oscar e continuou linda.

Ah! [2] E teve Quentin Tarantino como vencedor de Melhor Roteiro Original, por Django Livre, que ainda rendeu o segundo Oscar de ator coadjuvante a Christoph Waltz. Na minha opinião, uma atuação muito boa, mas que repete o Hans Landa de Bastardos Inglórios, só que bonzinho.

Ah! [3] O que Michelle Obama foi fazer lá, hein?

85-Years-of-Oscar

Eis todos os vencedores:

Melhor Filme – Argo

Melhor Diretor – Ang Lee, por As Aventuras de Pi

Melhor Roteiro Original – Quentin Tarantino, por Django Livre

Melhor Roteiro Adaptado – Chris Terrio, por Argo

Melhor Ator – Daniel Day-Lewis, por Lincoln

Melhor Atriz – Jennifer Lawrence, por O Lado Bom da Vida

Melhor Ator Coadjuvante – Christoph Waltz, por Django Livre

Melhor Atriz Coadjuvante – Anne Hathaway, por Os Miseráveis

Melhor Montagem – William Goldenberg, por Argo

Melhor Fotografia – Claudio Miranda, por As Aventuras de Pi

Melhor Filme Estrangeiro – Amor (Áustria)

Melhor Animação – Valente

Melhor Trilha Sonora – Mychael Danna, por As Aventuras de Pi

Melhor Canção Original – Skyfall, por Adele – de 007 – Operação Skyfall

Melhor Documentário – Searching For Sugar Man

Melhor Direção de Arte – Lincoln

Melhor Figurino – Anna Karenina

Melhor Efeitos Visuais – As Aventuras de Pi

Melhor Efeitos Sonoros – Os Miseráveis

Melhor Edição de Som – 007 – Operação Skyfall e A Hora Mais Escura

Melhor Maquiagem – Os Miseráveis

Melhor Curta-Metragem – Curfew

Melhor Curta-Metragem (Animação) – Paperman

Melhor Curta-Metragem (Documentário) – Inocente


O Brasil e o Oscar – O Palhaço

Com a Academia já tendo recebido os mais de 70 candidatos ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro, aqui vai meu texto sobre o nosso concorrente.

O Palhaço

No início do ano, ele recusou um convite para fazer parte do elenco de Star Trek 2, mas parece que Selton Mello tem mais uma via até Hollywood. Seu segundo filme como diretor, O Palhaço, foi escolhido como o representante do Brasil à disputa de uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro no mês passado. Um caminho que pode até ser mais digno do que um papel de terceira numa continuação de blockbuster. Mas a História brasileira no Oscar mostra que o caminho verde-amarelo na Academia não é dos mais frutíferos.

Desde 1944, quando Ary Barroso foi o primeiro brasileiro a receber uma indicação – com a música “Rio de Janeiro”, no filme Brazil –, nós corremos atrás desse bendito prêmio. Em tese, nós até temos um Oscar de Filme Estrangeiro por Orfeu Negro, uma co-produção entre Brasil, Itália e França que papou a estatueta em 1960. Mas ainda que tivesse parte do elenco brasileiro, o Rio de Janeiro como cenário, ser baseado na peça de Vinicius de Moraes e fosse falado em português, a Academia concedeu à França a honraria por conta do diretor, Marcel Camus, ter nascido por lá.

Com filmes tipo “raça pura”, nós já chegamos a quatro finais naquela categoria, com O Pagador de Promessas (1963), O Quatrilho (1996), O que é Isso, Companheiro? (1998) e Central do Brasil (1999). Nas quatro vezes vimos o Oscar aportando em outros países. E olha que Fernanda Montenegro ainda concorria como Melhor Atriz com Central. Só que a caseira Academia resolveu premiar a aguada Gwyneth Paltrow, em Shakespeare Apaixonado. Dor de cotovelo à parte.

O Beijo da Mulher-Aranha, dirigido por Hector Babenco, foi indicado a Melhor Filme de 1985 e rendeu ao americano William Hurt o prêmio de Melhor Ator. Mas, no fim das contas, era capitaneado por um argentino. Sim, Babenco nasceu em terras portenhas, ainda que tenha se radicado no Brasil – nem queríamos Oscar mesmo.

Os últimos brasileiros a serem indicados foram os músicos Sérgio Mendes e Carlinhos Brown, autores da concorrente a Melhor Canção “Real in Rio”, tema da animação Rio. Perdeu para seu único concorrente, Os Muppets. Mesmo destino do indicado a Melhor Documentário, Lixo Extraordinário, co-produzido por Brasil e Reino Unido e co-dirigido por Karen Harley e João Jardim. Também tivemos boas chances com o curta Uma História de Futebol, que em 2001 esteve entre os indicados na categoria. Porém, nada veio na bagagem de Los Angeles.

O ápice brasileiro no Oscar veio com as nomeações de Cidade de Deus em quatro categorias, em 2002. Fernando Meirelles disputou como Melhor Diretor, César Charlone estava entre os melhores diretores de fotografia, Daniel Rezende concorreu entre os melhores montadores e Bráulio Mantovani correu atrás do prêmio de melhor roteiro adaptado. Foi um ápice sem Oscar.

Tudo bem, esse texto não foi nada animador quanto as chances de O Palhaço para 2013. Contudo, quando a Academia estiver apresentando os indicados ao prêmio mais famoso da indústria cultural, lembre-se que podemos até não ter nenhuma estatueta dourada daquelas, mas a Palma de Ouro, o Urso de Ouro, o Globo de Ouro, o Bafta e outros já estão em prateleiras brasileiras.

Agora, se Hollywood já premiou até Roberto Benigni, nosso Palhaço dá de 10 no italiano.

*Texto originalmente publicado na Revista Elite Business (ed. 1) – Outubro 2012


Teaser de Man of Steel e a Maldição Zack Snyder

Zack Snyder ainda não fez um filme exatamente ruim, mas também não conseguiu nenhum longa extraordinário. Mesmo 300 e Madrugada dos Mortos, seus melhores, não passam de um trabalho estético superior, mas sem a vida necessária para elevar o filme como um todo. Por isso, o meu grande medo em relação a Snyder é ver os trailers de seus próximos lançamentos. Além dos filmes citados, o frio Watchmen e o sem alma Sucker Punch, se vendiam lindamente e elevavam as expectativas a um grau nunca alcançado pela obra principal.

Digo tudo isso por conta dos teasers divulgados pela Warner da nova tentativa de colocar o Superman no panteão dos bons filmes de super-heróis: Man of Steel. Com duas narrações diferentes – um de Jonathan Kent (Kevin Costner) e outra de Jor-El (Russel Crowe) – os trailers acertam mais uma vez, com um tom intimista e belas imagens – a do garotinho de capa e seu cachorro são especialmente bonitas.

Mas quando vêm os créditos da direção acordo do transe e espero que a “maldição Zack Snyder” seja desfeita.

Teaser versão Jonathan Kent (Kevin Costner)

Teaser versão  Jor-El (Russel Crowe)