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Get Loki (Você não leu errado)

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Crítica: Thor – O Mundo Sombrio

thor the dark world posterNão, Thor – O Mundo Sombrio (Thor – The Dark World, EUA, 2013) não é besta como Homem de Ferro 3. Contudo não consegue devolver o bom ritmo que os estúdios Marvel conseguiram nas adaptações de seus quadrinhos até o ápice Os Vingadores. O longa apara algumas arestas de seu antecessor, mas derrapa na maior parte do tempo na mistura nada sutil de humor, romance e ação – isso sem contar os furos do roteiro.

A fase 2 da Marvel (entenda aqui), que dá continuidade à vida de seus heróis fora do supergrupo, volta a Asgard e à Terra para que Thor combata um mal tão antigo e perigoso que demanda ajuda ao Deus do Trovão. No caso, o convocado para a missão é o irmão vilanesco Loki. O que por si já é o primeiro problema do roteiro escrito por Christopher Yost, Christopher Markus e Stephen McFeely e cuja história foi concebida por Don Payne e Robert Rodat. “Problema”? Sim. Se eu tenho um grupo tão extraordinário quanto os Vingadores para me auxiliar, por qual motivo correria atrás do maior vilão enfrentado por todos para me auxiliar e correr o risco de dar poder a ele novamente?

OK, é possível curtir algumas boas batalhas – Heimdall derruba uma nave com a espada -, mas é complicado ver a ação ser parada para as piadas acontecerem. Especialmente uma no metrô de Londres irrita por se meter no meio de uma boa pancadaria. “Mas o primeiro Thor já era engraçadinho”. Claro, fazer dele um filme sério poderia levar a um tom solene e xarope, além de criar um herói sem carisma e escroto. Afinal, a trama do longa-metragem anterior era a redenção de um deus mimado e forte que “aprende a ser gente”. A comédia ridicularizava um pouco Thor para que ele ganhesse a simpatia do público. Nessa continuação, porém, a comédia existe por si só, não é orgânica. É só dizer que o Dr. Erik Selvig, personagem de Stellan Skarsgård, é escrachado de vez e passa boa parte da história sem calças.

Fora que, de novo, Natalie Portman é desperdiçada como donzela a ser salva, enquanto suas descobertas científicas se tornam cada vez mais improváveis até chegar ao ponto de seu celular funcionar terras de reinos nórdicos – quer dizer, MUITO longe da Terra. “Mas aquilo era um portal entre os dois pontos”. Então me diz, cara pálida, que grave preocupação terrena a fazia carregar o aparelho em roupas asgardianas? E se quiser mais mulheres desperdiçadas, basta saber que Lady Sif aparece como possível elemento conflitante entre o protagonista e sua amada, mas lá pela metade de O Mundo Sombrio é completamente esquecida.

Terminando ainda com uma reaparição inexplicável, essa continuação tem Chris Hemsworth mais à vontade no papel de sua vida, só que ainda sim perde de longe para o irmão vivido por Tom Hiddleston – muito mais expressivo. A Marvel falhou de novo.

Nota: 6

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Crítica: Rush – No Limite da Emoção

Rush movieA abertura de Rush – No Limite da Emoção (Rush, EUA/Alemanha/reino Unido, 2013) até engana: parece que vamos ver um filme raso e glamourizado sobre o mundo das corridas por meio de uma rivalidade histórica entre Niki Lauda (Daniel Brühl) e James Hunt (Chris Hemsworth). As narrações em off sobre o mundo em que vivem, porém, servem mais para pontuar o amadurecimento futuro daqueles personagens do que para encantar a plateia o circo da Fórmula 1. Junte isso aos caprichados aspectos técnicos do longa e você tem um empolgante drama.

Tudo bem que o roteiro de Peter Morgan não consegue escapar de certos aspectos, como colocar os protagonistas na oposição meio óbvia Lauda caxias versus Hunt bon vivant, o que não tira o mérito dele em conseguir criar dramas e fazer com que aqueles personagens reais consigam se desenvolver com o passar do tempo. É preciso, nesse sentido, dar o braço a torcer para Hemsworth, o qual, ainda que não consiga se livrar da aura de galã, tem um trabalho com nuances diferentes do que ele está acostumado a fazer até aqui em sua carreira (ser o bonitão em cena).

Mas quem toma conta do longa é mesmo Brühl. O trabalho dele é tão bom e cativante que nem seu tom arrogante ou mesmo a chatice de ser o nerd da história o afastam do público. Veja que ele é o fio condutor da trama, em um misto de repúdio pelas atitudes de Hunt e certa inveja de não ter a mesma popularidade – e você nem percebe direito que Brühl está de maquiagem mesmo antes de sofrer o grave acidente que queima parte de seu rosto – o tratamento desses ferimentos é, de longe, a parte mais angustiante do filme.

Mas o que realmente chama atenção é a energia da direção de Ron Howard, que, aliada à montagem milimétrica de Daniel P. Hanley e Mike Hill e à fotografia de Anthony Dod Mantle criam um mundo veloz, bonito e até certo ponto estilizado. Enquanto Howard abusa de planos-detalhe ou closes, a escolha do diretor de manter muitos de seus quadros em perspectiva na pistas favorecem a velocidade dos carros em cena. Nesse momento as cores parecem mais vivas e o constante movimento vindos da montagem e da própria câmera fazem de Rush vigoroso.

Nota: 8,5

Rush - Lauda vs Hunt


Ops, Thor!

Thor


Resumo (29 de jul a 4 ago)

cabin-in-the-woods-posterO Segredo da Cabana* (The Cabin in the Woods, 2012). De Drew Goddard

Eu diria que esse é um roteiro escrito por um jovem de 12 anos entregue a um adulto, que deu certa dose de cinismo e o filmou. Uma besteira, na verdade. Para começar existe um erro de tom gritante no longa. Sem querer falar muito sobre os segredos do filme (mas já falando), existem duas história correndo paralelamente em um laboratório e na tal cabana do título. O caso é que enquanto no último existe aquele climão terrorífico, no laboratório, as incursões cômicas sobre a trama principal cortam completamente a ligação com o clima de horror que você espera. Assim você não sabe se ri ou se sente tenso – ou se apenas acompanha a história para ver onde ela vai dar. Já vou avisando que o caminho é longo (mesmo, com o filme durando apenas 1h35). E ainda existem aqueles clichês bestas de meninas lindas nuas e personagens carismáticos que encontram seu fim na mão de um ser qualquer. Além do bonitão em péssima atuação – não que o elenco seja o forte do filme. E digo mais: os minutos finais são pura maluquice tipo Além da Imaginação com um toque de violência. Repare ainda no desperdício completo da nossa querida Sigourney Weaver. Tudo cortesia do roteiro de Joss Whedon, de Os Vingadores. Nota: 4,5P.S. – alguém mais aí acha que as cenas da cabana são uma “homenagem” a Evil Dead?

ong_bak_movie_posterOng-Bak – Guerreiro Sagrado* (Ong-Bak, 2003). De Prachya Pinkaew

Não, esse não é um filme profundo ou, mesmo com um ponto de partida religioso, não questiona o avanço do mundo moderno sobre o próprio tradicionalismo. O negócio aqui é ação pura, mas nada simples. A complexidade das lutas protagonizadas pelo astro da ação Tony Jaa é o principal aqui e a história sobre a busca de parte de uma estátua sagrada vai render muitas delas. É até interessante, por exemplo, que a ação em si demore um tanto a começar, mas que desde que aparece não para – exclua a primeira cena de uma escalada a árvore, afinal, aquilo é nada em relação ao que vem por aí. A primeira que chama atenção é a série de obstáculos que Jaa supera em uma perseguição pelas ruas tailandesas. Dali para frente haverá muitas cotoveladas e joelhadas usando o Muay Thai do ator. Há aquela dose de exagero e humor necessário para que o filme não se torne cansativo ou um tipo de produção de Michael Bay com zilhões de cenas de ação que entorpecem. Em Ong-Bak vence a criatividade. A todo tempo tem algo que te empolga, seja um golpe mais exagerado, mas impressionante, seja uma correria desenfreada que termina em veículos tombando. Só que, repare, em todas elas há um malabarismo de Jaa para chamar a atenção – com um alívio cômico quase sempre, é preciso lembrar. Fora que a montagem busca a todo tempo efeitos estilosos acelerando o movimento da câmera ou cortando com mais celeridade. Além da própria trilha que mistura músicas eletrônicas com sons (aparentemente) tradicionais. Como já disse, impressiona com o vigor do protagonista, mas, muito mais importante que isso, entretém com uma história rasa, mas que liga minimamente uma cena de ação na outra. Nota: 8

*Filme visto pela primeira vez


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Vídeo Comentário #2 – Thor – O Mundo Sombrio


Crítica: Branca de Neve e o Caçador

snowwhiteandthehuntsman_posterBranca de Neve e o Caçador (Snow White and the Huntsman, EUA, 2012) não peca pela falta de originalidade, mas repete um grande erro de Alice no País das Maravilhas: a falta de empatia com a protagonista. Não é à toa que a nova versão do conto de fadas seja produzida por Joe Roth, a mesma pessoa que viabilizou o filme de Tim Burton em 2010 e que aqui divide o posto com Sam Mercer e Palak Patel.

Dessa vez a batuta ficou a cargo do cineasta Ruper Sanders, estreante no posto. Ele não se sai mal na maior parte do tempo e tem uma direção discreta, mas não consegue esconder pequenos problemas de posicionamento de atores no espaço da cena e não tira grandes atuações do elenco. Kristen Stewart, na pele alva da personagem-título, está sem sal e mal abre o semblante durante todo o longa, mantendo a expressão fechada até ao ser coroada. Sua antagonista, a Rainha Ravenna de Charlize Theron, também é sabotada, tendo que estabelecer uma fala solene e empostada, que descamba num sotaque rocambolesco, o qual a atriz não consegue fazer sem parecer que tem uma batata quente na boca.

A produção investe numa identidade mais adulta e estabelece um ambiente mais hostil, procurando, inclusive, ter ritmo menos corrido e não fazendo tanto barulho em momentos-chave. Repare como o beijo do amor verdadeiro de Branca de Neve quase chega a ser sutil. As cenas de ação estão lá e são muitas, tentando ser encaixadas à trama de forma orgânica para não comprometer o ritmo mais lento do filme, contudo é um mistério a existência de toda a sequência em que um troll quase dá cabo do Caçador, sendo finalizada com um berro de Branca de Neve sem mais nem menos.

O roteiro de Evan Daugherty, John Lee Hancock e Hossein Amini chega a homenagear o clássico Disney, criando sua versão dark e alucinógena da fuga da princesa pela Floresta Negra, completada pela criação de imagens bizarras e nauseantes, que pagam um belo tributo às árvores que tentar “agarrar” Branca de Neve no filme animado da década de 1930.

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Por outro lado, os roteiristas não conseguem dar à protagonista nem um terço do carisma que Walt Disney conseguiu colocar na sua obra. Tudo bem que Kristen não ajuda, mas a princesa aqui não faz muito por si, da mesma forma que houve sempre alguém para fazer o trabalho para Alice, há dois anos. Ela segue o Caçador e se torna uma donzela indefesa que não combina com a proposta de personagens fortes do filme. Apenas a título de comparação, o Caçador brucutu de bom coração vivido por Chris Hemsworth consegue estabelecer uma ligação mais forte com a plateia tendo como pano de fundo apenas uma esposa morta clichê e uma piadinha auto-depreciativa – “Não vê que estou me banhando?”.

Nem a bela variação da fotografia – indo das cores delicadas para o azul frio do reinado de Ravenna -, nem os toques sombrios do filme – o Espelho como entidade encapuzada, as paisagens rochosas no castelo sob o bater das ondas – conseguem salvar a produção da monotonia. E olha que o desenho de produção capricha nos ambientes, criando um mundo de conto de fadas, mas com castelos realísticos e moradias camponesas de um universo paralelo quase tangível. O problema é acreditar na fuga de Branca de Neve com a ajuda de pássaros e na “sorte” da moça em ter um cavalo selvagem tinindo de branco à espera dela pela floresta.

Ah! E no meio disso tudo tem os sete anões em grande elenco. Difícil vai ser encontrar Ian McShane, Bob Hoskins, Ray Winstone e Nick Frost debaixo da maquiagem.

Nota: 5,5

P.S. Só eu achei que o personagem William, encarnado por Sam Claflin, o Caçador e Branca de Neve formavam um triângulo amoroso com resquícios de Crepúsculo?

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