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O Brasil e o Oscar – O Palhaço

Com a Academia já tendo recebido os mais de 70 candidatos ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro, aqui vai meu texto sobre o nosso concorrente.

O Palhaço

No início do ano, ele recusou um convite para fazer parte do elenco de Star Trek 2, mas parece que Selton Mello tem mais uma via até Hollywood. Seu segundo filme como diretor, O Palhaço, foi escolhido como o representante do Brasil à disputa de uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro no mês passado. Um caminho que pode até ser mais digno do que um papel de terceira numa continuação de blockbuster. Mas a História brasileira no Oscar mostra que o caminho verde-amarelo na Academia não é dos mais frutíferos.

Desde 1944, quando Ary Barroso foi o primeiro brasileiro a receber uma indicação – com a música “Rio de Janeiro”, no filme Brazil –, nós corremos atrás desse bendito prêmio. Em tese, nós até temos um Oscar de Filme Estrangeiro por Orfeu Negro, uma co-produção entre Brasil, Itália e França que papou a estatueta em 1960. Mas ainda que tivesse parte do elenco brasileiro, o Rio de Janeiro como cenário, ser baseado na peça de Vinicius de Moraes e fosse falado em português, a Academia concedeu à França a honraria por conta do diretor, Marcel Camus, ter nascido por lá.

Com filmes tipo “raça pura”, nós já chegamos a quatro finais naquela categoria, com O Pagador de Promessas (1963), O Quatrilho (1996), O que é Isso, Companheiro? (1998) e Central do Brasil (1999). Nas quatro vezes vimos o Oscar aportando em outros países. E olha que Fernanda Montenegro ainda concorria como Melhor Atriz com Central. Só que a caseira Academia resolveu premiar a aguada Gwyneth Paltrow, em Shakespeare Apaixonado. Dor de cotovelo à parte.

O Beijo da Mulher-Aranha, dirigido por Hector Babenco, foi indicado a Melhor Filme de 1985 e rendeu ao americano William Hurt o prêmio de Melhor Ator. Mas, no fim das contas, era capitaneado por um argentino. Sim, Babenco nasceu em terras portenhas, ainda que tenha se radicado no Brasil – nem queríamos Oscar mesmo.

Os últimos brasileiros a serem indicados foram os músicos Sérgio Mendes e Carlinhos Brown, autores da concorrente a Melhor Canção “Real in Rio”, tema da animação Rio. Perdeu para seu único concorrente, Os Muppets. Mesmo destino do indicado a Melhor Documentário, Lixo Extraordinário, co-produzido por Brasil e Reino Unido e co-dirigido por Karen Harley e João Jardim. Também tivemos boas chances com o curta Uma História de Futebol, que em 2001 esteve entre os indicados na categoria. Porém, nada veio na bagagem de Los Angeles.

O ápice brasileiro no Oscar veio com as nomeações de Cidade de Deus em quatro categorias, em 2002. Fernando Meirelles disputou como Melhor Diretor, César Charlone estava entre os melhores diretores de fotografia, Daniel Rezende concorreu entre os melhores montadores e Bráulio Mantovani correu atrás do prêmio de melhor roteiro adaptado. Foi um ápice sem Oscar.

Tudo bem, esse texto não foi nada animador quanto as chances de O Palhaço para 2013. Contudo, quando a Academia estiver apresentando os indicados ao prêmio mais famoso da indústria cultural, lembre-se que podemos até não ter nenhuma estatueta dourada daquelas, mas a Palma de Ouro, o Urso de Ouro, o Globo de Ouro, o Bafta e outros já estão em prateleiras brasileiras.

Agora, se Hollywood já premiou até Roberto Benigni, nosso Palhaço dá de 10 no italiano.

*Texto originalmente publicado na Revista Elite Business (ed. 1) – Outubro 2012

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